Minha cabeça estava encostada no vidro do carro do Justin. Meus pensamentos foram ao assunto mais doloroso da minha infância e parte da minha adolescência: Meu padrasto. Aquele drogado que batia em mim e na minha mãe. Ele torturou-a até certo ponto, após ter uma forte depressão, ela se suicidou. Ah, mas aquele canalha vai pagar. Não, eu não podia pensar nisso. Foquei minha mente no presente e no futuro, pois agora estava indo morar com tia Pattie e Justin. Peguei meu Ipod, coloquei o fone de ouvido e comecei a escutar "Untitled — Simple Plan". Meus olhos começaram a ficar umidos e algumas lárimas cairam. Eu sempre chorava com essa música. Passei as costas da minha mão na minha bochecha, secando as lágrimas. Não me recordo bem, mas acho que dormi quando nem havia acabado a música ainda.

- Sophia, Sophia... — Acordei com uma voz meio angelical me chamando, abri os olhos, pensando estar num sonho. Mas não, já havíamos chegado em casa e o Justin tava com aquela cara enorme e feia perto de mim, eu fiquei assustadíssima.

- Aaaaa, Jus, você me assustou com essa sua cara feia. — Coitado, acho que quem mais se assustou foi ele, comecei a rir e então ouvi um mais e mais risadas.

- Menina, você me assustou. E eu não sou feio, você se assustou foi com a minha beleza, inveja mata.

- Aff, nem ligo, você é feio sim. — Olhei para fora do carro para ver de quem eram as vozes. Fiquei alguns minuto parada, ainda pensando ser um sonho, eram os meus melhores amigos, pelo menos os melhores amigos de Atlanta, Chaz, Chris, Caitlin e Ryan.

Corri feito uma louca em direção à eles. Foi um ótimo abraço em grupo.

- Ei, eu também quero abraçar em grupo. — O Justin estava fazendo uma horrível imitação de 'carinha de cachorro abandonado'.

- Ok. Vem logo aqui Jus.

Ele veio todo alegre e com certeza esse abraço em grupo, foi o melhor da minha vida.

- Olá, minha querida. — Uma voz muito familiar falou, a voz vinha na direção da porta da casa. Me virei para ver quem era, fiquei muito contente por vê-la.

- Tia Pattie! — Eu estava tão feliz por estar perto dela, minha segunda mãe.

Saí em disparada, como se o mundo fosse acabar e eu tivesse milésimos de segundos para dar um último abraço na minha querida tia.

- Minha flor, é tão bom revê-la. Pessoal entrem todos, tem um delícioso bolo os esperando lá na cozinha. — Todos correram para a cozinha, parecia que nunca tinham visto comida, ou, mais expecificamente, bolo.

- Tia P. eu tava morrendo de saudades. — Começei a chorar silenciosamente, como já tinha me acostumado a fazer.

- Eu também, mas quem inventou esse apelido de Tia P.?

- Bom... Er... Eu. — Minha tia me olhou e começou a rir, enxugando minhas lágrimas e eu ri meio sem graça, só ela mesmo pra me deixar alegre.

- Sophia, se você ainda quiser um pedaço do meu delicioso bolo, vamos logo, porque o Justin é magrinho, mas come metade do bolo e ainda com os outros.

Nós duas fomos para a cozinha. Ela estava certa, todos estavam sujos e metade do bolo havia sumido.

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