Não sei porque pensei aquelas coisas antes de entrar na nave. Mas elas não saem da minha cabeça, e o olhar do diretor na noite passada...
Volto a atenção para um pequeno ponto avermelhado entre meus dedos indicador e médio da mão direita. Uma mas moças que trabalha na nave injetou um minúsculo rastreador ali, com a ajuda de uma agulha. Se todos nós temos rastreadores... então eles vão nos vigiar? Haverá câmeras no nosso destino? Por que eles irão nos vigiar? Será que vamos ficar sozinhos? Pensei que pelo menos alguns coordenadores ficariam conosco.
O céu está quase sem nuvens. De vez em quando a nave corta uma ou duas delas com rapidez. É engraçada essa sensação de estar em terra firme mesmo estando suspenso no ar. Alguns meninos estão esverdeados, outros parecem tranquilos, conversam alegremente. Mas mesmo dali posso ver o medo de Iza, estampado em seus olhos. Parece que não sou o único com maus pressentimentos... mantenho a mão no cabo de um dos meus machados. Não sei bem porque peguei dois, mas as mesas cheias de armas na sala em que a porta da nave dava, estendi a mão para o segundo pensando que quantos mais, maior seria a minha chance de me defender. Agora não penso mais assim. E não sei por quê não penso mais assim... Deve ser o nervosismo. A cada minuto que passa, mais nervoso eu fico, atrapalhando até meu raciocínio.
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