P.O.V Courtney
Tudo que Courtney queria eram respostas. Já ia fazer um ano, um longo ano de angústia que sua irmã havia sumido diante de seus olhos. Ela simplesmente não pudera impedir. A silhueta masculina aparecera na calada daquela negrume noite e arrastara Nina pelas sombras como se fosse uma boneca. Courtney tentou chegar o mais rápido possível até a irmã naquela noite pluvial, contudo todos os seus esforços foram em vão. Não adiantara de absolutamente nada. Dias depois um corpo fora encontrado. Ela havia perdido a única pessoa que devia proteger. Contudo uma dúvida surgiu em sua mente, seria aquele realmente o corpo de sua irmã? Desde então sua vida virou um inferno. Fora inicialmente diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático, em seguida com transtorno obsessivo compulsivo e os laudos não pararam por aí, também acabara por descobrir que sofria transtorno de ansiedade e somatização. O último problema havia sido constatado há pouco tempo, tinha mania de perseguição.
Ela podia parecer louca para todos, mas naquela noite tenebrosa depois de horas e horas em frente ao computador ela teve a certeza, sua irmã estava viva. Courtney abriu a porta de seu closet de espelhos. A ruiva caminhou até o espelho com fundo falso, ela o abriu, visualizando o painel investigativo que havia montado. Então a menina passou a pregar as novas pistas ali, porém algo desviou sua atenção. Seu celular tocou desviando sua atenção, ela tomou um breve susto e então pôs o grande espelho escondendo o quadro. Saiu do closet, caminhando até a cama, se jogando na mesma e pegando o celular.
"Eu sei o que aconteceu com sua irmã. — A" Era o que tinha escrito na mensagem, ela arregalou os olhos respondendo a mensagem em seguida.
"Quem é você e como sabe dela?" Courtney respondeu rapidamente a mensagem, assim como poderia ser uma brincadeira, poderia ser alguém que sabia o paradeiro.
"Posso te levar até ela, é só você dizer que sim e verá sua querida irmãzinha. — A" A pessoa respondeu e Courtney pensou alguns segundos antes responder, afinal não era racional sair com uma pessoa totalmente desconhecida que alegava saber o paradeiro de sua irmã.
"Sim, onde ela está?" Courtney respondeu rapidamente, precisava de noticias de sua irmã, mesmo que tivesse que pagar por isso.
" — A" Courtney xingou baixo irritada, provavelmente era mais um ignóbil de sua sala tentando atormenta-la com aquele assunto, como ela pudera ser tão tola?
"Vá para o inferno, seu infeliz! " Respondeu brava jogando o celular na cama e se levantando, contudo voltando para pega-lo e então se surpreendendo com a resposta do infeliz.
"Não sou eu quem vai para o inferno, afinal quem pediu para ir foi você, preparada para se juntar a sua irmã, vadia?! — A" Era um fato que Nina era odiada na escola, mas aquilo já era demais.
Courtney não respondeu a última mensagem, mas havia ficado furiosa com o que havia lido. Era um fato que metade da escola não gostava, ou melhor, odiava Nina, ela realmente podia ser má se quisesse. Quando Alison desapareceu Nina simplesmente roubara a cena e tomara o lugar de Ali na escola. O fato era que Nina não tinha só alguns inimigos, mas tinha uma rival muito perigosa, a DiLaurentis. Especulações circulavam pela cidade mas todos tinham apenas uma certeza: Alison DiLaurentis era ótima em fazer o mal e por isso ela foi alvo das pesquisas de Courtney por um tempo. O celular da ruiva passou a vibrar descontroladamente, eram mensagens.
"Tic, tac, tic, tac, o seu tempo está se esgotando. — A"
"Que tal fazer um desejo? Lhe garanto que ele será o último. — A"
"Cuidado, alguém pode entrar em sua casa. Em seu lugar eu ligaria pros guardas. — A"
As mensagens então passaram a assustar Courtney, ela olhou para os lados assustada e então ouviu um barulho que provavelmente vinha da cozinha e logo em seguida tudo ficou escuro. O coração da ruiva passou a bater descompassadamente, ligando a lanterna do celular e iluminando todo o quarto. Não havia ninguém ali. Em passos pequenos e cuidadosos ela caminhou até o bau pegando um velho bastão de golf, passando a caminhar em direção as escadas, iluminando as mesmas.
—-- Pai? Mãe? Vocês já chegaram?! --- perguntou com temor, podia sentir a adrenalina correr livremente em suas veias.
Não houve resposta, ela continuou descendo as escadas com cautela, algo dentro de si lhe avisava que algo de muito errado estava acontecendo. Era a mesma sensação estranha que sentira quando Nina desaparecera. As luzes se acenderam e então Courtney viu um vulto passar, o coração dela acelerou ainda mais, se é que era possível e então ela fez o que achou mais prudente, voltou para o quarto correndo.
"Não adianta se esconder, eu sei onde você está e eu vou te pegar. — A"
Courtney trancou a porta sentindo o mais genuíno pavor tomar conta de si, ela teria se aproximado tanto da verdade que o assassino estava ali para dar um fim em sua vida também? Rapidamente ela pegou a caneta e alguns pastiches, toda aquela informação não poderia morrer com ela. Ela passou escrever rapidamente, informações soltas, papel por papel, escondendo cada informação em uma parte de seu quarto. Os passos estavam cada vez mais próximos, mas ela ainda tinha algo a fazer: precisava gravar um vídeo.
As lágrimas escorriam pelo fino rosto da ruiva quando ela ouviu o primeiro chute, ela praticamente cuspiu as palavras enviando o vídeo para as amigas, e então os chutes pararam. Court estava apavorada, não sabia o que fazer, pôs o bastão em cima da cama e ligou para Dexter, o esperando atender.
—-- Ele está aqui! --- disse apavorada assim que o outro atendeu. --- Ele vai me matar, ele vai me matar.--- sua voz estava completamente trêmula.
—-- Quem está aí? — A? Courtney, onde você está? Eu estou indo pra ai agora, você não vai morrer.--- Dexter respondeu e as luzes se apagaram mais uma vez fazendo com que Court gritasse. --- Courtney pelo amor de Deus me responda!
—-- E-e-eu estou em casa, ele cortou a luz, estou no meu quarto, tranquei a porta. --- ela respondeu pegando o bastão mais uma vez.
—-- Courtney você vai fazer exatamente o que eu digo, empurre sua cômoda até a porta e vá para a varanda. --- Ele disse, o desespero era claro em sua voz e ela sabia que ele temia pelo pior. --- Eu estou chegando, chamei reforços, você vai ficar bem.
—-- Ok, ok. --- respondeu nervosa arrastando a cômoda até a porta ouvindo outro estrondo, desta vez ele usava um machado para acabar com a porta, parte da mesma cedeu e ela podia ver pelas brechas a roupa preta, era ele quem havia pego Nina, ela tinha plena certeza. Court correu até a varanda e então respirou fundo. --- A porta não vai aguentar por muito tempo, ele tem um machado, meu Deus eu vou morrer.
—-- Você está na varanda?
—-- Sim, estou. --- Ela fitou o pouco que restou da porta apavorada, o assassino agora já nem utilizava o machado, arrancava partes da porta com as mãos para poder entrar.
—-- Pule! --- Dexter disse e ela fitou a altura estúpida, era loucura, ela fitou a porta novamente e "A" agora se arrastava para dentro do quarto. Um objeto prata brilhante prateado chamou a atenção de Courtney que ficara apavorada, era uma faca. --- Courtney, procure o melhor ângulo e pule, agora!
A mulher respirou fundo, pondo sentando-se sob o muro da varanda, olhando para baixo procurando um bom local para cair, antes de impulsionar o corpo para a frente sentiu uma dor insana, ela soltou um grito estridente de pura dor, deixando com que o celular caísse. A faca do assassino havia atravessado e cortado sua carne como se ela fosse um animal, a dor era tanta que ela mal conseguia respirar. Ela foi puxada pelo quarto e então os golpes começaram, naquele instante ela teve uma certeza: não havia escapatória, ela estava condenada à morte.
P.O.V Dexter
Ele estava apavorado, ele não podia perder Courtney, mas ao ouvir seu grito e não obter resposta ele já não conseguia ter esperanças. O moreno passou a mão pelos cabelos negros, batendo no volante, afundando o pé no acelerador, ele não deveria ter deixado Court sozinha naquela noite, ele nunca iria se perdoar se algo acontecesse a ela. Dexter chegou à casa da ruiva, a polícia já estava lá, assim como a ambulância, seu coração se aqueceu com a esperança de que ela tivesse apenas se ferido. Ele rapidamente deixou o carro, caminhando até um de seus colegas de trabalho rapidamente.
—-- Onde ela está? --- perguntou olhando ao redor procurando pela ruiva.
—-- Oficial Hawking, você vai precisar ser forte, nós não encontramos o corpo, mas se o sangue espalhado pela casa for da senhorita Patterson não há possibilidade dela estar viva, sinto muito.
O celular do homem vibrou, era uma mensagem de Courtney, via WhatsApp, ele abriu o aplicativo e então viu "Você pode guardar um segredo?".

