Assim Estava Escrito

11 O primeiro beijo


Notas iniciais
Capítulo dedicado a todo o fandom Clarina. Boa leitura a tod@s! :D

Ao ouvir a voz de Clara, a fotógrafa se virou e correu ao encontro da morena, que fez o mesmo. Abraçaram-se com força, como se a firmeza de seus braços pudesse garantir que elas nunca mais se separariam.

Marina envolvia a cintura da assistente, enquanto Clara a abraçava pouco mais acima. Ficaram assim por um tempo. O estúdio estava silencioso, e podia-se ouvir o choro baixinho das duas.

Afastaram-se um pouco, apenas a ponto de se olharem, mas sem desenlaçar os braços. Em seus rostos estavam as marcas das lágrimas que haviam escorrido ainda há pouco. Mas eram lágrimas de felicidade, que logo deram lugar ao sorriso aberto pelas duas no encontro de seus olhos.

Marina fitou os lábios de Clara, que também mantinha seu olhar na boca da fotógrafa. A assistente mordeu seus lábios com aquela visão, que a hipnotizava mais uma vez. A morena levou suas mãos até os cabelos de Marina, e ajeitou carinhosamente atrás de sua orelha algumas mechas que estavam caídas em seu rosto. Ambas deram um novo sorriso.

Clara voltou a encarar os lábios da outra, e levou seu dedo indicador até eles, percorrendo de forma suave seus contornos delicados. A assistente trouxe o rosto da fotógrafa para mais perto de si. As duas fecharam os olhos. A morena então se aproximou, até que seus lábios encontraram os de Marina, de forma doce e natural. O toque delicado permitiu que uma sentisse a maciez da boca da outra. O contato dos lábios ficou mais intenso, e em seguida suas línguas pediram passagem. Exploravam com delicadeza aquele território nunca antes visitado, mas que mesmo assim lhes parecia tão familiar. Suas bocas finalmente encontraram o que vinham procurando desde o dia em que a morena e a fotógrafa se viram pela primeira vez na exposição.

Clara deliciava-se com a suavidade dos lábios de Marina, que por sua vez regalava-se com o contato daquela boca macia que tantas vezes desejou. Em meio ao beijo, a fotógrafa apertou seus braços na cintura da outra, aumentando ainda mais a força do contato de seus quadris. A morena também voltou a envolve-la com os braços, pressionando seus seios aos dela. A aproximação de seus corpos tornou o beijo mais intenso. Colocaram nele toda a vontade que tinham acumulado de tantas outras vezes que estiveram perto de se beijar.

Agora suas bocas já pareciam se conhecer há muito tempo, exploravam-se com naturalidade. O toque dos lábios se intensificava à medida que as mãos de uma percorria e apertava as costas da outra, pressionado seus corpos num ritmo que só fazia aumentar o desejo delas. O calor irradiado pelo beijo tomou conta do corpo das duas, que logo sentiram o latejar de seus sexos.

Alguns minutos depois, soltaram seus lábios, mas encostaram suas testas. Estavam ofegantes. Só interromperam o beijo ao sentir que o ar começava a faltar em seus pulmões. Abriram os olhos, encararam-se, sorriram.

O primeiro beijo, que esteve por perto tantas outras vezes, tinha finalmente acontecido. Fora ao mesmo tempo suave e intenso, delicado e quente. Sonharam tanto com aquele carinho, e ele chegou da forma mais natural e prazerosa possível. Estavam encantadas. Tinha sido perfeito.

Mantinham o abraço, mas suas cabeças se afastaram um pouco. Olharam-se.

– Desculpa a demora. — Clara sussurrou, quebrando o silêncio.

– Não tem que se desculpar, Clara. A espera valeu cada minuto. — A fotógrafa sorriu. — O importante é que você está aqui comigo.

– E não há outro lugar no mundo onde eu queira estar, Marina. — A morena completou. — Eu sei agora que a minha felicidade está aqui, e eu vim pra ficar de vez na sua vida.

Os olhos de Marina marejaram mais uma vez. Ela sorriu. Aquele era o momento mais feliz que tinha vivido até então. Voltou a encarar os lábios de Clara. Foi se aproximando novamente da boca da morena, e após fecharem os olhos, retomaram o beijo. Este começou suave, mas em pouco tempo já havia atingido a intensidade do anterior.

Sem desfazerem o abraço nem o beijo, Marina foi puxando a morena até chegarem próximo de algumas almofadas que estavam espalhadas no tapete do estúdio. Ao sentir que havia alcançado o local pretendido, a fotógrafa interrompeu o beijo e se agachou, sendo seguida pela morena. Deitaram-se de lado sobre as almofadas, ficando uma de frente para a outra. Fitaram-se nos olhos e em seguida uma encarava o lábio da outra. Suas bocas se uniram mais uma vez.

Marina, que estava deitada sobre seu ombro esquerdo, passou seu braço direito pela cintura da morena, puxando-a para junto de si. Clara por sua vez envolveu seu braço esquerdo na fotógrafa. Seus corpos se encontraram novamente, e o calor logo voltava a tomar conta. O beijo ganhava intensidade assim como o roçar de uma pele na outra. O desejo pulsava nas duas.

A fotógrafa inclinou-se sobre Clara, envolvendo a perna direita da outra entre as suas. Seus lábios deixaram os dela e percorreram o queixo da morena, descendo delicadamente para seu pescoço. Marina se inebriava com o perfume da assistente, enquanto pressionava seu sexo na coxa dela. A fotógrafa não conseguia conter a urgência de meses de espera. Percorria o pescoço da morena com a língua, enquanto alternava pequenas mordidas e beijos, que faziam Clara soltar gemidos baixos. Marina voltou até o rosto de Clara e retomaram o beijo, agora mais quente do que nunca. Por sobre a roupa, a mão direita da fotógrafa subiu da cintura até o seio de Clara, apertando-o com desejo. Assim que sentiu o toque, a morena interrompeu o beijo, e ainda de olhos fechados, suspirou profundamente.

Marina percebeu então que talvez estivesse indo rápido demais (pelo menos para o ritmo de Clara), e recuou a mão delicadamente, voltando-a para a cintura da outra.

A assistente abriu os olhos e encarou Marina. Com sua mão esquerda segurou a mão da outra e a levou de volta a seu seio. Com aquele gesto, Clara não só confirmava seu desejo de que a fotógrafa continuasse a tocá-la, como também mostrava-se à vontade com o ritmo colocado por ela. Afinal, ela queria tanto quanto Marina. A fotógrafa retomou o toque. Estavam totalmente imersas no desejo e prazer que sentiam quando uma voz conhecida ressoou no estúdio:

– Mas olha só quem finalmente saiu do armário minha gente!!! — Vanessa ironizou tão logo percebeu o que se passava por ali.

Marina e Clara cessaram o beijo repentinamente, mas permaneceram deitadas. A fotógrafa abaixou a cabeça e respirou fundo, ainda sem acreditar que a ruiva estava as interrompendo mais uma vez, e logo naquele momento tão aguardado.

– Eu vou até aplaudir de pé aqui! — Vanessa bateu as mãos, mantendo a ironia. Ainda deitadas sobre as almofadas, Clara e Marina olharam sério para a ruiva. — Uma saída dessas merece aplausos mesmo, porque afinal, isso não parecia nem um armário, parecia mais um calabouço, não é não Clarinha?! — Finalizou, provocando a assistente.

– É um prazer revê-la, Vanessinha! — A morena também ironizou diante do comentário da ruiva.

– Vanessa, o que é que você tá fazendo aqui?! Achei que a essa hora você já estaria na metade do caminho! — Marina questionou um pouco nervosa.

– Calma Marina. A gente já estava quase saindo da cidade quando eu percebi que tinha esquecido o celular e quis voltar pra buscar. Foi só isso.

– Então se é só isso, o celular tá ali em cima. — Marina apontou para a mesa onde o objeto se encontrava.

– Tá bom, tá bom. — A ruiva foi ao encontro de seu aparelho.

– Van, porque você tá demorando tanto?! — Flavinha entrou no estúdio procurando a quase namorada quando viu Clara e Marina e percebeu o que se passava. Abriu um sorriso. — Oi Clara!! — Cumprimentou a morena com alegria, tendo o aceno retribuído.

– Não é nada não Flavinha. Só estava dando as boas vindas pra Clara. Já achei o celular aqui. Vamos embora.

Flavinha se despediu das duas e deixou o estúdio. Vanessa a seguiu, mas não sem antes destilar mais uma de suas frases:

– Olha Clarinha, espero que você esteja preparada e se saia muito bem, porque o nível da Marina é bem alto, viu?!

– VANESSA!! — Gritou a fotógrafa, fazendo com que a ruiva abaixasse sua cabeça, e seguisse para fora do estúdio, calada.

Clara e Marina tinham permanecido deitadas. Se olharam. A morena abaixou a cabeça. A fotógrafa levou a mão ao queixo da assistente e o levantou devagar.

– Não liga para o que ela falou Clara, não tem nada a ver. — Quis tranquilizá-la.

– Eu não ligo Marina. Faz tempo que eu não ligo para o que sai da boca da Vanessa. — A morena tentou se fazer de forte, mas a verdade é que naquele momento tinham voltado todos os receios que ela sentia. Sabia da experiência da fotógrafa e temia não corresponder à altura.

– Onde é que a gente tava então?! — Marina falou sorrindo, arrancando um sorriso da morena também.

Clara passou os dedos no cabelo da fotógrafa levando-os para trás de sua orelha. Aproximou seu rosto da outra e disse num sussurro rouco: — Aqui!

Seus lábios se encontraram novamente, e em poucos momentos o calor de alguns instantes atrás voltou. Dessa vez, a morena se inclinou parcialmente sobre o corpo de Marina, deixando a perna esquerda da outra entre as suas. Antes da interrupção de Vanessa, quando a fotógrafa estava inclinada sobre ela, Clara notou que Marina apertava o sexo contra sua perna. Percebendo que esse gesto a agradava, a morena tentou retribuir. Agora que posicionara-se por cima, dobrou sua perna esquerda levando o joelho até o sexo da fotógrafa, que soltou um leve gemido. Ver Marina ficando cada vez mais excitada deixava Clara ainda mais à vontade e estimulada também. Seus lábios soltaram os da fotógrafa e percorreram a lateral de seu rosto até chegar ao pescoço da outra. A morena lhe dava beijos leves e sentia aquele perfume que lhe era tão familiar e igualmente inebriante. Os gemidos de Marina se intensificaram. A morena percorreu com os lábios o espaço entre o pescoço e a orelha esquerda da outra. Passou a língua sobre seu lóbulo e a seguir o chupou delicadamente. Neste momento, Marina deu um gemido maior e apertou a perna da morena contra seu sexo. Clara percebeu a descoberta da sensibilidade que a fotógrafa tinha no lóbulo da orelha. Afastou seu rosto apenas a ponto de conseguirem se olhar.

– Será que eu descobri um 'ponto fraco' aqui?! — Perguntou a morena sorrindo.

– Muito fraco! — Respondeu a fotógrafa com um sussurro.

– Bom saber! — Clara sorriu maliciosamente.

A assistente retomou o mesmo carinho e voltou a chupar o lóbulo da outra, que gemia cada vez mais alto. Clara também a estimulava com o joelho em seu sexo, e apertava ainda mais seu corpo contra o de Marina.

– Clara, você está me deixando louca. — A fotógrafa desabafou.

– É essa a intenção! — A morena sussurrou em seu ouvido, sorrindo a seguir.

Voltaram a se beijar e a fotógrafa levou as mãos por baixo da blusa de Clara, acariciando suas costas.

Seus sexos latejavam e não conseguiam mais controlar. Ainda abraçadas, Marina começou a levantar a blusa da outra.

O toque de um telefone ressoou baixo. Ignoraram-no e continuaram as carícias. O som ficou mais alto e ao reconhecer o ruído, a morena parou o beijo.

– Ai meu Deus! — Clara falou preocupada, ainda posicionada sobre o corpo da outra.

– O que foi?! — Perguntou Marina, um pouco assustada.

– Perdi a hora. Eu fiquei de buscar o Ivan na escola, deve ser ele tentando falar comigo. — A morena levantou-se.

– Sério Clarinha?! Achei que você ia ficar aqui comigo mais tempo... — Falou Marina com um beicinho. A morena lhe ofereceu as mãos e a ajudou a se levantar também.

Clara buscou o celular na bolsa e confirmou a chamada do filho. Olhou para a fotógrafa.

– Desculpa Marina. Eu queria ficar, mas é que eu tinha combinado de pegar o Ivan na escola, levá-lo pra casa e ajudar a arrumar as coisas do bichinho. Cadu vai buscá-lo hoje lá no apartamento por volta das 19h, eles vão passar o final de semana juntos. Mas ô, eu volto mais tarde, prometo! Pode ser?!

– Não Clara. — A morena olhou surpresa ao ouvir a resposta de Marina. Pensou que a fotógrafa pudesse ter se cansado de esperar. — Eu vou te buscar. — Clara suspirou tranquila. — Quero te levar pra sair, num encontro mesmo sabe?! Vou te levar pra jantar e daí...

– Daí?! — A morena ficou curiosa.

– Daí a noite é uma criança! — A fotógrafa sorriu. — Te pego às 20h, pode ser?!

– Pode ser! Combinado! — Clara se aproximou e fez um carinho no rosto de Marina. — Estarei esperando ansiosamente! — Ambas sorriram. A fotógrafa se aproximou e iniciaram mais um beijo.

– Sua boca é maravilhosa, Marina. — Sussurrou a morena no meio do beijo.

– Eu ainda nem te mostrei tudo que ela pode fazer! — A fotógrafa sorriu maliciosamente, sendo correspondida pela morena. Retomaram o contato dos lábios.

Quando Clara percebeu que voltariam ao clima que estavam, ela precisou interromper o beijo.

– Eu tenho que ir mesmo, me desculpa. — Clara se justificou. — Se eu não sair agora, não vou mais.

– Eu sei Clarinha. — Marina deu um leve sorriso. — Até mais tarde então!

– Até! — Clara a olhou carinhosamente e sorriu. Caminhou para a saída do estúdio.

Marina ficou olhando a assistente sair, e assim que a perdeu de vista, deu um sorriso bobo e começou a olhar em volta, repassando em sua mente tudo que tinha acontecido até há pouco. Estava nas nuvens, e mal podia acreditar que tudo que tanto sonhou estava se tornando realidade. De repente sentiu uma mão a envolvendo e quando se virou era Clara novamente. A morena se aproximou e lhe deu um beijo de tirar o fôlego, deixando Marina sem palavras.

– Esse é só pra você guardar o meu gosto até de noite! Te amo! — Clara sorriu.

– Te amo também linda! — Foi tudo que Marina conseguiu dizer. O sorriso aberto estampava a felicidade alegre que ela estava sentindo.

A morena seguiu novamente em direção à porta do estúdio e saiu, agora em definitivo.

A fotógrafa ficou algum tempo ali parada, ainda tentando processar tudo que tinha acontecido. Quando voltou a si, pegou o celular e deu dois telefonemas: um para fazer a reserva no restaurante e outro para organizar uma surpresa que faria para Clara logo após o jantar.

Assim que saiu do estúdio, antes de chegar ao carro, Clara também deu um telefonema:

– Alô, Gi?!

– Oi Clara, e aí?! Conseguiu encontrar a Marina?!

– Encontrei sim Gi!! — A morena abriu um sorriso. — Depois vou te contar tudo! Agora, eu queria te pedir uma ajuda com um negócio, se não for muito abuso, Gi.

– Ah, pára de cerimônia Clara, pode pedir o que quiser.

E as duas conversaram e acertaram os detalhes de algo que a morena também estava preparando para seu encontro com Marina.

Clara entrou no carro e partiu para a escola do filho. Durante o percurso, não conseguiu parar de sorrir. Estava fascinada com tudo que tinham vivido há pouco, e na expectativa do que ainda estava por vir. Sentia borboletas no estômago.

Embora atrasada, ainda parou no caminho para fazer algumas compras. Mas foi breve. Chegando ao colégio, viu que Ivan batia bola com alguns colegas de sua sala, e sentiu-se menos culpada, pois apesar da espera do filho, ele havia encontrado uma distração. Mas mesmo assim, pediu desculpas a seu bichinho.

Já em casa, a morena foi preparar um lanche e a mochila do filho enquanto ele tomava banho. Era pouco depois das 19h quando Cadu foi buscá-lo.

Depois disso, Clara apressou-se, pois tinha menos de uma hora para se arrumar. Entrou saltitante no quarto. Sentia-se como uma adolescente. Parou em frente ao espelho, fechou os olhos e levou suas mãos até o pescoço. Mordeu os lábios. Lembrou-se das carícias que tinha recebido da fotógrafa naquela tarde, de tudo que havia sentido e pensou no que ainda estava por vir. O sorriso tomou seus lábios novamente. Abriu os olhos e correu para o banho.

Em Santa Teresa, Marina também havia chegado a seu quarto pulando de felicidade. As reações de ambas lembravam o dia do ensaio de Clara, quando chegaram em suas casas radiantes pelo momento que tinham vivido. E aquele sentimento de felicidade pura se repetia agora. A fotógrafa rodopiava e ria como uma menina. Pouco depois, entrou para o banho e começou a se aprontar. Queria estar linda para Clara. Colocou um vestido que ia até pouco acima do joelho. Ele não era muito justo, mas marcava os belos contornos de seu corpo. Parte de suas costas ficavam à mostra. Deixou os cabelos soltos, colocou uma leve maquiagem e finalizou com o tradicional batom vermelho que ressaltava seus doces lábios.

Desde que as finanças tinham apertado no estúdio, Marina teve que dispensar o motorista regular, mas ainda o convidava para lhe prestar serviços ocasionalmente, como era o caso daquela noite tão especial. Partiram então para o Leblon.

Clara terminava de se arrumar. Também queria estar perfeita para Marina. Vestiu uma calça preta, de um tecido leve, que contornava com suavidade seu quadril. Usava um sutiã preto e uma blusa no mesmo tom, semi-transparente, que deixava à mostra uma parte de seu bem definido corpo. Também tinha os cabelos soltos, e colocou um lindo par de brincos de argola prateados. Maquiou-se e por último passou o perfume que a fotógrafa tanto gostava. Olhou para o relógio e eram 19:59. Foi corrido, mas tinha conseguido se aprontar a tempo.

A morena tinha deixado instruções com o porteiro para que Marina subisse direto quando chegasse. E às 20:00 em ponto sua campainha tocou. O coração de Clara acelerou. Correu para a sala e abriu a porta.

Ao se olharem, ficaram com as bocas entreabertas por alguns momentos, uma apreciando a beleza da outra. O pensamento das duas era o mesmo: "Meu Deus, como ela é linda!"

– Eeeehhh... — Marina ainda tinha dificuldade para pensar em algo para falar. — Trouxe pra você! — A fotógrafa sorriu e entregou para Clara um buquê com rosas vermelhas.

– Que lindas! — Clara pegou o buque e sentiu o perfume das flores. — Obrigada! Vem aqui, vou colocá-las em um vaso. — Clara foi em direção à cozinha e logo pegou um recipiente que encheu de água para colocar as rosas.

Marina entrou no apartamento e encostou a porta atrás de si. Olhou em volta e percebeu que algumas coisas estavam diferentes em relação à última vez que estivera ali. A morena se aproximou.

– Você está maravilhosa! — Declarou a assistente. — Está não, você é maravilhosa! — Afirmou e sorriu.

– E você é um escândalo de tão linda, Clara! — Marina se aproximou um pouco mais e acariciou o rosto da morena. — Linda!

Logo seus lábios se reencontraram. O beijo começou leve e suave, mas logo já tinha se tornado quente e intenso. Estavam em pé, e com seu corpo Marina pressionou Clara contra as costas do sofá. Ela segurava com vontade a cintura da morena, que sentiu novamente seu sexo latejar. Mas dessa vez, foi a fotógrafa quem interrompeu o beijo. Encostou sua testa na de Clara.

– Se a gente continuar, a gente não sai daqui mais. — Marina desabafou e sorriu. — E eu quero te levar em um lugar hoje...

– Que lugar? — Perguntou Clara curiosa.

– Ah, é surpresa Clarinha! Pra depois do jantar! — A fotógrafa sorriu. — Vamos então?!

– Vamos! Ah, espera só um pouquinho! — Clara levou seus dedos até a boca de Marina, acertando o batom que tinha saído um pouco no canto de seus lábios após o beijo. — Agora sim! — Clara sorriu.

– Obrigada! — Marina agradeceu o carinho.

Deixaram o apartamento. Chegando ao restaurante, o garçom as levou até a mesa. Marina, que já conhecia o local, havia escolhido um lugar um pouco mais reservado, em que poderiam ficar à vontade.

Era uma mesa redonda rodeada por uma poltrona estofada que dava costas para a parede. Sentaram-se bem próximas, uma de lado para a outra. O ambiente era agradável, à meia-luz, e velas sobre a mesa deixavam o clima ainda mais romântico. Marina logo pediu uma garrafa de champanhe, e quando esta chegou, fizeram um brinde:

– A nós e a esse dia tão especial em nossas vidas! — Exclamou a fotógrafa.

– E olha que a noite só tá começando! — Completou sorrindo a morena.

Ambas morderam os lábios e brindaram.

Tentavam controlar a ansiedade por tudo que ainda as aguardava naquela noite. Conversaram sobre assuntos diversos. Clara falou de como tinha se dedicado ao filho nas últimas semanas, para que Ivan aceitasse melhor a separação. Marina contou sobre o andamento dos trabalhos no estúdio e no Galpão. Mantinham seus dedos entrelaçados sobre a mesa. Em alguns momentos, Marina levava a mão de Clara até seus lábios e a beijava carinhosamente. Em outros, Clara acariciava o rosto da fotógrafa e mexia em seus cabelos.

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Já tinham finalizado o jantar e fechado a conta. Tomavam a última taça de champanhe, quando Clara sentiu a mão direita de Marina subindo por sua coxa, sobre a calça, até encostar em seu centro. Seu coração acelerou novamente, sentiu o sexo pulsar e deu um suspiro profundo.

– Sua louca, a gente tá no restaurante. — Clara disse rindo.

– Eu estou louca por você, Clarinha! E não tem ninguém vendo, a gente tá atrás da mesa. — Marina encostou novamente sua mão no sexo da outra.

– Não faz assim que eu não resisto. — A assistente sussurrou e fechou os olhos.

A morena se aproximou do ouvido esquerdo de Marina, como se fosse lhe contar um segredo. Mas não falou nada. Discretamente envolveu o lóbulo da fotógrafa com seus lábios, e começou a chupá-lo de forma suave.

Marina segurou forte a borda da mesa com mão que estava livre.

– Assim você me enlouquece de vez, Clara!

– Você que começou... — A morena se justificou sussurrando no ouvido da outra.

– Tá bom, tá bom, eu paro. — A fotógrafa tirou a mão da perna de Clara e riu. — Senão eu não consigo te levar até a surpresa... — Finalizou, aguçando ainda mais a curiosidade da assistente.

– Vamos então?! Tô ansiosa demais com essa surpresa já!

– Vamos sim!

Entraram no carro e o motorista partiu para o local onde Marina havia combinado que ele as levasse.

Quando pararam em um semáforo, Marina tirou da bolsa um pedaço de tecido preto.

– Clarinha, vou precisar colocar essa venda em você. — A fotógrafa riu.

– Ai Marina, o que é que você tá aprontando?! — Protestou a assistente.

– É coisa boa, te prometo. E tá chegando! Confia em mim! — Marina a tranquilizou.

– Tá bom, eu confio! — Clara deixou que seus olhos fossem vendados.

A fotógrafa segurou as mãos da morena, e alguns quilômetros depois o carro parou. Era pouco depois das 23h, e a região estava silenciosa.

Marina desceu do carro e abriu a porta do lado em que Clara estava, ajudando-a a descer. A morena sentiu uma brisa e percebeu que estavam em um lugar ao ar livre. A fotógrafa a guiou, e logo entraram em um outro ambiente, que pelo eco de seus passos, a assistente percebeu ser fechado e amplo.

– Chegamos! — A fotógrafa chegou por trás de Clara e falou sussurrando em seu ouvido. Marina desamarrou com carinho a venda, e a morena abriu os olhos devagar, acostumando-se com a luminosidade do local.

Clara olhava com encantamento para tudo ao redor. Estava sem palavras. Manteve a boca entreaberta enquanto apreciava a vista. Demorou um pouco para que ela conseguisse articular sua fala.

– A galeria onde a gente se conheceu! — A morena exclamou. Seus olhos estavam marejados.

– Gostou?!

– Se eu gostei?! Eu amei!! — A morena sorriu encantada. — Mas como?! Como você conseguiu me trazer aqui, já era hora da galeria estar fechada, não?! Parece que só tem a gente aqui...

– Ué, eu tenho meus contatos, né?! Eu conheço o dono da galeria. Quando você saiu lá de casa eu liguei pra ele. Perguntei se poderia vir aqui depois que o espaço já estivesse fechado, porque eu precisava trazer uma pessoa muito especial! Ele concordou na hora, disse que ia deixar a autorização com o porteiro. E aqui estamos nós!

– Que surpresa boa, Marina! Esse lugar é muito especial pra mim!

– Pra nós Clara! — A fotógrafa se aproximou e tocou o rosto da morena. — Por isso eu quis te trazer aqui. Porque este lugar mudou as nossas vidas. Aqui eu conheci a mulher mais fantástica deste mundo! E estar aqui hoje é muito especial! Porque é como se a gente começasse um novo ciclo em nossas vidas, e queria que esse lugar marcasse isso!

Clara sorriu e se aproximou ainda mais. Olhou os lábios de Marina. Fechou os olhos e suas bocas se tocaram. Deram um beijo carinhoso e suave. Quando se afastaram, a fotógrafa fitou a morena e puxou sua mão, levando-a para passear pela galeria.

O espaço recebia uma exposição de telas de diversos pintores. Alguns painéis maiores traziam imagens de belas paisagens. Nos menores, cenas de pessoas no cotidiano. Clara ficou encantada por uma obra que retratava mãos que pareciam ser de uma pessoa já idosa. A pele tinha algumas manchas e outras marcas do tempo.

A tela era de uma artista que Marina conhecia, uma carioca, hoje já senhora, mas que tinha atuado muito, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, quando chegou a realizar exposições internacionais. Chamada Regina Garcia, a pintora hoje expunha mais nos circuitos locais, e também dava aulas de pintura. Apreciaram esta e mais algumas outras obras por um tempo. Após circularem por boa parte da galeria, retornaram ao espaço próximo da entrada. Marina pediu que Clara esperasse um pouco.

A fotógrafa subiu as escadas. Pouco depois, a galeria ficou à meia-luz, em que a maioria das lâmpadas que permaneceram acessas estavam voltadas para a iluminação das obras em exposição. O espaço ficou ainda mais lindo e num clima romântico e intimista.

Marina desceu novamente a escada, percorrendo o mesmo trajeto que havia feito no dia de sua exposição, quando conheceu Clara. Descia devagar, olhando para a morena, que também a encarava. Quando chegou ao pé da escada, a fotógrafa e Clara perceberam que estavam na mesma posição de quando tinham se visto pela primeira vez. Sorriram. Estavam ali, nos mesmos lugares, tantos meses depois. Mas era diferente. Agora parecia ainda mais especial.

Da outra vez, no primeiro instante em que se olharam, por um breve momento sentiram que havia somente as duas ali, embora a galeria estivesse cheia naquele dia. Mas agora sim, era real, estavam sós, e o mundo parecia ser apenas delas.

Marina sorriu e caminhou lentamente até Clara, sem tirar os olhos da morena. Lembrou-se de algumas de suas primeiras palavras para a assistente, e quis brincar com ela:

– "Agora você vai ter que me dizer o seu nome, o que é que você faz, e onde foi que você encontrou tanta beleza". — Disse sorrindo.

Clara sorriu de volta e decidiu entrar na brincadeira:

– Olha moça, eu fico lisonjeada pelo elogio, mas tenho que te dizer que sou uma mulher comprometida, e extremamente apaixonada por minha namoradA. — Clara enfatizou a última palavra.

Marina ficou sem reação. Sua garganta secou, a boca ficou entreaberta. Estava comovida, a fala de Clara a desconcertou. Foi pega de surpresa. Uma surpresa boa. Seus olhos marejaram.

A morena percebeu a falta de reação da fotógrafa, então continuou a falar.

– Bem, eu ainda não a pedi em namoro oficialmente, sabe?! Mas estou na expectativa de que ela diga sim. — Completou, olhando tímida para Marina.

– Ela vai dizer sim! — A resposta da fotógrafa foi imediata. Marina se aproximou e levou as mãos ao rosto da morena. — Pra você eu sempre vou dizer sim, Clara! — A assistente sorriu.

Marina fechou os olhos e levou seus lábios até os da morena. Manifestaram então todo o desejo que tinham segurado boa parte da noite. O beijo ganhou intensidade. Abraçaram-se e as mãos de uma passaram a percorrer as costas da outra com vontade. Seus lábios pareciam já se conhecer há muito tempo. O calor do beijo irradiou para todo o corpo delas, e logo as duas sentiram seu sexo latejar novamente. Não queriam parar mais.

Os lábios só se separaram quando o ar acabou. Encostaram suas testas. As duas estavam muito ofegantes. Marina olhou para Clara.

– Vamos lá pra casa?! — A fotógrafa convidou.

A morena sorriu e respondeu o convite com um aceno positivo da cabeça.

Do lado de fora da galeria, o motorista as esperava. Entraram no carro rumo a Santa Teresa. Deram-se as mãos. Controlaram-se para não se tocarem de outras formas, pois senão, não conseguiriam se segurar. Mas os olhares que trocaram e as mordidas nos lábios evidenciavam todo o desejo pulsante.

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Embora dessa vez a casa da fotógrafa tivesse parecido ainda mais longe, tinham finalmente chegado à mansão.

Entraram na casa beijando-se com urgência. Era como se toda a espera de meses precisasse agora ser compensada, não conseguiam esperar mais. Durante o beijo, Marina deslizava suas mãos pelas costas de Clara, enquanto a morena apertava a cintura da fotógrafa contra a sua. Caminhavam com dificuldade, mas mesmo neste ritmo, chegaram na escada que dava acesso ao segundo piso. Pararam por um instante. Se olharam, sentiam que o momento finalmente havia chegado. Sorriram. Marina segurou a mão de Clara e subiram em direção ao seu quarto.

Ao passarem pela porta, foi a vez da fotógrafa se surpreender.

Notas finais
Pessoal, como eu tive que deixar pra escrever aqui nas notas finais (rsrsrs), queria aproveitar e agradecer à Kikoloe e Nmgon por mais 2 recomendações de "Assim Estava Escrito". Muito muito obrigada mesmo! Mimo, agradeço por todo seu carinho e atenção comigo, especialmente nestes últimos dias. Valeu demais pela força! Pra entrar ainda mais no clima do próximo capítulo, indico esse lindo clipe Clarina que me foi apresentado pela Laís: https://www.youtube.com/watch?v=i8dxWEqOvgw&sns=tw Até breve! Comentem à vontade! Twitter: @marcellasfr :D Capítulo 11 postado em 28 de novembro de 2014.