Uma semana se passou desde a chegada de Bryan e Liz a Bradford. Neste meio tempo, a menina visitou os moinhos de Saltaire Village e aproveitou para conhecer o lago, passou no museu industrial e no parque Lister. Encantou-se com Cartwright Hall e jogou no Centro de Golf. A cada dia ela gostava mais de Bradford, mas sentia saudades de seu lar. Bryan decidiu contar o que realmente estava acontecendo.
– Liz, eu recebi uma proposta de emprego... Podemos ficar aqui por mais alguns anos. – O homem falou inesperadamente durante um jantar em casa.
– Como assim? – A garota respondeu irritadae surpresa ao mesmo tempo.
– Isso não é de mais? – O Sr. Fanning tentou parecer o mais animado possível.
– Não! – Liz respondeu firme. – Eu quero voltar. Eu tenho uma vida lá.
– Você não tinha muitos amigos lá. E você está na terra da rainha, onde você sempre quis estar.
– Não, eu não quero ficar. NÃO QUERO!
– Liz, não é para sempre. – O pai tentou conformar a filha.
– Eu estava no meu mundo. Eu nasci lá. Eu vi aquela cidade crescer. Todos os meus momentos bons e ruins estão lá, pai.
– Que mundo é esse que você não pode trazer para cá? – Bryan falou irritado e bateu os punhos na mesa.
– Não eram amigos e namorados que me prendiam lá. Os meus sonhos... A maioria deles está lá. As minhas ambições, estão presas àquela cidade.
O Sr. Fanning ainda processava as palavras da filha, o silêncio de ambos era um tempo de reflexão.
– Liz, você pode realizar seus sonhos aqui. Você já tem dezesseis anos, pode dirigir, morar sozinha... – Bryan tentou parecer paciente.
– Você quer que eu vá embora? – A menina respondeu. As lágrimas escorriam livremente pelos seus olhos.
– Não. – O homem suspirou como se agora fosse dizer algo muito difícil. — Olha, a verdade é que eu vou me casar. – A sua voz estava baixa e fraca. – Eu conheci uma mulher, Liz, muito especial em uma viagem para Londres. O nome dela é Mary e ela está grávida. A Mary não sabe que eu tenho uma filha. Mas eu vou contar, Liz. Eu prometo.
– Como se a sua palavra fosse confiável. – A menina falou com a voz trêmula devido ao choro. – Esperava mais de você.
– Eu não podia esperar sua mãe para sempre! – o Sr. Fanning bravejou.
– Eu não te pedi para esperar. Só estou indignada com a o fato de você preferir uma estranha a sua filha. – Liz falou com desprezo. – Isso só prova o que eu sempre desconfiei. Você é frio e mau-caráter. Sabe porque minha mãe te abandonou? Ela te abandonou...
Bryan deu um tapa na cara da filha com força a fazendo cair no chão e gritou:
– Cale a sua boca! – O homem jogou um vaso de flores no chão e esse se partiu.
Ele começou a subir as escadas. Liz tomou coragem e gritou com toda a sua força:
– Ela te abandonou porque você é incapaz de amar. Você só pensa em dinheiro. Você não tem humanidade. Eu tenho nojo de ter o seu sangue.
O Sr. Fanning a encarou, os seus olhos mostravam uma raiva aparente. Ele subiu pegou as malas da garota e jogou no andar de baixo.
– Arrume as suas malas! Você embarcará amanhã à noite! – A garota soluçava, mas assentiu com a cabeça. – Você vai viver na nossa antiga casa, apenas com o dinheiro da pensão. Ou você me pede desculpas e vai morar no hotel, e volta a viver essa sua vida confortável.
– Eu estarei lá.
Liz subiu para o seu quarto e abriu seu diário.
Querido diário,
O meu pai, aquele magnata mulherengo, me expulsou de casa porque vai viver com sua noiva Mary. A Inglaterra é maravilhosa, mas não posso ficar aqui. Eu não tenho tempo para imaginar, viver minhas aventuras secretas. É como se essa terra fosse encantada e que nossos sonhos fossem proibidos aqui.
Até breve,
Liz Lee Fanning.
A menina arrumou suas malas.
Amanheceu e Liz escreveu em um bilhete:
"Sr. Bryan, eu já arrumei minhas malas, estou pronta. Embarcarei hoje a noite pode comprar a passagem. Eu vou para o centro, comprar algumas coisas."
Sem nenhum arrependimento colou na geladeira. Em vez de ir ao centro, a garota foi para uma estação de trem e comprou as passagens para Londres.
Na capital da Inglaterra, ficou andando pelas ruas, meio desorientada. Podia se ver pessoas conversando, amigas compartilhando sonhos, pais e filhos se divertindo e também pessoas apressadas para o emprego. Liz hesitou sobre sua decisão. Depois de pensar muito teve certeza que devia continuar. Seria difícil, mas a garota conseguiria ser feliz.
A garota olhou o Big Ben e constatou que faltavam dez minutos para o seu trem sair. Agora que sua decisão estava tomada, ela não poderia se atrasar. A garota chamou um táxi e partiu para a estação de trens.
Assim que chegou, percebeu que ainda tinha cinco minutos, decidiu aproveitar para comprar algumas lembrancinhas. Passou em uma loja e comprou um colar e uma bandeira da Inglaterra. Correu ao ver que o trem se aproximava.
Entrou e se sentou. Durante a viagem, pegou no sono. O maquinista a acordou gritando:
– Bradford! Chegamos a Bradford! – A menina pulou do trem.
Liz caminhou até a casa de seu pai. Assim que abriu a porta, pôde ver que seu pai a aguardava com raiva. Mas a menina o ignorou e subia até o quarto onde dormira.
– Então é assim? Vai abrir mão do luxo de viver em Bradford e voltar? Saiba que eu não tenho dó. – O homem disse e bufou.
– Sim, eu vou voltar. Não te pedi piedade. – A menina respondeu calmamente.
– Se é assim, aqui está sua passagem! – Disse Bryan, se sentindo contrariado.
– Obrigada. – Liz falou sorrindo, o que enfureceu seu pai.
– Este avião podia cair, não faria a menor diferença. – Seu pai praguejou e a menina o olhou com desprezo.
Como o voo não iria demorar, Liz arrumou suas coisas. E escreveu uma carta para seu pai:
Sr. Fanning, eu tomei a minha decisão e vou seguir com ela até o fim. Sei que está decepcionado e preocupado com um possível escândalo. Fique tranquilo, eu sou sua filha e jamais arruinaria sua imagem. Estou voltando para viver a minha vida com Liz Lee Fanning e não ser apenas a filha de Bryan Fanning.
Com carinho,
Sua filha, Liz.
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