A nova vida de uma alma sem lembranças
56 Capítulo 56 - O resgate.
Notas iniciais
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Atenção!
Antes do capítulo 56 existe uma capítulo extra que pode ser conferido clicando aqui.
Nessa postagem contem conteúdo sensível e é contraindicado para menores de 16 anos. Por esse motivo ele não é obrigatório para o entendimento da história e pode ser pulado.
Leia por sua conta em risco.
Atenção!
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~ Ponto de vista de Targo ~
Eu finalmente acordei.
Estou em uma cama agora, dentro de uma tenda, no acampamento Imperial.
Nós estávamos lutando contra Renegados quando fomos surpreendidos em número e acabamos derrotados.
Umbaku me contou que me protegeu enquanto eu estava desmaiado e eu acabei sobrevivendo.
Nós derrotamos quase todos eles, mas o último sobreviveu e escapou.
Quando ele escapou, apenas Umbaku estava acordado, mas tão machucado que ele não podia nem andar.
A única coisa que ele podia fazer era proteger o meu corpo que estava próximo a ele.
O Orc sobrevivente também estava muito ferido e não poderia lutar contra Umbaku, então ele pegou alguns corpos dos meus companheiros no chão e os levou embora.
Algum tempo depois do Orc desaparecer de sua vista, uma unidade de Elfos da planície apareceu e nos resgatou.
Todos os que foram resgatados estavam vivos.
Alguns perderam um braço ou uma perna, mas não corriam mais risco de vida.
Apenas 5 de nossos companheiros estavam desaparecidos.
Entre eles o meu filho Dinus.
Muito provavelmente meu filho está morto.
Os Orcs Renegados pegam os pertences das pessoas que eles matam e comem sua carne.
O mais lógico que eu podia esperar é que Dinus havia sido comido.
Mas eu não queria acreditar nisso.
Eu não poderia aceitar que um garoto tão talentoso como ele foi morto.
Ele tinha um futuro tão promissor.
Isso é tudo minha culpa.
Eu não devia ter deixado ele vir.
Ele devia estar em casa, com sua mãe.
Eu devia ter sido levado no lugar dele.
Como eu vou encarar minha esposa?
Como eu vou dizer a ela que nosso querido filho morreu?
Além disso, ela está grávida! Uma notícia dessas poderia fazer ela perder a criança.
Eu não sei o que fazer.
Depois que eu acordei, a única coisa que eu fiz até agora foi chorar.
Mas eu não vou mais chorar.
Eu vou recuperar minhas forças e com ajuda do Império eu vou resgatar o meu filho.
Pelo menos o corpo dele...
Dar um enterro digno para ele.
Depois disso eu penso o que farei.
Umbaku disse que irá comigo.
Ele vai lutar ao meu lado mesmo que ele morra lutando.
Eu deveria ter pedido para ele voltar para Khuma e proteger minha família, mas eu não consigo pensar direito e apenas aceitei a ajuda dele.
Dinus fez amizade com o Cavaleiro Real Faror Sangue-de-Prata, talvez eu consiga convencê-lo a me ajudar também.
Assim que possível eu vou invadir novamente esse covil e vou atrás do meu filho.
~~ Fim do ponto de vista de Targo ~~
?
Aos poucos a minha consciência foi voltando.
Minha memória está confusa.
A última coisa que eu me lembro é de levar um soco de um grande Orc Renegado enquanto eu, meu pai, meu avô, Umbaku e nossos companheiros caçadores lutávamos contra os Renegados.
Depois do soco eu desmaiei.
Agora eu acordei em algum lugar escuro e úmido.
Eu tentei me levantar apenas para descobrir que meu braço esquerdo estava quebrado.
Mas eu não sei se eu sentia dor ou não.
Eu estava sentindo tudo muito estranho.
Náusea e tontura tomaram conta de mim.
Eu sabia que meu corpo todo estava doendo, mas não conseguia sentir essa dor de forma intensa como eu deveria sentir.
Eu olhei para a minha perna e ela estava amarrada com uma corda.
Meu braço direito doía, mas ele não estava quebrado e eu podia movê-lo.
Descobri que a umidade que eu estava sentido é meu sangue que estava jogado no chão.
Eu estou com poucas forças para me mexer e sinto muita dor de cabeça.
Logo eu escutei a movimentação por perto.
Havia um grande Orc Renegado chegando perto de mim.
Ele estava desarmado e não parecia perceber que eu estava acordado, ou apenas não se importava.
Sem pensar duas vezes eu usei meu braço direito e lancei forte magia de lâmina de vento, cortando-o ao meio.
Eu me desvencilhei das cordas e me levantei.
Meu braço esquerdo ainda não se movia e ainda doía demais, mas minhas pernas estavam boas, e mesmo com pouca força eu pude sair andando, mesmo que fosse quase que me arrastando.
Eu sei magia de detecção, sabendo que aquilo me faria mal.
Então eu encontrei uma rota para sair sem me encontrar com muitos Orcs.
Percebi que eu estava quase sem roupas e elas estavam bem rasgadas.
Eu procurei minha espada em minha volta e encontrei ela no corpo do Renegado que eu acabei de cortar.
Então eu peguei-a e comecei a andar devagar pelo caminho que eu defini.
Eu achei alguns Renegados no caminho, mas eles não tinham medo de mim e provavelmente me subestimavam, então eu surpreendi e cortei todos os que eu encontrei antes que eles pudessem reagir.
Depois de andar bastante, eu comecei a sentir magia de gente normal por perto.
Eu não estava me sentindo muito bem e não pude identificar quem eram, mas eu senti uma energia mágica que eu sabia que conhecia no meio, então eu fui na direção deles.
Quando eu cheguei perto e pude vê-los, eles estavam lutando contra alguns Renegados.
Mas eles não precisavam de ajuda, pois eles já estavam derrotando-os.
Foi quando eu vi o semblante de Umbaku e relaxei um pouco.
Então, quando o último Renegado caiu Umbaku disse.
— Esse cheiro... Eu sinto o cheiro do Dinus!
— Por onde? — Eu ouvi a voz do meu pai.
— Por aqui.
Então eles vieram correndo em minha direção.
Eu ainda estava de pé, mas escorado na parede da caverna.
Eu não conseguia gritar e nem continuar andando.
Minhas forças haviam desaparecidos.
Mas eu ainda estava de pé.
Foi quando eu vi meu pai segurando uma espada olhando para mim.
Ele me encarou por um tempo, com uma cara de espantado.
Umbaku estava logo atrás dele e havia alguns soldados imperiais com eles.
Como ele não falava nada e não demonstrava outra reação, eu apenas sorri para ele.
Então sua espada caiu no chão e ele correu para me pegar.
— Dinus! Você está vivo! — Ele começou a chorar comigo em seu colo. — Eu... Eu achei que você tinha morrido...
— Pai...
— Targo. Tome cuidado. Ele parece estar muito machucado. — Umbaku disse para meu pai bem baixinho em seu ouvido.
— Sim. Que bom que você está vivo. Eu... — Meu pai ainda chorava.
— Capitão, precisamos continuar procurando pelos outros desaparecidos.
— Sim... — Meu pai tentou engolir o choro.
— Outros desaparecidos? — Eu perguntei?
— Sim. Outros 4 Elfos Negros estão desaparecidos. — Respondeu meu pai.
— Você os viu? — Um dos soldados perguntou.
— Eu... Não... — Eu respondi.
— Onde você estava? — Outro soldado perguntou.
— Eu estava bem no fundo. Eu não consigo andar, mas se me levarem no colo eu posso mostrar o caminho.
Então eu os guiei pelo caminho que eu fiz.
Era relativamente fácil, pois tinha um rastro de corpos de Renegados no caminho.
Toda vez que eles passavam por um corpo, os soldados imperiais olhavam espantados para o corpo e para Targo comigo no colo.
— Ele fez tudo isso sozinho? — Um dos soldados comentou baixinho.
Quando chegamos no beco onde eu estava, eles começaram a examinar o lugar.
Agora que havia tochas para iluminar o lugar eu podia ver melhor.
Existiam ossos e pedaços de membros no chão.
Pendurado de ponta cabeça no teto havia dois corpos.
Em um canto no chão havia outros dois.
— Capitão. São eles. Eles... — O soldado respirou antes de responder. — Eles estão mortos.
— Certo. Vamos levar seus corpos para devolver à suas famílias.
— Entendido.
Então, sem mais nenhum confronto com Renegados, nós deixamos a caverna.
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