Dont Live You Life In Vain
Dont Live You Life In Vain
Chapter 15 min read

Mudança

Nunca uma noite se passou tão devagar quanto essa. Porcaria de noite. Estava cansado e nem sabia o porque, afinal, todos os dias de sua vida eram exatamente iguais. Talvez fosse por isso.

Levantou-se e se dirigiu ao banheiro. Escovou os dentes e se apoiou na pia, olhando seu tremulo reflexo no espelho.Desceu as escadas, ainda de pijamas, e foi até a cozinha, onde sua mãe se encontrava preparando o café da manhã.

–Bom dia, mãe. – Disse, sentando-se a mesa, onde seu pai lia o jornal que acabara de chegar.

–Pai. – O cumprimentou, esse lhe respondendo com um breve aceno de cabeça.

Eles eram sempre tão iguais, tudo sempre tão monótono, naquela estúpida manhã de quarta feira. Isso o irritava profundamente. Por que logo com ele? Queria agitação, festas, tudo de mais feliz e prazeroso que existisse.

Tomou seu café com leite e subiu as escadas e tentou achar forças em si ao sentar na cama, para que, pelo menos, pudesse ir para a escola. Sua maldita escola, onde todos sempre aparentavam perfeição. Sem problemas, ele conseguiria.

Seguiu novamente para o banheiro, escovando os dentes e tomando uma breve ducha.O caminho da escola era longo, porém era possível ir andando. Foi pensando na vida, poderia mudar, estava cansado de ser o famoso garoto perfeitinho, seu mundo era maravilhoso demais, e isso não estava de acordo com o que tinha se tornado ao longo dos anos. Não estava certo.

Encontrou vários de seus vizinhos no caminho. Sim, todos perfeitos. Não tinham problemas, sem encrencas em família, ganhavam o suficiente para se manterem em boas residências em um bairro de classe alta. Ele os odiava. Porém, como manda a maldita da boa educação, acenava para todos.

Finalmente chegou a escola. Notava-se que todos estavam padronizados. O uniforme, em sua opinião era a coisa mais ridícula que um ser poderia inventar na face da terra. Camisa branca, suéter bege de losangos em cores alternadas, calça preta e sapato social para os homens, e para as mulheres, o mesmo na parte de cima, porém a calça era substituída por uma saia preta até os joelhos e sapatos pretos estilo sapatilha. Horrível.

Para sua sorte, depois de implorar incansavelmente para que seus pais o mudassem de escola, o seu desejo se concretizaria dali alguns dias. Longos dias. Seu pai seria transferido para sua antiga cidade, Huntington Beach. E ai sim, sua vida mudaria para melhor

O menino de olhos verdes se sentia deslocado, aquele nunca foi seu estilo. Engomado. Certinho. Nojento.Sentou-se em sua carteira, torcendo para que seu sofrimento não durasse mais que alguns minutos.

A partir dali, desligou-se totalmente, até que o sinal bateu, indicando o fim do período de aulas e tirando-lhe de seus desvaneios.

Ao passar pelo grande portão de ferro, que enfeitava a entrada de sua escola, pegou um cigarro em sua mochila, indo então em direção ao seu refugio, o lugar mais afastado e reservado que encontrara até o momento.

Entrou pela trilha de terra, perto do rio, e se acomodou em sua arvore preferida. Tirou uma garrafa de vodka de sua mochila e a consumiu, quase que por inteira. Adormeceu ali mesmo.
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– Zacky querido, acorde. – Sua mãe o cutucava – Chegamos.

Ele levantou na hora, aquilo era tudo o que mais queria.
Voltar para sua antiga casa, a que seus pais nunca venderam. Seu antigo quarto, o qual sentia falta.

Correu escada acima, nem reparando que todos os moveis já estavam em seu devido lugar, exceto por algumas caixas encostadas na porta, não reparou nem o cheiro de casa velha que o lugar tinha. Estava feliz demais para isso.

Seus documentos de transferência já haviam sido enviados a nova escola, a qual começaria no dia seguinte a sua chegada. Zacky tinha sorte, encontraria seus velhos amigos: Sanders, Seward e seu melhor amigo de infância, com o qual tinha perdido contato a algum tempo, Jimmy Sullivan.

Ele ouviu seu pai o chamando no andar debaixo, logo após ouvir a estridente campainha de que tanto sentia falta. Isso o irritava, mas hoje não.

Ao descer as escadas se depara com Jimmy e Matt o olhando dos pés a cabeça, incrédulos. Zacky faz o mesmo.

– Baker? Nosso Baker? O que aconteceu com você? Isso não estava ai da ultima vez — apontou para a barriga de Zacky — Andou comendo quantas vacas por dia? – Matt Sanders disse – Eu senti sua falta. – Foi de encontro ao amigo abraçando-o forte o suficiente para que todos os outros presentes na sala achassem que seus olhos fossem sair de orbita.

–Também senti sua falta, Matt. – Retribuiu o abraço do grandão com um sorriso no rosto.

– O que temos aqui? – Olhava para o menino magro e alto a sua frente – Jimmy? – Sussurou ao receber um abraço igualmente forte ao de seu outro amigo. – Cara. Eu não acredito que voltei.

– TAMBÉM NÃO ACREDITO. – Zacky assustou-se com o tom escandaloso usado por Sullivan e seus gestos espalhafatosos e gargalhou alto, pensando em quando Jimmy se tornara tão gay.

– Temos muito o que fazer. Zacky meu amigo, você bebe certo? – O moreno de olhos esverdeados assentiu — Então, hoje vamos comemorar.

O trio sorriu malicioso.

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