O sol desponta nas cortinas, volto a cobrir minha cabeça na tentativa de amenizar a claridade, mas já despertará, penso na possibilidade de passar o dia na cama e ignorar as mazelas do mundo, mas sou tomada por recordações da noite anterior, posso sentir o cheiro de sangue, o som dos disparos, os olhares suplicantes... minha mente fraqueja por alguns segundos, me sinto exposta, retomo o controle, jamais me permitiria voltar a perder o controle. Lembro- me do treinamento, doloroso mas eficaz, meu professor repetia isso como mantra, até estar gravado em minha mente como um lembrete doloroso da realidade.
levanto da cama sem me importar em arrumá-la, vou em direção ao banheiro e me olho no grande espelho redondo pregado na parede, encaro meu reflexo, sinto como se ele zombasse de mim, vejo encaro meu reflexo por alguns segundos, tenho vontade de rir da ironia, meu reflexo me assusta. um lembrete constante de coisas que quero esquecer.
Ligo a banheira, olho a espuma se formando e tento ignorar meu reflexo. Acabou de tirar a lingerie e a jogo pelo chão sem me importar,a bagunça ao meu redor não me incomoda, é um reflexo do meu ser. entro na banheira e tento me lembrar de coisas relaxantes, mas me sinto frustrada e logo desisto. Saio da banheira rumo ao meu quarto, já estou atrasada para o trabalho, visto meu uniforme e tento caçar minha bolsa em meio a minha bagunça, após alguns minutos de aflição avisto caída ao lado do sofá, confirmo o religião uma última vez, agora estou mais que atrasada.
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