Arthur puxava sua mala de rodinhas pelos corredores de um hotel de luxo, abriu a fechadura eletrônica de seu novo quarto e entrou, agora não mais dividia uma beliche numa pousada de segunda, ao invés disso tinha um salário melhor, um quarto melhor e mais destaque na novela. Ele se jogou naquela cama enorme e reviu tudo que conquistou, havia sido escalado para ser um figurante da novela Cante-me uma canção, mas não tinha se conformado com esse papel e manipulou a opinião pública para obrigar os produtores a lhe dar mais destaque. Aproveitou ao máximo suas curtas falas usando de linguagem corporal para fazer com que shippassem seu personagem Cláudio com o Henrique. Arthur saiu várias vezes com Peter, o ator que faz Henrique, para induzir que pensassem que eram um casal. Essas e outras artimanhas o fizeram ser promovido para o elenco principal.
Naquele mesmo dia iria gravar o primeiro beijo entre Cláudio e Henrique, Arthur devia estar nervoso por beijar um garoto pela primeira vez, mas acontece que aquela não seria a primeira vez. Ele ficou de pé em frente a um enorme espelho e tirou toda a roupa, havia marcas roxas espalhadas por todo seu corpo. Alguns eram chupões, ele se viu na sala do diretor, lembrando da língua daquele homem mais velho percorrendo seu corpo. Ao se virar viu marcas de mãos em suas nádegas, lembrou-se da sensação de serem apertadas, mais ao lado marcas de golpes de cinto, lembrou-se de se debruçar sobre uma poltrona e ser golpeado com força. Sentiu sua pele se arrepiar, lembrou-se do beijo, do cheiro, dele abrindo suas pernas e finalmente da penetração. O jovem ator gemeu e percebeu que estava com uma ereção e correu para o banheiro, para tomar uma ducha fria.
—Eu posso fazer isso, vou usa-lo para alavancar minha carreira. Eu...
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