Era noite.

Integra olhava curiosa para a janela a sua frente. Observava a lua, sempre adorou fazer isso, era um dos poucos prazeres que a Hellsing podia ter, mas dessa vez ela não a observava com a tamanha atenção de seu costume, olhava apenas vagamente para a lua, como se estivesse presa a um dilema muito profundo.

“Chamou-me?” A voz grossa ecoou em seu escritório, uma voz no tom cordial, mas com um ‘quê’ de cinismo.

“Que cor era?” A loira perguntava sem fitar o vampiro atrás de si.

“Cor de quê, exatamente?”

“Dos olhos.” Ela tragou o charuto exalando a fumaça acre. “Dos SEUS olhos...”

Alucard se aproximou.

“Não pode ver? São vermelhos como seu sangue quente...”

“Digo de quando era...”

“Humano?!” Ele interrompeu se afastando “Por que quer sabe, minha mestra?”

“Isso não lhe importa, vampiro!” Ela girou sobre seus calcanhares para em fim fita-lo “Apenas responda-me, é uma ordem!”

Alucard olhou para os olhos frios como o gelo de sua bela mestra. Ele fez uma pausa, como se estivesse tentando lembrar.

“Verdes” Ele disse por fim.

“Ah! Alucard, isso é muito clichê!”

“Não lhe entendo...”

“como não? Não há nada mais clichê do que o Príncipe Encantado ter olhos verdes!” Ela parecia brava. “Não minta para mim!”

“Não estou mentindo, por que eu mentiria?... e o mais importante: por que me compara com um Príncipe Encantado?”Alucard cruzou os braços e se aproximou ainda mais da loira.

“Como vou saber que não mentes?”

“Porque não tenho motivos para mentir sobre isso, que é, por acaso, um assunto que não gostaria de falar mais!”

“E por quê?”

“Porque...” O vampiro se aproximou, até demais, do rosto da Hellsing “Porque não me traz lembranças agradáveis!”

“Qual tipo de lembrança?” Ele se afastou “Explique-se!”

“Como quiser... minha Mestra.”

_____Flash Back ON_____

***Instruções de Flash Back: Alucard é o narrador, mas também participa da história***

Na antiga Romênia, grande parte das pessoas possuía olhos claros, incluindo eu e mais da metade de meu exército.

Uma de nossas vitórias seria mais fácil, na medida do possível, se cortarmos quase 3/5 do caminho. Assim teríamos mais energia para a verdadeira luta. A idéia do atalho foi minha, em vez de subir e depois descer a montanha, apenas passaríamos por um vale, passando por pequenos e insignificantes povos, até alcançar o acampamento, desprevenido, de nossos inimigos.

Inicialmente a idéia parecia perfeita, o vale era rico em recursos como água e alimento. O que nós não sabíamos é que um dos povoados possuía um numeroso exército e para piorar o Senhor do povoado acreditava que a cor dos olhos revelava se a alma do ser era pura ou não. E para nosso azar olhos claros significariam alma dominada pelo ser das trevas.

______Flash Back Off____

“Deixe-me adivinhar: seu exército teve de lutar com o adversário não esperado, e seus homens de olhos claros foram aniquilados...”

“Não sei como isso tudo foi acontecer. Me lembro perfeitamente do céu escurecer com a chuva de flechas, dos meus colegas serem apunhalados, do som agonizante dos cavalos sendo derrubados, do tilintar da lamina da espada que se encontrava com outra... Grande parte dos meus guerreiros sobreviveram, mas nosso número reduziu tanto que não venceríamos a próxima batalha, e esse foi um dos erros que me fez por um pé na cova, literalmente.” Alucard riu ironicamente “Fico feliz por meus olhos serem vermelhos agora!”

“Apenas porque não te faz lembrar desse dia...” Integra estava pensativa.

“Exatamente.”

Commentaires & Réactions

Partagez vos impressions, collez des timbres à collectionner et échangez avec l'auteur et la communauté.

Index de l'Histoire