Luce seguiu conversando com Daniel, tentando ignorar o olhar perturbador do garoto da lavanderia sobre ela. Uma estudante da Emerald College, com quem tivera a quarta aula do dia, entrou no estabelecimento e sentou-se à mesa dele. Lembrou-se de a garota ter esbarrado violentamente nela, a hostilidade enfatizada pelo visual: cabelo pintado de preto, com a lateral raspada, piercings por todo o rosto e maquiagem pesada. Conversou com o garoto em tom quase sigiloso, irreverência jorrando em cada gesto, o que Luce admirava, de certa forma.
Luce sentiu-se aliviada por não estar mais sendo observada com tanta intensidade. Daniel também relaxou visivelmente. Ambos estavam rindo ao lembrar de um comercial bobo da TV quando Luce pediu licença e foi ao banheiro. No caminho, distraída, esbarrou na garota novamente, e esta derrubou o celular em que digitava. O olhar colérico deixou claro que as muitas desculpas que Luce pediu ao juntar o celular não seriam aceitas. A menina pegou o primeiro prato que viu na mesa ao lado e virou o conteúdo na cabeça de Luce: bolo de carne.
De repente Daniel a estava ajudando a se afastar enquanto ela limpava a comida dos olhos para enxergar.
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