Momentos
6 ... de Reviver a dor
Notas iniciais

Corria pela floresta escura, deserta. Os sentimentos eram uma mistura embolada impossível de se discernir. Havia medo, desespero, preocupação, rancor, arrependimento...
Desconhecia o lugar. Não sabia se fugia para o lado certo ou se seguia ainda mais a fundo no território rival. Enfrentava as consequências de um jutsu.
O inimigo estava atrás. Em seus calcanhares.
Também um desconhecido, figura encoberta escondida nas sombras e agindo de um modo traiçoeiro. O golpe veio pelas costas.
Indefensável.
Injusto.
Injusto?
Qual o senso de justiça em uma guerra? É algo que sequer existe?
Corria tão veloz que mal desviava dos galhos que fustigavam sua face. Sabia que o menor atraso traria o inimigo ao seu alcance. Com as feridas e a perda de sangue não podia defender-se.
Se conseguisse escapar, fugir pra longe...
Esse pensamento era alimentado por um outro mais forte e urgente: queria voltar pra casa! Queria reencontrar a família! Principalmente a mãe.
Lembrar-se de Tsume trouxe um breve suspiro, que perdeu-se entre as arfadas desesperadas dos pulmões exaustos. Descobria a verdade dos clichês: nos últimos instantes de vida, o pedido de socorro vinha sempre em nome da mãe.
Saltou sobre um galho mais alto. Ele estava oco por dentro, não aguentou o peso de seu corpo e se partiu. Tentou usar a agilidade ninja para continuar fugindo, mas a breve queda foi o atraso que o inimigo esperava. Duas kunai cortaram o ar encontrando um alvo fácil.
A queda foi dolorosa.
Caiu ao chão de uma altura considerável. Não era especialista em medicina, mas sentiu o osso da perna se partindo. A mesma perna atingida pelas duas kunais. Sangue empapou as vestes ninja.
Uma risada sinistra soou baixa, rouca. Vinha do alto, do meio das copas, lugar perfeito para o inimigo se esconder.
Intuiu com tristeza que não morreria fácil.
Haveria tortura antes.
Muita tortura.
O jutsu proibido atingiu-lhe o corpo. Vomitou sangue, engasgando com a dor e a sensação do corpo sendo comprimido. Apertado. Esmagado.
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Kiba abriu os olhos. Demorou meio segundo para entender que a sensação do corpo sendo apertado era apenas os braços familiares de Shino envolvendo-o, enquanto palavras de consolo soavam baixinho.
Só um sonho ruim. Aquele era um pesadelo recorrente que as vezes tinha. Em alguns momentos, acordava sozinho na cama, tendo que lidar com o medo e a dor imaginários, mas que o paralisavam como se fossem reais.
Em outros momentos, quando dividia a cama com o namorado, era acordado do sono conturbado pelo gesto cuidadoso de Shino.
— Sonhei com Hana de novo — ele murmurou fechando os olhos com força, expulsando as lágrimas que teimavam em desfocar a visão — Desculpa. Desculpa, Shino.
O rapaz não dizia nada, apenas continuava o consolo da forma que podia.
Tinha alertado Kiba: pediu que o garoto não lesse o relatório que Tsume recebeu do Conselho e escondeu. Mas Kiba era teimoso e curioso. Não seguiu a orientação de Shino.
Um dia infiltrou-se sorrateiro no quarto da mãe e leu.
Gesto do qual se arrependeria pelo resto da vida.
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