De início, você apenas visitava a Anteiku pelos laços que tinha com mademoiselle Kirishima e os outros, não que fosse um dos melhores, mas você continuava a ir lá – e é claro, a provocava, pois esse era um dos seus hobbies mais querido. Até que resolveu ficar pelo café, pois um gourmet como você sabia do que era melhor, seu paladar e olfato apurado era tudo do que você mais se orgulhava nesta medíocre vida de ghoul.
Então, ir à Anteiku se tornou um hábito relaxante, e por isso toda vez que chegava de alguma viagem (que fosse para Paris ou até mesmo ali em Kyoto) você ordenava que lhe levassem até lá em primeiro lugar, ora, casa poderia esperar un peu, não é mesmo?
Em uma destas ocasiões foi que você o conheceu. Você voltava da Alemanha, para ser mais especifico era de Hamburgo e o relógio marcava três e vinte e uma da tarde, horário de Tóquio, e sete e vinte e uma da manhã horário local da cidade alemã. Você lembrava desses pequenos detalhes, claro que lembrava, lembrava de tudo que estava a ocorrer no primeiro momento que pôs os olhos nele. Lembrava de como as vestes do trabalho caía sobre o petit corpo e como o rosto corado lhe encarava, lembrava até mesmo do tom da pequena boca que você estava louco para devorar, dos cabelos negros penteados de maneira casual de um dia normal e do cílio negro que tinha abaixo do olho direito (qual, devo lembrar, você retirou e pela primeira vez segurou na mão dele, murmurando sobre a orelha escarlate: “faça um pedido, mon cher”).
Naquele dia, como de costume você adentrara no recinto chamando a atenção de todos para si, um terno de cores quentes e fortes e os braços dançando de acordo com a sonoridade de sua voz, até que então seus olhos se encontraram com os dele. O cheiro peculiar e nostálgico era o que havia de mudança em Anteiku no momento, por isso seus olhos correram para onde o odor estava a exalar... e bem, não foi só os seus olhos, seu corpo também se movimentou e caminhou até haver apenas poucos centímetros entre vocês.
Ele era uma coisa petite com cabelos negros e um tapa-olho, tinha uma bandeja agarrada contra seu corpo franzino e, ao lado de um nariz rosado de embaraço tinha um meio sorriso estampado no rosto. Neste dia você não tomou café, a essência do menor já era o bastante, por isso você deu as costas e partiu.
Kaneki Ken era diferente, e você o queria... de todas as formas possíveis e inimagináveis.
Você o conquistaria, disse ao chegar em casa, nem que fosse a última coisa que faria na vida, você o conquistaria.
E conseguiu, quem diria.
Agora você não ia à Anteiku para perturbar mademoiselle Kirishima (não que isso significasse que os comentários haviam chegado a um fim) ou aproveitar o café do Gerente, você ia pelo garoto de (agora) cabelos platinados e calcanhares finos. Levando sempre consigo um buquê diferente junto de algo que seus olhos se encantaram ao ver na vitrine de alguma loja.
Antes, quando você ia para lá, você fazia aquela pequena apresentação ao adentrar na cafeteria, trocava palavras desagradáveis porém amigáveis com mademoiselle Kirishima e então se sentava para apreciar um bom café e livro ao lado da falecida Rize; agora, você chegava sem dizer muito, apenas ia em direção ao seu bon garçon, com uma mão segurando um buquê e um presente enquanto com a outra segurava o queixo do rapaz e o beijava, deixando-o envergonhado para então ele lhe dizer as mesmas palavras de sempre: “estamos em público, não vê que estou trabalhando?”.
Você ria e o beijava novamente, olhando uma última vez em seus olhos cinzentos e profundos antes de ir se sentar e pedir um café, feito especificamente por Ken e apenas Ken. Enquanto o mesmo pegava os presentes e ia direto para a cozinha deixá-los em algum lugar para poder então retornar com o seu café.
Antes, bem, você apenas lia um livro, mas agora você o assistia. Assistia o petit corpo andar para lá e para cá sorrindo para os ghouls e humanos, sendo gentil com todos ao atender seus pedidos. Assistia como seu corpo tinha mudado desde que se encontraram pela primeira vez, notava como sua respiração estava e o jeito que passava as mãos nas mexas platinadas. Você apenas o assistia de longe porque se não mademoiselle Kirishima apareceria e lhe expulsaria de lá por uma semana.
Em parte, você odiava apenas poder assisti-lo de tão perto, porém tão longe... era uma maldita tentação ter que obedecer às ordens de Touka, você o via dar pequenos sorrisos em sua direção enquanto atendia os demais clientes, mas tudo que você queria era ele no seu colo, os rostos próximos um do outro, suas mãos grandes passeando pelo pequeno corpo, tocando-o com cuidado e sentindo cada músculo, osso e a maciez da pele contra as pontas de seus dedos. Ele era tão delicado quanto as pétalas das flores que você trazia, e tão cheiroso quanto.
Por outrora, tu agradecias por poder assisti-lo agindo de maneira distinta com outras pessoas, pois isso te dava a liberdade de conhecê-lo melhor, de ver exatamente como ele agia com as outras pessoas que não fossem tu.
Se tinha algo que tu amavas demais era ele dentro de quatro paredes e contigo preso entre as pernas finas e pálidas, mas de alguma forma, ver ele agindo que não fosse por ti te agradava, pois tu sabes muito bem que Ken não trata as outras pessoas da mesma maneira que faz contigo, e isso te conforta, isso te deixa contente.
Por poder assisti-lo tu tens a liberdade de conhece-lo e aprender sobre ele. E é por isso que tu adoravas ir para a Anteiku, simplesmente para ver o Ken que todos conhecem e convivem, e é claro, aumentar aquele demônio que existe dentro de teu peito, ninguém tem ou teria o menino que tu possuis. E a verdade é que tu te sentes como alguém que todos deveriam ter inveja, tudo por simplesmente possuir a mais bela criatura do mundo.
Mas bem, você sempre viu Ken como as flores que você trazia, além de que, para você, os dois compartilhavam dos mesmos significados. Você também sempre teve cautela na hora de escolher os buquês, ou pequenas declarações silenciosas como qual você preferia chamar. Até que Ken descobriu e lhe perguntou se as flores que trazia diariamente tinham algum significado, você respondeu e ele corou, e lhe beijou tentando demonstrar o que não podia pôr em palavras.
Desde então o pequeno começou a estudar, pois ele queria te entender melhor e queria estar preparado e tentar acerta sobre o que tu trarias... até que um dia tu apareceste de mãos vazias – bem, não completamente vazias pois você era incapaz de ir ao encontro do mais novo com nada em mãos.
Quando ele te viu entrar na cafeteria, logo cedo (estavam abrindo ainda e não havia cliente algum, apenas Nishiki, Touka e ele), ele foi direto em tua direção e passou os braços por teu pescoço e te cumprimentou com um beijo. Tu respondeste (ora, tu sempre se alegravas quando ele iniciava algo assim) tentando, por fim, não derrubar o pequeno vazo de flores e a caixa prateada que equilibrava com uma única mão.
Ele pegou o pequeno pote de dálias rosadas nas mãos e sorriu, sorriu tão belo que você sentiu que seu coração iria derreter naquele mesmo instante, e se não fosse pelo sorriso seria pela informação que saiu de seus finos lábios, “dálias rosadas”, ele disse, “significam delicadeza... além de ter uma história interessante...”, e oh dieu você queria morrer naquele mesmo segundo por ter que quebrar o coraçãozinho daquele pobre rapaz. Você sorriu, na esperança de não o decepcionar e então levou uma das mãos até a bochecha dele e simplesmente disse que aquelas dálias eram para a princesse Hinami.
O rosto de Ken então ficou tão rosa quanto as dálias, pediu desculpas envergonhado com a situação e lhe entregando o vazo disse que chamaria a menina, mas claro, antes que você o deixasse ir, você o beijou na testa e sussurrou em seu ouvido que vocês teriam um encontro naquela noite.
Quando ele retornou, já recomposto, disse que a garota estava a descer, então você pegou a oportunidade para entregar a caixa prateada há tempo esquecida. Você pediu perdão por não ter lhe trazido flores, mas que aquele presente era para o jovem meio-ghoul, e apenas para ele. Com hesitação o platinado pegou o pacote de suas mãos, um sorriso envergonhado surgira novamente e tudo que você queria fazer era lhe beijar-lhes nos lábios, mas você não o fez, apenas o assistiu lhe agradecendo.
Quando tu informaste para que ele usasse aquela peça no encontro desta noite, la petite Hinami aparecera correndo e te abraçando enquanto o “Flower Man” saia das jovens cordas vocais. Tu a abraçou de volta e então se ajoelhaste para que ficasse na mesma altura que ela, com o vazo nas mãos e um sorriso no rosto entregaste o pequeno vazo de dálias rosadas. E ela sorriu, ela sorriu como os pequenos brotos.
No início, você apenas agradava mademoiselle Hinami para ver Ken sorrir, mas agora você fazia por si, você adorava ver aquela garotinha feliz e puxar o avental dizendo “onii-chan, onii-chan, veja o que o Flower Man me trouxe desta vez, ele não é tão legal?”, para então sair mostrando para todos a sua pequena felicidade.
Você gostava dela de uma maneira fraternal tão bela que, mesmo sem ser sua intenção, fazia com que o coração de Ken se aquecesse com a imagem dos três.
O sorriso da garota cresceu ainda mais quando tu disseste o significado daquela plantinha, e contava a história dela e o porquê de ter a escolhido para presentear a jovem ghoul. Tu mau sabias, mas em outro canto do recinto Ken também estava a sorrir, sorria apenas por te ver interagindo com a pequena e o quanto tu a deixavas contente e vice-versa.
Escolher uma flor para presentear a garota havia sido um trabalho fácil, tu não a conseguias ver de outra maneira a não ser que fosse doce e delicada. Em outro caso, escolher uma flor para representar Ken estava a ser um trabalho demasiado difícil, e por este mesmo motivo tu gostavas de passar o tempo na Anteiku o observando. Até que na noite anterior tu passarás em um campo cheio de belas jasmins, e no momento que pusestes os olhos sobre elas e sentiu sua essência, Kaneki Ken e apenas ele surgirá em tua mente.
Seu coração fez doki-doki ao relembrar de seu bon garçon de forma tão nítida, e foi aqui que você soube. Kaneki Ken era como a flor de jasmim, pequeno e delicado... gracioso e dolce com um perfume deleitoso que somente você podia inspirar durante a noite. Com uma beleza simplória e calma, inocente e pacífica juntamente em contraste com seu poderoso odor afrodisíaco, se Kaneki Ken fosse uma flor ele seria a planta de jasmim.
Então tu pegaste um buquê dessas e levaras para casa, já que Ken não podia te acompanhar os jasmins iriam servir de estepe. Mas tu não conseguiste dormir, o cheiro da planta no teu quarto se misturava com o de Ken que ainda estava impregnado em seus lençóis e isso estava te matando, te fazendo entrar subitamente em epifania.
Era tarde da noite, mas você não deu a mínima, apenas pegou o contato de seu melhor alfaiate e o ordenou que fosse imediatamente à mansão. Em pouco tempo o ghoul se mostrava presente para seus serviços. Você apenas pegou um par de meias que seu menino havia esquecido outro dia e entregou para o homem, explicando-lhe designadamente como deveria ser feita e pondo em mãos o desenho que você concluíra antes da chegada do empregado. Ele tinha que fazer o mais rápido que pudesse, com o melhor tipo de tecido para entrar em contato com a pele terna de seu garçon précieux, e de forma impecável. Erros não seriam admitidos.
Tu deixaste o ghoul e subordinados trabalhando e foi para a sala de música, e com o jarro de jasmins sobre o piano tu te libertastes daquela epifania.
Agora você estava à espera de seu brotinho de jasmim. A casa estava pronta, você passara o dia organizando o local, o enfiando de jasmins e relocando o piano para uma área de frente ao jardim. O café favorito de Ken e os petiscos não seriam as únicas coisas que você saborearia naquela noite.
Quando a campainha tocara tu imediatamente correste para a entrada principal, já havia avisado aos serventes que não seria necessário que eles guiassem o jovem Kaneki ao seu encontro. Ao abrir a porta tu encontraras um petit ser encolhido em suas vestes por conta do frio, o rosto já vermelho de embaraço – talvez ele estivesse na espera de ser recebido por Matsumae e não tu.
Você sorriu de volta, analisando-o dos pés à cabeça respectivamente. As lamparinas do lado de fora e a luz do luar contrastavam com os sapatos negros e as meias quinto oitavos que você lhe presenteará, elas haviam caído perfeitamente nas pernas de Ken... perfeitamente... e você nem podia ver direito por conta do enorme sobretudo marrom que lhe cobria todo o corpo. Você deveria colocá-lo para dentro de casa se quisesse checar como seu presente caía no menino.
E você o fez, fechando a porta atrás de si e ajudando-o a retirar o maldito sobretudo. Você não o virou de primeira, tinha que ver como a roupa estava o servindo de todos os ângulos. As costas finas e a pele macia eram possíveis enxergar através do tecido transparente da blusa amarelo claro pastel quase branco, a bunda estava arrebitada e coberta pelo short preto e curto, mostrando apenas uma certa quantia da pele volumosa das coxas, que então começavam a ser coberta pelas meias que você o havia presenteado. E oh dieux como você se aguentou, mordendo sua bochecha interna, para que não enfiasse a mão e apertasse aquela parte de carne à mostra, derrubando o pobre garoto no chão da entrada principal mesmo...
Então tu deste a volta no pequeno corpo, podendo finalmente vê-lo de frente. O cabelo platinado contrastava fortemente contra o rosto vermelho do rapaz, e assim como as costas, era possível ver todo o busto do menino por conta do tecido fino e transparente, do umbigo aos mamilos. A blusa caia delicadamente no petit corpo, as mangas longas eram presas em laços, centímetros antes dos cotovelos para então serem livres e abertas até as palmas das mãos. O short preto era uma peça importante para causar a vida e marcar o corpo de Ken. Mas as meias, oh sim, as meias que tu mesmo desenhaste e mandaste fazer à mão... tudo para o teu chérie... elas definitivamente faziam jus as pernas dele, iam um pouco acima do joelho até as pontas dos pés, que eram cobertos por um simples sapato preto de salto baixo, tinham partes com tecido transparente, expondo a chamativa e desejada carne do mais novo, e pequenas e delicadas jasmins eram cravadas nas bordas superior do quinto oitavo, descendo sobre a perna com detalhes em dourado...
Oh dieu, como tu amavas aquelas pernas, uma completa adoração... tu simplesmente não conseguias fazer nada, nem mover sequer um dedo por conta do ser em tua frente. Até que ele pigarreou em vergonha e te perguntou se vocês não iam sair dali para um lugar apropriado. Tu simplesmente sorriste pedindo desculpas e o levou até a sala.
Você sentiu o corpo ao lado endurecer com a visão do piano, e um lençol com travesseiros no chão em frente a porta do jardim que estava aberta, a sala estava repleta de jasmins assim como brotos que haviam sido plantados no jardim de sua família. Você levou sua mão até a dele, prendendo seus dedos uns aos outros. Ele soube no momento que aceitou sair com você que você não precisava de motivo especial algum para fazer esse tipo de coisas, você simplesmente vai lá e fazia, fim da história. Mas isso sempre o assustava, até que você aceitou a fazer esses lances apenas quando a data fosse especial.
Ele então tentou falar, mas soluços o interromperam. Tu logo se preocupaste, levando as mãos até a face do jovem, limpando-lhe as lágrimas e perguntando qual era o problema. Ele chorou mais um pouco, tentou se acalmar, e palavras tentando formular uma frase saíram da boca trêmula. Ele te perguntou que dia era hoje, e pediu desculpas por ter esquecido que data era, que ele deveria ter trazido um presente ou algo do tipo.
Vê-lo chorar sempre fazia seu coração doer, mas infelizmente você não foi capaz de segurar a pequena risada na garganta e ele lhe olhou com raiva e um biquinho formado, perguntando por que diabos você estava rindo. Você apenas agarrou o corpo do jovem rapaz contra o seu, o segurou com força, com medo de que aquela preciosidade pudesse escapar a qualquer instante. Beijou-o no topo da cabeça e finalmente pediu desculpas, pediu desculpas por tê-lo preocupado e disse que a única coisa a qual você necessitaria na vida, independente de que horas, dia, ano fosse, era a presença dele ao seu lado – pois um mundo sem ele era uma miragem a qual você não queria ver.
O porquê de tudo aquilo ele te perguntou, tu não soubeste o quê responder no início, inspirando aquele cheiro da cabeça platinada. “Eu só senti que necessitasse te fazer algo de especial, mon cher”, tu respondeste um tanto que inseguro com a reação do próximo, “Apenas entendi mais um pouco o que tu significas para moi, e precisava compartilhar esse sentimento contigo, pois tu és la raison de tout cela... la raison pour laquelle j’existe, ma petite et belle jasmin”.
Ele te beijou antes que dissesse algo a mais, a pequena mão contra sua nunca forçando seu rosto para baixo e ao encontro dos lábios. Tu retribuíste, pois era somente isso que tu era capaz de fazer em frente a algo tão belo.
Sentados sobre o lençol, tomando café e observando a lua enquanto você fazia uma coroa de flores, Ken lhe perguntou o porquê daquela planta em específico. Então você explicou que os jasmins, por conta de seus traços graciosos poderiam significar beleza delicada e pureza no amor, uma flor que representa, por conta de suas cores, a inocência e a paz e que oferecê-lo a alguém significava amabilidade.
Ao terminar a coroa, você a pôs sobre a cabeleira platinada, Ken corava com suas palavras e mantinha a xícara de café contra a face vermelha.
Tu continuaste, até que disseste finalmente o verdadeiro porquê de escolher aquela pequena e simples flor. “Apesar de ser uma modesta e alegre plantinha, ela é associada à sensualidade e ao erotismo... ela é exatamente como você, mon cher”. Então tu tiraste a xícara da frente do rosto do meio-ghoul e tocou-o nos lábios. O rosto dele já estava quente. “A noite acentua a tua sensualidade”, neste momento nem ele ou tu sábias mais de quem falavas, do jasmim ou de Ken. “Por conta de teu odor exalado pela noite, és considerado le roi...”. Et moi le chevalier, falaste tu em pensamento apenas.
Você resolveu o provocar por fim, tocando-lhe levemente nos lábios com os seus, como se fosse beijá-lo, mas nunca de fato o fazendo. Encostou-lhe então na face e murmurou que lhe tocaria uma música. Levantando-se viu um pobre Ken embriagado com suas palavras, completamente zonzo com tudo enquanto você sentava no piano.
E você tocou, tocou como nunca tinha feito antes, tocou uma canção proibida, tocou na alma, tocou em Deus. Você fechou os olhos enquanto seus dedos variavam nas notas do piano, tudo porque estava cego e a única coisa que lhe guiava nessa escuridão era o amor, seu pequeno jasmim; segurou-se na canção como se sua vida dependesse daquilo, como se se você parasse de tocar não poderia mais respirar, não poderia mais viver... você não passava de um gringalet que necessitava de uma maldita florzinha para se manter de pé.
Teus dedos dançavam sobre o piano, dançavam entre o amor ágape e eros, teus braços e costas o seguiam, e tua respiração que de modo falha tentava ser controlada se perdia a cada segundo. Tocaste para ele e apenas ele, entregando tua vida em uma bandeja, aquela mesma que ele tanto segurava contra o corpo quando vocês se viram pela primeira vez. A única coisa que tu pedias, que tu imploravas para qualquer que fosse o ser divino acima de tua cabeça, era que ele te amasse de volta, te amasse de volta até o fim, que o amor dele por ti nunca sequer cessasse...
Era pedir demais?
Nem você percebeu quando parou de tocar. O doki-doki em seu peito berrava como se fosse o compasse da canção, marcando o maldito tempo... como se você tivesse falhado e a música ainda não houvesse chegado ao seu fim, como se você tivesse esquecido o resto da partitura e errado logo na melhor parte.
Você sentiu o suor frio descer por suas costas.
Completamente congelado.
Até que o calor daquelas mãos te puxara pela gola da camisa num beijo casto e salgado.
Ele estava chorando?
Ou era tu?
Não importava quem fosse, o importante era que o sentimento de vocês estava ali, bem na frente de vocês, nu e cru.
Tu tentaste sugar um pouco de ar da outra boca, tentou sugar um pouco daquela vida que tanto desejavas, tentou sugar nem que o fosse o mínimo possível. Ele te puxou contra o próprio corpo, caindo no chão fazendo com que a coroa de flores se desfizesse em sua cabeleira branca. As pequenas mãos te puxavam com tanta força contra si, as pernas finas fisgando tua cintura para que não houvesse mais um espaço existente entre ambos. Até que finalmente tu levaste a mão contra o pescoço do menor, aprofundando o beijo, devorando-o.
A outra mão ia ao encontro daquela coxa volúpia, apertando-a para que então você finalmente escutasse a canção de Ken. E que canção...
Sua mão tocou na meia delicada, a sensação de tocar nela sobre a pele do rapaz o havia deixado louco. Mas você tinha que se controlar, não poderia destruir algo tão belo e sútil por mais que fosse tão impudico. Você então quebrou o beijo, ajeitou-se sobre as pernas do menino tirando com cuidado as meias quinto oitavos tão queridas – você nunca soube ao certo o que mais lhe dava prazer, rasgar as roupas por completo ou vestir aquele menino como a boneca que era. Ele estava tão belo, o olhar perdido e o cabelo bagunçado de jasmins, a luz da lua e das velas faziam sua pele ir do prateado ao dourado.
... de tirar o fôlego.
Tão delicado.
Tão inocente.
Tão puro.
Como podia um ser desses ser tão érotique?

