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The Ruler.

AlehPerre

The Ruler.
Chapter 212 min read

Capítulo 02 - Pelo Que É Meu.

– O QUE?! — Féres berrou tão alto que até as pessoas mais longe da fazenda de Guilherme conseguiram ouvir.

– Isso mesmo! Vocês estão há quase cinco anos desaparescidos! — Repetiu Guilherme.

Mattew, Simon e Féres não compreendiam... Eles haviam saído de suas moradas faziam algumas poucas semanas, não anos. Como era possível algo assim?

– Espera... Você tá me dizendo, que estamos sumidos há CINCO ANOS?! — Perguntava o garoto de cabelos acastanhados.

O senhor olhou para os três ao seu redor.... Roçou a barba e abriu a boca.

– É, é um tempo assim mesmo... Já fazem cinco anos de guerra... — Completou Guilherme, ainda pensativo. — Mas eu estava me esquecendo de algo...

Não conseguiam compreender... Quase cinco anos sumidos, e a guerra continuava, o que poderia ter mudado? Aliás, o que aconteceu para eles terem ficado meia década em uma floresta sem ao menos notarem? E estavam todos do mesmo jeito que antes, nenhum envelheceu, nenhum mudou de fisionomia, eram os mesmos. Alguns outros oficiais ouviram a conversa de Guilherme com os Peregrinos e o Aspirante e começaram a espalhar o boato nos outros grupos que o tempo havia passado mais do que acharam.

– AH É EU LEMBREI! — Berrou Guilherme, bateu uma mão fechada na outra que estava aberta.

– LEMBROU O QUE?! — Féres quase pulou no pescoço do velho, de nervosismo.

– Foi um feitiço dos Sacerdotes e dos Magos de Radat! — O senhor levantou o dedo indicador da mão esquerda enquanto falava. — Eles sabiam que haveriam vários oficiais qualificados vindo da região da Floresta Sem Fim, tanto é que eu tive notícias que de todos que realizaram a Marcha, a região da Floresta foi a que mais demorou para aparecer. Um ano atrás eu recolhi o povo de Torane em minha fazenda. — O senhor lambeu os lábios e pausou para respirar. — Eles invocaram uma magia de espaço tempo onde vários Magos cercaram a região da Floresta Sem Fim para que os oficiais se perdessem por lá. Os outros da Frente Armada próximos da região florestal descobriram vários meses depois sobre essa magia que estavam lançando, só que foi bem tarde, mesmo quando a gente derrotou eles e os aprisionamos, eles já nos alertaram que já haviam deixado todos os esquadrões atrasados para três anos ou mais. Era uma magia muito intensa, nunca vi tantos Magos juntos fazendo uma magia só em todos os meus anos de Comandante...

O rebuliço diante de todos da Marcha dos Três Mil era intenso, todos já haviam sido noticiados que anos se passaram desde que saíram de Onarto, ao invés de algumas semanas como acharam que havia sido. O desespero foi geral, Simon tentou silenciar aos berros a maioria dos oficiais que estavam afoitos e desorientados. Muitos se perguntavam sobre algo que o Peregrino havia questionado para Guilherme, com os olhos cerrados aos do outro.

– O que aconteceu durante esses anos?

Novamente, umedeceu a boca com a língua que passou sobre os lábios.

– Após conseguimos deter a magia deles, aprisionamos os Magos e Sacerdotes responsáveis nas proximidades... Tentamos achar um meio de reverter a magia, mas se quer conseguimos contatar alguém da região florestal, e preferimos não nos arriscarmos na Floresta Sem Fim com medo de nos perdemos no espaço tempo como vocês. — O senhor coçou a nuca na pausa que fizera. — Além da intensificação da Guerra, que vocês já sabiam, aconteceram coisas que abalaram fortemente nossas estruturas de defesa...

– Exemplo?... — Disse o garoto de cabelos acastanhados.

– Bom, a Ilha Solitária foi tomada por Sacerdotes e Espirituais de Radat, com isso, Torendan, Perosi e Hiraji estão cada dia com menos espadachins e bárbaros para protegerem as cidades. As outras cidades seguem em estado de atenção, sofrem ataques constantes todos os dias, dia e noite. Mesmo com cada cidade suprida de mais três mil oficiais de alta patente cada, os Sacerdotes e Espirituais são um grande problema, eles conseguem liquidar vários dos nossos homens como se fossem nada... — Pausa. — Eles conseguiram achar outras três armas espirituais que tanto procuravam nas cidades de Casul, Harini e Galiel. Mas eles ainda procuram por uma espada chamada Espada de Firuria, trazida pra cá por um ex-Peregrino de Canilane.

Mattew olhou para a espada fincada à sua direita. Engoliu seco e achou melhor ficar quieto em relação de que sua espada era a arma que os Sacerdotes procuravam.

– Há tantos problemas que nem sei quais contar... Mas tem um que realmente abalou com todos. — Completou Guilherme.

Vários oficiais conversavam entre si, tentavam entender o que queria dizer que eles haviam passado anos na Floresta Sem Fim. O garoto de cabelos negros abriu a boca.

– Qual que é?

– O Coroado Bernardo IV, está morto. — Disse o senhor cavaleiro, tristonho.

– O QUE?! — Simon se estressou com a notícia.

– Nós estamos sem saber como nos defendermos. Só conseguimos contatar com regiões próximas. As áreas mais longíquas é muito difícil. Sem o Coroado, estamos sem ordens e táticas de defesa. Tentaram eleger o Filiado para a posição de Coroado, mas acharam melhor elegerem outro. — Explicava o senhorzinho.

– MAS ESPERA! COMO VOCÊ TEM ORDENS DELE PARA NOS ABRIGAR?! — O senhor Peregrino estava com um tom de voz muito alto em relação ao ex-Comandante.

– Eu recebi essas ordens há dois anos atrás. Eu só sigo elas e mais nada, até que o contrário me seja ordenado. — Guilherme arqueou os ombros e os abaixou.

Sem Coroado em um reino era como uma terra sem leis. O Coroado é o posto mais alto de comando de um reino. Abaixo dele, havia o Filiado e depois, o Patrono. Os três decidiam sobre guerrear, leis tomadas, impostos aplicados e estratégias de economia ou guerra, ou também tempos de dificuldade. Eram partes essenciais de um bom controle político de qualquer reino. O Peregrino mais velho começou à andar em volta do círculo de Mattew, Guilherme e Féres, totalmente estressado.

– Isso é pior do que poderia ser, sem Coroado nós não temos nada para fazer, exceto resistir até o último homem. — Comentou o garoto de cabelos castanhos.

– Sim, claro, sem dúvidas nós só podemos nos defender, mas seria ótimo se conseguíssemos eliminar qualquer inimigo na área. Mas já é difícil manter a iniciativa de Guerra sem um líder para nos guiar... — O ex-Comandante não sabia o que falar mais para eles.

– E daí?

Mattew lançou um silêncio entre todos os outros oficiais que ouviam a conversa.

– E DAÍ?! — O Peregrino mais velho de Onarto se revoltou de vez e ficou de pé, diante do garoto que estava sentado no chão. — UM COROADO É ESSENCIAL PARA UM BOM DESEMPENHO DE UMA GUERRA! COMO VAMOS COMBATER UM INIMIGO SEM UMA ESTRATÉGIA?! COMO VAMOS NOS DEFENDER DELES, QUE ATACAM COM FORÇA TOTAL, SEM AO MENOS TERMOS ORDENS?!

– E a gente precisa de ordens para defendermos a terra que pisamos? — Questionou o de cabelos negros que se levantou e ficou de pé diante do superior.

Vários Peregrinos e Legionários se entreolharam com a discussão de Simon e do Aspirante de Honra. O silêncio era inevitável.

– E vamos guerrear sem liderança nenhuma?! — O Peregrino de Onarto não compreendia.

– Nós temos que defender o que é nosso! Com tudo que temos! Se eles vierem com dez homens, temos que estarmos prontos para derrotarmos cem deles e ainda pedir por mais! Vamos ficar parados só por que o nosso Coroado morreu?! Você acha que se ele estivesse vendo isso, ele estaria satisfeito?! — O Governante dizia em frente do mesmo oficial que lhe deu a chance de ser um oficial da Frente Armada, mesmo com a altura menor em relação a ele, o garoto parecia maior do que o senhor.

– Bom... — O superior tentava achar uma resposta à altura.

– Asgorath é nossa terra! Isso basta para devermos nos proteger! Isso basta para nós empunharmos nossas espadas e lutar! — Frederick fechou o punho em frente à sua face, em demonstração de determinação.

Uma risada próxima do garoto foi ouvida, Bruno abraçou o rapaz pelo ombro.

– Para um rapaz do campo, você até que fala umas coisas bem marcantes! — Comentou o de cabelos castanhos.

– NÓS CONCORDAMOS COM VOCÊ, MATTEW! NÓS VAMOS PROTEGER TODA ASGORATH COM NOSSAS VIDAS E NOSSAS ESPADAS! — Berrou Wender, com um cabelo mais longo do que já tinha antes da marcha, levado pelas palavras marcantes do Aspirante de Honra, levantou sua espada apontada para os céus enquanto se levantava do chão.

– E MEU MACHADO! — Falou Barbaceno, com uma barba ainda maior do que quando saiu de Onarto. Ele levantou seu machado para o alto também, imitou o amigo ao seu lado e ficou de pé também.

Um rapaz de cabelos curtos e negros, observava a cena sentado e com um sorriso no rosto. Olhava para Wender, para Barbaceno e para Mattew. Ele se levantou, demonstrou ser um rapaz de altura não tão marcante. O que realmente era destacável no garoto era seu escudo que portava no braço direito, com um enorme emblema de um brasão com duas espadas entrecruzadas atrás de um escudo que possuía um desenho de dóis sóis. Com um cachecol azulado em volta de seu ombro, suas vestes e detalhes de costura eram de um tom mais claro que o azul escuro da veste no pescoço. Ao desembainhar a espada com a mão esquerda, apontou para o Aspirante de Honra.

– Rapaz, você chega a possuir um sangue tão nobre quanto o meu, quem me dera ter a ousadia de dizer que é mais que o meu! Você é um grande homem com sábias palavras que saem de sua boca! Eu invejo essa sua vontade tão grandiosa de defender toda Asgorath como se fosse sua casa!

– Mas ela é, Eduardo. — Respondeu o outro, com um sorriso em resposta do amigo.

Eduardo Di Coronado sorriu ainda mais com a resposta do amigo Aspirante.

– VAMOS DEFENDER ASGORATH! PELO BEM DE TODOS! — Berrou o rapaz que portava escudo.

Todos os outros oficiais começaram à berrar simultaneamente, enquanto desembainhavam suas espadas e se abraçavam, além de jogar bebida para o alto ou beber ela. O caos agora era de felicidade ao invés de desespero como anteriormente. O Aspirante de Honra sorria com a cena e olhou para o senhor Guilherme, que havia colocado a mão dele no ombro do garoto.

– Você é um rapaz que mexe com as pessoas. Você é realmente filho de Volker. — Comentou com um enorme sorriso.

Embebidos de inspiração e álcool no sangue, os oficiais de Onarto começaram à cantar, festejar e rir como se não festejassem por anos. Mattew pela primeira vez na sua vida bebeu e sentiu os efeitos do álcool no sangue. Féres xingava todos e reclamava de sua vida amorosa. Simon, acanhadamente, observava as conversas, até entrar em uma roda e contar de como era um conquistador nato de mulheres, mesmo com sua idade avançada e seu perfil rancoroso. Bruno dormiu rapidamente na terceira caneca. Wender levou várias jorradas de canecas de outras pessoas em si. Barbaceno competia com outros oficiais para competir quem beberia mais sem vomitar. Eduardo, alterado, chamava Mattew para um duelo, para impor de uma vez quem era o maior defensor de Asgorath. Guilherme dormiu em um dos cavalos. O caos era imenso. O caos era contagiante aquela noite.



– EM FRENTE! — Féres comandava um dos vários grupos que corriam atrás de Sacerdotes e Magos por ruas da cidade.

Estavam em Seldorá. O que restou da cidade : praticamente todas as casas estavam derrubadas ou pegavam fogo. As poucas que ainda restavam de pé serviam de abrigo para os habitantes e para cidadãos ou oficiais feridos. Em meio das cidades das cidades onde haviam vários sobrados e várias edificações, Sacerdotes e Magos corriam em retirada da cidade, ou eram capturados por Espadachins que os rendiam e os deixavam inaptos para batalharem — ou quebravam suas orbes ou tomavam conta de seus cetros. — contra as Frentes Armadas. Quando Féres espantou o último dos grupos de residentes de Radat que conseguiu fugir de Seldorá, a alegria da cidade era total. Berros e comemorações explodiram como um efeito dominó por toda Seldorá.

– OBRIGADO, OBRIGADO! — Agradecia um espadachin vestido com um sobretudo de costuras douradas. Ele era loiro, tão loiro quanto a cor da sua veste.

– Não há o que agradecer, nós só viemos ajudar! — Mattew respondia sem jeito.

– VOCÊS SÃO ANJOS! COMO SOUBERAM QUE PRECISÁVAMOS DE VOCÊS?! SE VOCÊS NÃO TIVESSEM VINDO, EU ACHO QUE TERÍAMOS PARADO DE BATALHAR E NOS RENDIDO! — O Peregrino de Seldorá ainda continuava sem palavras para o Aspirante de Honra de Onarto.

O residente de Onarto colocou a mão no ombro no morador de Seldorá.

– Não, vocês batalhariam ainda. Nós só demos um pontapé. Vocês são os heróis dessa noite, não nós. — Respondeu com um sorriso.

Em meio da noite em Seldorá, risos e comemorações eclodiam por cada rua, beco e casa da cidade. Por vários meses, não conseguira, conter os ataques incessantes dos Magos e Sacerdotes. Com o apoio da Frente Armada de Onarto, venceram de uma vez por todas o povo de Radat. Os invasores corriam da cidade de Asgorath por proteção, embora ouvissem invejosamente a comemoração na cidade vencedora. A primeira tomada da Marcha dos Três Mil na Guerra de Radat e Asgorath, foi gloriosa, a chama da esperança reacendeu no coração se Seldorá. A vontade de lutar pelo que é seu.