“Aparentemente nós precisamos de dinheiro para viver”. Jace resmungou se jogando no sofá.
“Sabe é assim que os pobres mundanos pagam as contas, precisamos também de água, ventilador--”. Simon comentou deixando a HQ de lado para poder conversar com o recém chegado.
“Internet”. Alec completou sem tirar os olhos do celular. “Não conseguiu a vaga?”.
“Nah, era estúpido mesmo, quem precisa trabalhar como barista num café onde tudo custa uma fortuna?”. Jace cruzou os braços.
“Me desculpe, mas nós não vamos sobreviver vivendo assim, eu não posso ser a única pessoa a ter um emprego”. Simon comentou olhando sério para os dois.
Jace murmurou algo incompreensível e Alec finalmente largou o celular.
“Eu estou procurando algo, mas é complicado...” Alec olhava em outra direção.
“Por que você não aceita a vaga de modelo? Ligaram umas três vezes para cá”. Simon tentou novamente.
“Não! De jeito nenhum. Nunca”. Ele imediatamente se colocou de pé, com o rosto corado e saiu caminhando em passos largos para o quarto, como se Simon tivesse o poder de obriga-lo a aceitar o trabalho.
Jace tentou não rir, mas era difícil.
“Nem toda a maquiagem do mundo iria conseguir tirar aquele vermelho da cara dele”. Disse com um largo sorriso.
Simon riu, era maldade, mas ele riu, e em prol do amigo, pegou a almofada mais próxima e acertou no loiro.
Eles iriam ser expulsos da linda cobertura que haviam alugado, não era como se fosse algo luxuoso, estava mais para um galpão, as paredes estavam no tijolo, era basicamente um apartamento que precisava de uma reforma, mas ninguém em sã consciência iria querer gastar tanto em algo que ainda assim não seria valorizado, o prédio era velho e não tinha elevador, eles basicamente usavam a escada de incêndio e a porta principal era a enorme janela que ficava na sala.
Mas as contas estavam se acumulando, Jace havia sido demitido depois de brigar com um cliente que estava assediando uma garota e Alec desistiu de trabalhar com o pai e estava atualmente desempregado.
E o dia seguiria com o jantar a base de cupnoodles se Clary e Izzy não tivessem aparecido depois do pôr do sol. E entrado pela janela.
E talvez eles devessem reconsiderar a ideia da escada de incêndio, porque significava que qualquer um tinha acesso, era só ir para os fundos do prédio e subir todos os degraus. Ao mesmo tempo seria suicídio, Alec e Jace poderiam dar aula de luta se quissessem.
“Se arrumem, nós vamos sair”. Izzy anunciou se reequilibrando no salto e desfilando pela sala.
“Onde exatamente?”. Jace perguntou, embora sua concentração estivesse na partida em que se ocupava no vídeo-game.
“Festa”. Clary disse animada indo até o namorado e conectando o outro controle no console.
“Na-na-não, não temos dinheiro, estamos em vacas magras”. Simon disse saindo do quarto.
“Eu já disse que conheço o organizador da festa e nós vamos de graça?”. Clary comentou com um sorriso de orelha a orelha.
Simon pareceu pensativo, mas antes que pudesse dar uma resposta, Izzy estava o arrastando de volta para o quarto e falando sobre o que usar.
“E quem é o organizador?”. Jace perguntou arqueando a sobrancelha.
“Um amigo”.
“Que amigo?”. Jace pausou a partida.
“Magnus Bane”. Clary respondeu girando os olhos.
“Que eu nunca ouvi falar”. Jace cruzou os braços.
“É um amigo antigo, mas nós nos falamos mais pela internet, eu nunca os apresentei porque ele está sempre viajando, aparentemente ele voltou há pouco tempo e está morando em Brooklyn, satisfeito?”.
Jace sorriu e inclinou o rosto para beijá-la. Clary largou o controle de lado para poder se ajeitar no colo do namorado.
E humilhá-lo na partida por ser um idiota ciumento.
—/-
“Por que nós estamos com isso mesmo?”. Alec perguntou olhando para o desenho no antebraço.
Clary havia desenhado runas em todos eles, a condição era que estivesse em lugar visível. Ela usava uma desenhada no pescoço, Simon na mão, Jace no bíceps e Izzy no colo dos seios.
“Funciona como uma pulseira vip. Magnus é bem extravagante, você vai entender”.
Conhecer o organizador tinha mesmo suas vantagens, todos passaram reto pela fila que dava volta no quarteirão. A música estava alta e as pessoas já estavam aglomeradas dançando.
“Eu vou precisar de muita bebida pra isso”. Alec comentou assim que se viu preso entre as pessoas.
“Felizmente, eu posso cuidar disso”. Uma voz desconhecida se pronunciou atrás de Alec que deu um salto.
Um homem vestido roupas estranhas.
“Magnus!” Clary foi cumprimenta-lo com um beijo no rosto.
“É ótima revê-la Cupcake, imagino que esses sejam seus amigos”. Ele sorriu na direção de todos, mas demorou o olhar em uma pessoa específica.
“Sim. Izzy, Alec, Simon e meu namorado Jace”.
“Encantado”. Disse olhando para todos. “Então.. Alexander, posso conseguir aquela bebida? Sem fila”.
“Ótimo”. Alec foi guiado por Magnus que já estava com uma mão em seu ombro.
“Perfeito”.
“Alec, sabe que Magnus está dando em cima dele?” Simon perguntou arqueando a sobrancelha.
“Não percebeu ainda, mas vai perceber”. Izzy abriu um sorriso divertido.
Uma música mais animada e barulhenta começou, Jace e Clary foram imediatamente dançar, eles não estavam lá nem ha 10 minutos e alguém já havia comprado uma bebida para Izzy, agora ela dançava com um copo na mão e com um homem exótico de cabelos compridos e mechas azuis.
Simon normalmente contava a companhia silenciosa e um pouco julgadora de Alec, mas agora nem isso. Somente depois de quase 1h Clary iria voltar e o arrastar para dançar e talvez Izzy se juntaria.
Ele sentou num banco do bar e ficou encarando o cardápio, mas não estava focando em nada.
“Não faça isso”.
Simon ergueu o rosto e encontrou com o do bartender, ele usava uma roupa toda preta, o cabelo estava perfeitamente arrumado e ele tinha um sotaque.
“Hola! amigo”. Simon abriu um sorriso.
O bartender estreitou os olhos.
“Si conoces apenas una sola palabra, es mejor permanecer callado o vai parecer que es estupido”. Falou num tom ríspido e num espanhol fluente.
“Ok... eu entendi o estúpido”. Simon, apesar de tudo não estava ofendido, afinal ele era amigo de Jace e Alec.
“Raphael...” Magnus usou um tom de aviso enquanto se fazia presente, Alec estava logo atrás com uma bebida de líquido roxo nas mãos.
“Não deveria ter me colocado para substituir o último empregado idiota, eu não sou bartender”.
Magnus girou os olhos, realmente não era o ideal, mas era apenas temporário. Raphael era bom no que fazia, mas era injusto colocá-lo nesse cargo, ele era responsável pelas compras e licitações do bar e não por servi-lo.
“Espera, tem uma vaga de bartender aberta?” Alec perguntou olhando de Raphael para Magnus.
“Interessado?” Magnus mudou o tom de flerte para algo genuinamente curioso. Ele não brincava com negócios.
“Bom... Sim, se não for... er... estranho”.
Magnus sorriu de orelha a orelha.
“Por que seria estranho? Não sei do que está falando”.
Foi a vez de Raphael girar os olhos. Ele empurrou um copo com uma bebida vermelha para frente de Simon.
“Eu não pedi nada”. Disse confuso.
Raphael ergueu a sobrancelha.
“Não me diga”. Aparentemente ele respirava sarcasmo. “Você vai ficar encarando o cardápio e ocupando um espaço, então beba”.
“Obrigado... eu acho”.
Simon foi saboreando, era forte e dava pra sentir a vodka queimando no fundo, mas também havia outros sabores. Ele voltou a focar no cardápio para procurar o nome do drink, depois de alguns minutos imaginou que fosse Bloody Mary.
Ele queria chamá-lo de volta, mas Raphael estava ocupado, um outro bartander se aproximou, mas Simon o dispensou. Acabou ali o observando. Raphael era rápido, fazia tudo sem abrir um único sorriso, parecia quase entediado.
Quando seu copo ficou vazio, Raphael empurrou o mesmo drink vermelho para ele.
“O que tem nisso? Além da vodka...” Disse mexendo no canudinho.
“Suco de tomate, limão, molho inglês, tabasco, pimenta...”.
“Uau”.
Ele não sabia mais o que dizer e se sentiu patético. Rapahel apenas assentiu e voltou a atender outras pessoas.
“Por que eu sou tão ruim nisso?” Resmungou para si mesmo.
“Ruim em que?” Clary perguntou sentando-se no banco ao lado. Ela se abanava com a mão e descolava uma mecha que estava grudando em sua testa.
Jace sinalizou para o bartender e Raphael se aproximou novamente.
“Uma cerveja”. Disse batendo com a nota na bancada.
“Orgasmo”. Clary falou rapidamente.
Simon engasgou e Jace encarou a namorada.
“O que?” Ela perguntou sem nem ficar vermelha. “É o nome da bebida, céus...”
“Dios mio...” Resmungou girando os olhos. Ele empurrou uma Heineken para Jace e começou a preparar a bebida de Clary.
“Você está o tempo todo aqui? Você precisa ir dançar”.
“Eu vou...”
“Alguém viu a Izzy ou o Alec?” Jace começou olhando para a pista, mas nem sinal dos irmãos.
“Izzy estava dançando com um rapaz e Alec estava ali num canto conversando com Magnus”. Simon apontou nas direções, mas aparentemente nenhum deles estava mais no mesmo lugar.
Jace começou a mandar uma mensagem para os dois. Clary girou os olhos.
“O melhor Orgasmo da casa”. Raphael disse empurrando a bebida.
Simon cuspiu a bebida. Clary deu uns tapinhas nas costas do amigo.
“Obrigada”.
“Você também quer um?” Perguntou arqueando a sobrancelha.
“O-o que?” Simon teve a decencia de corar até o último fio de cabelo.
“Um Orgasmo”.
“Eu...er... eu...”
“Puedo garantizar que es el mejor”.
Simon não entendia absolutamente nada de espanhol, mas quando ele falava tudo soava sexy, mesmo quando estava o insultando, como no começo. E agora ele era uma poça incoerente, enquanto o cara mais bonito do lugar estava o oferecendo um Orgasmo.
Era um drink, ele repetiu para si mesmo.
Clary olhava de Simon para Raphael e de Raphael para Simon, e com um sorriso puxou o braço do namorado e o afastou dali.
Simon não confiava em si mesmo para falar algo coerente, então apenas assentiu.
Raphael empurrou o drink e um guardanapo. Ele se virou para atender o outro lado do bar.
No guardanapo estava seu número.
Simon ficou muito orgulhoso de não começar a fazer a dancinha da vitoria naquele exato momento. Clary ergueu o drink de longe e piscou para ele.
—/-
“No fim do dia Alec conseguiu um emprego, Simon arranjou um encontro, Izzy está saindo com um cara...” Jace estava largado no sofá. “Estou orgulhoso de vocês, seus perdedores”.
“Eu também tenho um encontro...”. Alec comentou mais baixo enquanto digitava rapidamente no celular.
“Agora só falta você encontrar um emprego”. Simon sorriu animado.
“Ele tem um, guarda-costas da Clary, a garota não respira sem ele estar logo atrás”.
Jace tacou uma almofada no irmão.
“Mandando mensagem para o Magnus?” Simon perguntou se inclinando na direção de Alec.
“Sim, já mandou uma para Raphael? Ele não te deu o número pra ficar guardado, sabe...”
Alec Lightwood estava lhe dando um conselho amoroso. Amanhã iria chover meteoros.
“Estou brigando com o google tradutor, sei que tem algumas coisas erradas”.
“Acho que ele vai apreciar seu esforço”.
Definitivamente seria o último dia na terra.
“Não, ele não vai”. Simon riu, mas apertou o botão de enviar.
Depois de cinco minutos recebeu a resposta.
Tienes suerte de que eres lindo.
“Você está com um sorriso bobo, mas nem sabe o que significa”. Alec o provocou.
“Sei sim, eu tenho google tradutor, eu tenho o mundo nas minhas mãos”.
Jace definitivamente precisava de um emprego.
