O dia amanheceu como qualquer outro para você. Estava chovendo muito. E havia uma atmosfera mórbida no ar. Muitas crianças se questionavam o quão sortudo você era. Sr e Sra Foster, em? Todos sabiam que aqueles velhotes eram podres de ricos. Era uma tremenda sorte você ter sido escolhida. Justo você. O que eles viram em você? Uma criança suja e maltrapilha. Provavelmente pouco atrativa aos olhos dos adultos comuns, caso contrário, você não teria passado boa parte de sua vida infantil no orfanato esperando um novo lar e uma família para amar. A freira Laura estava lhe ajudando a arrumar suas malas, você pode andar por ai, despedir-se dos seus amigos do orfanato, ou não. Afinal, é possível ter amigos ali? Um local tão rotativo. Enquanto você se aprontava para ir embora, Irmã Laura te passava uma exaustiva lista de regras e dicas de bom comportamento. Você deve fazer isso, você não pode fazer aquilo. Seja uma boa criança. Obedeça! Ao menos é claro, que você deseja ser devolvida pelo Sr, e Sra Foster. Devolvida? Ah é claro, de novo. Você já carrega traumas sobre isso. Pelo que parece, os velhotes são sensíveis a crianças curiosas e que falam demais. Já que uma das regras mais importantes era, ir para a cama cedo, e não perguntar sobre o passado do casal. Mas você não tinha nada a perder, não é mesmo? Já está próximo ou provavelmente já passou da idade dos dois dígitos, não é hora de escolher muito. E se isso significa viver com velhos ricos e excêntricos em uma mansão, vamos nos aventurar de cabeça nisso. Afinal, essa pode ser sua última chance de estudar em uma escola descente e ser alguém na vida.
Hora de narrar!
Descreva como sua criança está reagindo a notícia que em breve virá um ônibus buscá-la. Você, e um pequeno grupo de outras crianças foram escolhidas a dedo para viverem sob o cuidado do Sr, e Sra Foster até atingir a maior idade. Você ainda não os conhece, nem nunca os viu. Tudo foi tratado por telefone. O que é muito estranho. Procure descrever objetos importantes que a Irmã Laura está ajudando você a colocar na mala, descreva despedidas de amigos, ou inimigos. Eles podem ser útil no futuro. Descreva suas emoções. Como você se sente nesse momento? Você é livre para descrever o orfanato, descrever as famílias anteriores que devolveram você, ou mesmo descrever seu quarto. Você tem direito a uma pergunta para a Irmã Laura. Escolha sabiamente o que você vai perguntar, isso pode alterar o rumo da história.
Isabela estava em uma 'casa de abrigo', assim apelidada carinhosamente pelos moradores de lá, a casa era bem antiga, não tinha sequer janelas e um grande detalhe é que ela foi invadida, pois, o antigo morador havia falecido e ele era um senhorzinho sozinho e sem família. — Vamos Isabela! Gritou uma senhora com uma voz um pouco falha, e logo repetiu. — Vamos logo querida, arrume logo suas coisas. A senhora aparentava ter 75 anos, tinha alguns problemas na perna e andava mancando, aparentemente estava muito mal de saúde. Isabela apressou-se, guardou uma pasta cheia de rabiscos e dobrou suas poucas roupas em tons de verde dentro uma sacolinha costurada a mão pela mesma senhora que estava apressando-a. — Pronto, estou preparada! Disse Isabela, com um sorriso no rosto e uns pulinhos ansiosos. — Vamos então querida, chegou a hora de você ter uma vida melhor e encontrar uma família e ser muito feliz, você não merece estar aqui. Falou a velha senhora com um tom tão sorridente quanto de Isabela. Despedindo-se dos seus colegas (A maioria adultos) que a acolheram algum tempo na casa. Levando sua sacolinhas, Isabela estava preparada para uma caminhada longa até um orfanato no interior. — Confesso que estou ansiosa! Disse Isabela com muita empolgação. — Cuidado, querida, muita empolgação nunca é bom! Comece devagar, faça amigos devagar e tome cuidado. Durante toda a caminhada das duas, ambas foram conversando sobre o passado, sobre o futuro e sobre o orfanato. — Pronto, querida, chegamos! Aqui é o seu novo lar. Exclama a senhora, respirando fundo e olhando diretamente para a porta de entrada do orfanato. Ambas deram seus primeiros passos para dentro do grande lugar. Isabela olhava cada detalhe e continuava dando seus pulinhos, hora de nervoso e hora de felicidade por finalmente estar em um bom lugar. Em poucos minutos surgiu uma freira chamada Laura, apresentando-se e cadastrando a menina Isabela em seus montes de papeis. — Chegou a hora de partir, menina Isabela, minha queria Bela. Que você seja muito feliz aqui como... — Como o quê? Interrompe Isabela, confusa, mas não muito interessada, pois estava mesmo é empolgada para conhecer seus novos amigos. — Nada não, vai lá, seja feliz e siga tudo o que eu te falei, e logo você terá uma família incrível. — Obrigada por tudo o que você fez por mim. Comenta Isabela sorrindo, mas segurando sua emoção. — Seja uma boa menina. Sussurra a velha senhora, afastando-se e virando de costas.
Viktor soube faz 2 horas que um ônibus o irá buscar para levá-lo, junto a mais órfãos, ao potencial casal adotante. Irmã Laura faz questão de que ele repita as regras para que finalmente possa ser adotado -e que permaneça com o rico casal-, e ele se sente em neutralidade. Não quer estar visivelmente contente pela situação para que nada dê errado, e também não se põe inseguro por razões óbvias; isto apenas a pioraria. Por dentro seus pensamentos se dividem entre 'Se eu for aceito pelo casal o que acontecerá? Como precisarei me comportar na escola nova... Aliás, eu vou para uma escola boa, né? Espero que sejam legais. E... eles me deixarão procurar pela minha família biológica antes dos 18 anos? Recursos eles devem ter, ou talvez tenham escolhido a mim por saberem minha história. Certo?' e 'Se eu não for aceito, que outra chance terei? Já tenho 14 anos e esta é a primeira vez que se interessam por mim. Primeira! Não posso estragar, não posso es-' Irmã Laura interrompe seus pensamentos perguntando que objetos ele pretende levar consigo para a nova família. — Minha mala, para começar. — Ele ri de canto de boca, cabisbaixo, ciente de não possuir muitas coisas. — Os produtos de higiene neste bolso, a garrafa de água nesta repartição, minhas trocas de roupas, meu caderno e... Suspirando, Viktor encara o seu futuro antigo quarto. Vê na parede à frente, ao lado da porta, pendurada com fita adesiva, uma folhagem seca. Por alguma razão ainda desconhecida este formato o faz lembrar da palavra que seu pai sussurrara naquela noite. Ele se levanta, coloca a folhagem entre duas folhas do caderno e o guarda de volta na mala. A irmã Laura apesar de em 90% do tempo passar um ar de séria demais, carinhosamente agora sorri a ele e diz: — Você está pronto. Alguma dúvida? Viktor se força a pensar em uma pergunta como se fosse a última frase que poderia expressar antes da nova vida. Decide basear sua pergunta como se clamando por algo que o fizesse se sentir vivo — A senhorita/sra sabe algo que possa me ajudar a encontrar minha família, irmã Laura? Alguma... Não sei, pista? — Seus lábios se juntam e sua expressão é um misto de dúvida e esperança em sua testa franzida, até que ela lhe responde negativamente, e que aparentemente ninguém do orfanato carrega esse tipo de informação. Agradecido e desapontado, Viktor se levanta e encara os olhos de irmã Laura. Alinhando a postura para parecer confiante, ele a agradece e se despede. Já na porta principal do orfanato, um momento de anos atrás vem à sua mente. Tarde nublada e crianças brincando no pequeno pátio, com exceção de Viktor. Um garoto 3 anos mais velho começa a falar mal dele, achando que estivesse tentando fugir -estava querendo saber o porquê das portas abertas se ali não havia mais ninguém, dentro ou fora do Orfanato pelo que pareceu alguns instantes. Viktor virou-se lentamente, com as mãos na região do tórax. Sua respiração então cortada, não conseguiu falar o que havia visto lá fora. O ônibus chega e, organizados em fileira, órfãos escolhidos pelo rico casal cuidadosamente descem as escadas. Já entrando no ônibus, Viktor vê uma figura parecida com a de anos atrás, na parte de trás do orfanato. Seu corpo gela e suas mãos tremem, mas desta vez consegue conter.
Micael se sentia animado e nervoso — finalmente iria poder sair daquele orfanato! Mas ele não conseguia parar de pensar no que as outras crianças diziam, por tantos anos lhe falaram que ele tinha uma maldição, que sua própria avó o abandonou por isso e nenhuma família o aceitaria... E se o casal Foster fosse supersticioso também? Eles não teriam o escolhido se pensassem assim, não é? Se bem que ele já havia sido adotado e devolvido ao orfanato antes... mas melhor não pensar muito nisso, esta vez poderia ser diferente! Ele ouvia atentamente as instruções da Irmã Laura — ou pelo menos tentava, ao meio do barulho das outras crianças e enquanto procurava seus pertences. Em meio aos seus pensamentos acabou se distraindo, pensando em como seria sua nova casa. Seria uma mansão velha e acabada, como o orfanato? Ou eles morariam em um lugar luxuoso e moderno? O sonho de Micael, na verdade, era uma vida simples em uma fazenda tranquila, cuidando de animais, mas ele realmente não estava em posição de reclamar por ser adotado por um casal rico, seja lá qual fosse o estilo de vida deles. Mas e se ele não conseguisse se adaptar com uma vida de luxo?... Em meio aos seus devaneios, Irmã Laura o chama atenção: "Micael, você esta ouvindo? Qual foi a regra que eu acabei de dizer?!" O garoto se levantou assustado, derrubando uma pilha de roupas que estava na cama. "Um... sempre escovar os dentes?" chutou ele, que realmente não estava ouvindo. Irmã Laura suspirou: "isso também, mas o mais importante é: não se meta onde não foi chamado, certo? O Sr e Sra Foster querem crianças educadas, faça o que lhe for pedido e não questione as regras." "Certo, certo!" disse Micael. Ele estava acostumado a tentar ignorar coisas ruins e obedecer os adultos cegamente, só para evitar confusões. Irmã Laura o ajudou a pegar as roupas que haviam caído no chão e perguntou: "tem certeza que não esta esquecendo de pegar nada? Não fique distraído assim em um dia tão importante!" Micael olhou ao redor do pequeno quarto compartilhado. Ele não tinha muitos pertences, mas finalmente colocou suas botas e capa de chuva, pegou alguns livros, já que queria se esforçar nos estudos, e fechou sua mala. "Irmã Laura, posso fazer uma pergunta?" disse Micael antes de atravessar a porta do quarto. "Claro, mas olhe a hora, menino!" respondeu a Irmã apressada, olhando pela janela para o ônibus que chegava na estrada. "De onde vem esse casal? O nome não parece brasileiro..." perguntou a criança, nervosa ao pensar em talvez precisar aprender outra língua.

