O sol batia em minhas mãos e minha pele ardia. Eu sentia o dolorido daquela queimadura, mas eu não me importava com isso. Não naquele momento. Só estava sentada ali querendo sentir cada pequeno detalhe que eu perderia. O cheiro salgado do mar, o barulho das ondas, o calor e o oxigênio.
O que eles diriam de mim depois daquele dia ensolarado? O que eles falariam ao ter meu corpo sepultado? Sentiriam a minha falta? Quatro anos longe de toda a minha família, sem ter dado muitos telefonemas. Acho que eles até agradeceriam a minha partida.
Eu, agora tenho 22 anos. Deixei minha casa, minha mãe com quem eu preparava deliciosas tortas de limão e minha irmã mais velha, que adorava criticar o jeito que eu me vestia, mas com quem eu adorava conversar. Esses quatro anos separadas deixou nossa relação sem graça. A última vez que nos vimos, elas pareciam estar mais juntas e eu estava de fato deslocada. Foi uma sensação muito ruim, tão ruim a ponto de eu não ter mais desejo de voltar lá nem tão cedo.
Nem mesmo o meu último dia de vida me faria querer abraçá-las, nem deixar alguma carta. A tristeza que sinto só me faria dizer coisas ruins e eu não queria que elas sentissem culpa do que vai me acontecer. Até por que não é culpa delas, e sim das coisas que acontecem, dessa nova geração, dessa falsidade, dessa vida infeliz, desses novos conceitos. Eu estou pronta para deixar essa vida! Nada me faria continuar.
Agora eu caminho pela areia fina e branca. Não é uma das minhas sensações preferidas. Eu particularmente, sinto agonia dessa coisa grudando nos meus pés. Que bom que não vou mais poder sentir isso. Agora estou pisando na areia molhada, deixando minhas últimas marcas na vida, que logo, o mar vai apagar.
E finalmente o mar. Ele quem vai me devorar. Quem vai me levar para a outra vida. Que vida? Eu nem sei direito, nem quero pensar sobre isso. Só quero dar um ponto final. É isso. Então... Adeus...
