Era de manhã mas a chuva já batia fracamente contra o vidro de casa,Peixes estava na sala,olhando calmamente para o céu pelo vidro embaçado enquanto ouvia as notícias da manhã pela televisão. Seu pai estava no cômodo ao lado, preparando o café da manhã.
—Parece que hoje as notícias estão normais.- Chega seu pai na sala segurando uma bandeja com um pratinho de panquecas e suco de uva,o café favorito de Peixes.-Por que essa cara filhinho?
—Não é nada pai...-Peixes sentiu uma leve alegria ao ver a preocupação do pai, mas acabou por soltar um sorriso triste- Apenas com um pouco de saudades da mamãe...
Fazia cerca de 1 ano que sua mãe morreu, com um acidente de carro,quando voltava para casa.
—É filho...- Diz o pai enquanto apoia a mão na cabeça do filho ,acariciando levemente,com um sorriso tranquilo -Também sinto saudades dela.
Peixes fica mais tranquilo, decidido em deixar essas memórias tristes para trás e olhar para o presente, logo, solta um suspiro e pega o prato, botando na mesinha de centro da sala e começando a comer as panquecas ,junto ao pai,que estava sentado ao seu lado,assistindo as notícias.
—Parece que hoje a chuva vai ficar mais forte... -comentava Peixes.
Seu pai ia responder ,mas foi interrompido por uma notícia urgente, que encerrou com a previsão do tempo, o que era estranho ,não era normal o noticiário ser encerrado tão de repente.
—Informamos a seguir para todos os cidadãos que estão nos assistindo para não saírem de suas casas, um hospital acaba de informar que seus pacientes estão ficando com sintomas anormais, estão saindo de seus cômodos e atacando os enfermeiros, fazendo surgir os sintomas neles logo em seguida.Eles deixam de ser racionais e tornam-se violentos.Repetimos, não saiam de suas casas!-a repórter é brevemente cortada quando o cameraman solta um grito ,e a imagem de uma criatura assustadora surge na tela.
—Mas o que foi isso pai?! -Peixes estava assustado, e olha para o pai, que estava sem reação também.
—...Espera aqui Peixes.-Diz o seu pai após um instante de silêncio, logo levantando e indo para o andar de cima,estava sério, como se ele soubesse de algo com aquilo- Vou avisar um amigo meu...
Logo,Peixes se viu sozinho no cômodo,com a notícia ainda passando ,agora com outro repórter avisando.
—Fechem as portas e janelas, não deixem ninguém entrar ,isso não é uma simulação.
Peixes estava com medo, mas logo, sentiu que tinha que ajudar também, se levantou e foi fechando as janelas da casa ,começando pela sala.
— E..pronto! -Dizia enquanto fechava a última janela da lavanderia, com isso, todas as janelas do primeiro andar do sobrado estavam fechadas, agora só faltava a porta da frente e a dos fundos, como a porta da frente era a mais próxima, foi para lá.
A casa estava num silêncio estranho, seu pai não saíra do quarto dele já fazia 10 minutos. O único som que se ouvia era lá de fora, uma batida esquisita vinha lá da frente,mas Peixes morava na parte mais longínqua da cidade, os hospitais estavam a bairros de distância, não poderia ser alguém do noticiário,deve ser alguma goteira ou algo do gênero...
Logo, chegou na porta da frente ,com a batida aumentando a cada passo, mas foi tocar a maçaneta, que a batida se cessou,deixando um silêncio perfurante no ar.
—Acho que a goteira pas- Peixes se calou com uma estrondosa colisão na porta, escancarando ela e jogando o garoto para o chão.

