Os 13 anos. Ah, essa idade magnificamente idiota, onde você começa a perceber o mundo como ele é. Isso significa que você passa a reconhecer que boa parte (mais que a metade) do mundo é, digamos, ignorante e mesquinha. Para alguns, isso significa ser definitivamente um "filho da puta". Mas, acho que dizer isso não é lá muito educado.
Eu já tinha sido obrigada a usar um suéter brega feito por uma das minhas tias-avós distantes, já tinha ganhado um par de sapatos de salto (mesmo tendo treze anos apenas e não me sentir nem um pouquinho confortável com tais) e coisas muito piores, porque simplesmente era o dia do meu aniversário. Trinta e um de janeiro, traduzindo, último dia de férias. Okay, além de ganhar uma péssima festa de aniversário, eu estava abandonando as férias de verão e entraria no oitavo ano.
— Hey, feliz aniversário. — era Taylor, carregando um presente e me estendendo um braço para me abraçar.
— Aaaaah, graças a deus você chegou, salvou meu dia!
— Por quê, sua tonta?
— Te conto. Agora me dá o presente, vai, vai, me dá issooooo!
— Okay, Okay.
Subimos as escadas de casa e entramos no meu quarto, que ficava no sótão. Saímos pela janela e nos sentamos no telhado que ficava em frente a ela, era meu esconderijo. Eu estudava, desenhava e refletia naquele lugar. Era e sempre foi meu ponto de encontro comigo mesma. Só ali eu podia pensar em paz, sem ninguém me avisando sobre lições de casa e coisas do tipo.
Rasguei o embrulho do presente sem esperar um segundo. Coturnos. Um par novinho de coturnos pretos. Encarei Taylor. Ela sorriu.
— E aí? Gostou?
— Taylor, isso... Isso...
— É maravilhoso? Lindo? Foda? O quê? Fala logo!
— Diferente.
— Como?
— Diferente.
Eu não sabia o que sentir naquele momento. Felicidade ou estranhamento. Aquele simples par de botas do exército despertou um "eu" interior que eu ainda não conhecia. A parte, digamos, rockeira da minha alma.
— Taylor, você é a melhor pessoa do mundo.
Seu sorriso desapareceu de seu rosto, e ela olhou para suas pernas, esticadas fazendo com que seus pés ficassem pra fora do telhado.
— Nossa.
— Sério, Tay. Eu não sabia que fazia parte desse estilo de vida.
Conversamos mais um pouco e fomos dormir. Taylor ia dormir em casa, arrumamos uma cama pra ela e dormimos rápido.
Tivemos de acordar cedo. Claro, tínhamos que ir pra escola.
Colocamos o uniforme, arrumamos nosso material e descemos para tomar o café da manhã. Meus pais ainda não tinham acordado, então cada uma pegou uma maçã e saímos de casa apressadas.
Chegando no colégio, verificamos numa placa em qual sala estaríamos e, felizmente, caímos juntas. Nos direcionados até a sala de aula e nos sentamos. Eu na primeira carteira de uma fileira e Tay na segunda. Haviam muitos alunos novos. Fizemos uma das aulas. Na segunda, três garotos atrasados, riam, e chamaram nossa atenção. Dois deles tinham um cabelo comprido e armado, um loiro e outro moreno.O outro tinha o cabelo curto mesmo, e era bem bonito, assim como os outros dois. Eles gargalhavam, e a coordenadora da escola entrou junto com eles, falou com a professora e saiu.
— Gente, esses são Michael, Saul e Brandon. Eles são os desordeiros atrasados.
Eles se sentaram no fundo da sala, eu e Tay os seguimos com o olhar. De repente, um bilhetinho foi passado pra mim. Era de Taylor.
" Que gatos hein?"
Respondi.
" Siiiim, muito, cara."
Logo, o bilhete foi passado de volta pra mim.
" Vamos sentar lá atras e ficar com eles?"
" Não, tenho que prestar atenção na aula"
" Ah... Então, que tal no intervalo?"
" Fechado."
E guardei o bilhete no estojo.

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