Bedroom Hymns
Bedroom Hymns
Chapter 13 min read

an old solution

Penélope arfava arqueando as costelas, sentindo cada uma delas sendo tocadas por digitais estranhas. Deu seu último suspiro e repousou a sua coluna no colchão áspero, fechou os olhos imaginando-se feliz.


Virou-se e pegou as roupas espalhadas pelo quarto, provas do êxtase anterior, amassadas e reviradas. Seus sentimentos davam voltas em seus músculos.


Ela se vestiu e acendeu um cigarro enquanto descia as escadas, descalça, sentia lágrimas esquentarem seu rosto enquanto enchia os pulmões com a névoa de nicotina.


Já não importava mais contar os pretendentes, a cada dia aparecia um em sua porta, clamando o direito de tomar seu corpo, como um colonizador massacrando qualquer sentimento que possuísse.


Tragou novamente o cigarro com aroma de cravo, dirigiu-se para o pequeno quarto dos fundos, queria estar sozinha, viver sozinha, morrer sozinha, antes de ver o último amante ir embora.


Começou a desfazer o tear que havia cosido na noite anterior, sentia os dedos já calejados pela repetição, o vai-volta de todas as noites, a agulha penetrando no vão da costura, despedaçando-a impiedosamente.


Depositou as cinzas em cima da mesa assim que ouviu a porta da frente bater, tomou coragem e subiu até seu quarto. O mesmo quarto no qual vivia com seu marido, que agora era apenas mais um corpo, entre os milhares perdidos no meio da pilha de desaparecidos desnudos de cadáveres anônimos. O quarto era agora o mesmo local onde entregava-se a sua solidão, envolvendo-se em braços estranhos.


Penélope tentava ter esperanças, mas seus sonhos não lhe permitiam, tentava consolar-se, mas sua solidão não deixava. Tomou todos aqueles homens por escolha própria, escolha do seu desespero, esperando em cada um ver a face do homem, que havia trocado-a pela batalha.


Todas as manhãs molhava-se com lágrimas salgadas, arrependia-se de sua solidão, e todas as noites molhava-se com a língua de estranhos que exigiam seu prazer e o direito de serem possuidores de sua beleza. Seu marido havia ido embora, era melhor não ter esperanças.


Mas a cada um que deixava seus lençóis ao amanhecer ela tornava a ter esperanças, ela voltava ao seu tear, e todas as tardes ela desesperava-se ao perceber que aquilo não iria durar, que gastaria toda a linha do mundo antes que visse o homem que amava deitar-se em sua cama novamente.


Tomada de egoísmo de e prazer ela despira-se de qualquer pudor e arrependimento, esperaria todos os dias pelo retorno de seu marido, teceria o quanto seus dedos aguentassem, e deitar-se-ia com quantos pretendentes sua solidão clamasse. Essa seria sua solução final.



"I'm not here looking for absolution

Because I found myself an old solution"


Comments & Reactions

Share your thoughts, attach collectible stamps, and react with the author and community.

You have reached the latest chapterReturn to story overview
Story Index