Flowers and Knives
Flowers and Knives
Chapter 13 min read

Capítulo Único

Trabalhar na floricultura era chato.

Ela sempre tinha que estar atrás de um balcão, atendendo clientes alegres e vibrantes. Casais felizes celebrando datas especiais com seus braços entrelaçados e as cabeças quase se tocando em um abraço lateral idiota, garotos nervosos tentando fazer uma boa impressão com os cabelos lambidos e velhos homens que não queriam deixar a chama do amor apagar em seus casamentos.

Ela odiava todos eles.

Mai era provavelmente a pior escolha para trabalhar ali, mas a sua tia sempre iria receber alegremente a sua ajuda, pensando que ficar entre tantas flores fosse deixá-la menos ‘tenebrosa’.

Não iria.

Ela suspirou. O lugar era chato, mas ao menos era um bom lugar para ficar fora de vista indesejada.

Ao menos por um tempo.

— Com licença, — o cliente mais indesejado entrou e ficou frente a ela com um sorriso pateta forçado, — Eu estou procurando por um buquê que significa “Eu sinto muito mesmo por ter sido um babaca, por favor, me perdoe”.

— Eu tenho esse que significa “Dá o fora daqui agora”. Serve?

Zuko engoliu em seco, tentando parecer corajosa diante do olhar desconcertante de Mai e de sua faca afiada, perigosamente perto do seu pescoço.

— Eu acho que não, — ele respondeu em uma voz trêmula, mas ainda animada, — Mas eu felizmente aceitaria um que significa “Por favor, podemos pelo menos conversar?”. Eu creio que esse seria o bastante para mim.

Ela cruzou os braços e ele suspirou aliviado quando ela recolheu sua arma.

— E então? — Mai ergueu uma sobrancelha.

Primeiro ele piscou confuso. Ele tinha um discurso inteiro decorado para essa situação toda, mas agora ele não poderia saber por onde começar.

Maldita Mai e aquela carranca assustadora.

— Você não fala comigo tem três dias... — ele começou.

— Eu ignorei você por três dias, é diferente, — ela o cortou.

Bem, esse não foi um bom começo, ele se xingou e seu terrível discurso antes de tentar outra estratégia.

— Nós não podemos conversar? — Ele implorou.

— Ah, agora você quer conversar? — Ambas as suas sobrancelhas se ergueram dessa vez.

— Mas Mai...

— Eu sei o que você quer dizer, e eu não quero ouvir. — Ela virou as costas para ele e continuou a trabalhar nas flores. E apesar da faca em sua mão não possuir nenhum propósito ameaçador ele ficou mais nervoso.

Ele abandonou seu discurso pré-preparado e grunhiu. Céus, porque ela tinha que ser tão teimosa mesmo?

— Então o quê? — Ele murmurou, — Você vai terminar comigo?

Ela parou o trabalho e suspirou pesadamente.

— Não, — ela disse sem olhar para ele.

Um sorriso tímido cresceu no rosto dele.

— Então, que tal aquele buquê do “Eu sinto muito mesmo por ter sido um babaca, por favor, me perdoe”? — Ele arriscou, mais otimista dessa vez.

O rosto dela ainda estava severo quando ele virou para ele, mas ela parecia mais apaziguada.

— Se você for esperto você vai aceitar esse “Vou pensar no caso”, — ela ergueu uma única e quase murcha flor para ele — A menos que você queira o…

— Esse tá ótimo, fico com ele.

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