Without a reason.
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Chapitre 15 min de lecture

Único

Alucard era um homem marcado, homem não, monstro. Mas, o resquício de alma humana que ficara em seu cerne não permitia que sua monstruosidade fosse tão maior que sua ínfima humanidade. E como qualquer outro humano comum, Alucard tinha sentimentos. Estes quais ele nem deveria ter, pois de fato estava morto e os mortos não amam. Bem, logicamente Deus queria zombar dele, afinal mesmo morto ele mantinha a dor dos apaixonados em seu peito, este que nem sequer batia por ela. Mas ele sentia o fantasma de seu coração, pena que apenas ele sentiria.

E ela era o que lhe mantinha de pé, vivo, melhor, morto-vivo. Ele adorava ver a cor dos olhos dela, e o brilho de seus cabelos.
Integra era uma mulher difícil, talvez por isso havia sido tão fácil se apaixonar por ela. Gostava do modo que ela mostrava sua força. Gritando a plenos pulmões suas ordens, o fazendo rir e sentir-se vivo, como se o sangue que corresse em suas veias fosse de fato seu.
Gostava da pureza de alma que ela tinha, gostava ainda mais da pureza da carne que ela jamais escondia. Nunca, nem uma vez se quer, viu a luxúria estampar a tez aveludada dela. Ela era firme em seus propósitos e isso tornava corrosivo o sangue dentro das veias do vampiro. Ele queria maculá-la, e somente um demônio sem coração para querer corromper o anjo que ela era.
E ele não tinha sequer palavras para descrever os breves momentos em que Integra era apenas... apenas Integra. A mulher Integra, jovem e feminina. Por isto, ele se escondia nas sombras das paredes, de onde podia ver ela delicadamente retirar as luvas e percorrer os dedos finos pelos fios platinados de seu cabelo. Ou quando ela cansada de pensar em táticas defensivas retirava os óculos redondos e focava os olhos em um ponto que ele nunca descobrira, e involuntariamente, ele sabia afinal vivia vasculhando a mente dela, ela percorria a ponta do indicador sobre os lábios que ele classificava somente como perfeitos.

E se ele gostava tanto dos momentos únicos de Integra, ele igualmente gostava das coisas corriqueiras. O modo que ela se vestia, insistindo em parecer um homem, mas nunca conseguindo de fato esconder as curvas que seu corpo feminino tinha. A maneira que ela segurava os charutos entre os dentes era uma coisa que certamente somente nela ficava bem. Porque Integra era um ser extremamente sexy, mesmo e principalmente porque ela sequer tinha noção disto.
Ela jamais poderia pensar que enquanto ela ditava ordens para ele, somente metade de seu cérebro assimilava o que ela dizia, ele preferia olhar o modo como os lábios dela tendiam a mexer-se e que por vez ou outra parava para tragar o charuto soltando a fumaça cinzenta de um modo que deveria ser considerado pecado mortal. Havia também o perfume. O doce perfume que ela exalava quando perto demais dele passava. Era perturbador.

Havia muitas peculiaridades em Integra que atiçavam a imaginação de Alucard. O fato de ela ser uma eximia atiradora lhe instigava sobre a força que ela tinha nos braços. Integra era boa em hipismo também e certamente ela tinha um belo físico abaixo de todo aquele pano verde. Raras foram as vezes que ele pode ver Integra com pouca roupa, em uma delas, Integra estava suficientemente doente para não prestar atenção que estava apenas com uma camisola longa e com a preocupação ele também não notara na hora. Da outra vez, e desta ele estava menos preocupado, então poderia ter aproveitado mais, a mulher lhe enfiou um tiro em cada olho, privando-o assim de sua visão, tempo suficiente para que ela colocasse um pesado roupão felpudo.

Mas ele não amava apenas as inúmeras coisas que ela demonstrava, amava porque ela era sua prometida, e também por não ser ela. Ele era incoerente e não sabia cem por cento ao certo que se o que o prendia a ela era o feitiço da família ou o que sentia em seu peito morto. Ele tinha Integra em estima, ela vivia em um pedestal para ele, sempre bela e intocável. E naquele momento em que ela cravara os olhos azuis nos dele e apenas o olhava ele não pode explicar o que o estava mantendo tão dócil justo quando ele podia fazer algo e pela primeira vez que ele achava que ela sequer iria replicar. Ele amava a alma dela, pura e se maculasse aquele ser, se sequer pintasse uma mancha naquela alma ele jamais se perdoaria. Não iria deixar de amá-la. Nem sua noiva ele amou tanto, nem Mina, e duvidava que haveria outra além dela.

– O que foi maldito vampiro, está parado ai há horas me olhando, já me irritei. Não era isso que queria? Então suma e me deixe em paz.

Ele somente amava. Com muitos porquês, e sem nenhum deles também.


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