The Canadian Enigma
The Canadian Enigma
Chapitre 15 min de lecture

Prólogo - Apocalipse

As pessoas estavam todas muito agitadas, ansiosas para o show que começaria dentro de cinco minutos. Seria o último e maior show do Simple Plan daquela turnê e o nervosismo já começava a brotar pelos corpos dos cinco rapazes. Apesar de já terem feito centenas de shows, eles não podiam deixar de se sentir assim. Cada show que faziam era único, cada um tinha uma energia diferente, e as pessoas nunca eram exatamente as mesmas, o que exigia cada vez mais criatividade para surpreendê-las.

Enquanto eles se preparavam para entrar, uma voz anunciou o impressionante total de 100 mil espectadores. A surpresa passou pelos rostos dos músicos, arrancando-lhes exclamações de perplexidade, já que ninguém esperava um público tão grande nos Estados Unidos. Logo em seguida, a mesma voz se fez ouvir anunciando a banda, logo sendo abafada pelos gritos excitados dos fãs.

Pierre incentivou os outros, e eles adentraram ao palco. A agitação das pessoas era quase tocável. Logo eles perceberam que aquele não seria um show comum. Para todos os lados que olhassem, eles sempre encontravam um número infindável de espectadores, ansiosos demais para o início do espetáculo. A animação era total e os gritos, ensurdecedores.

Quando as luzes finalmente focalizaram Pierre, ele acabava de ajustar o microfone para que ficasse da altura de sua boca. Sem querer fazer com que as pessoas esperassem mais do que deviam, ele fez um breve discurso de agradecimento e boas-vindas para, logo em seguida, deixar que Chuck ressonasse sua baqueta, dando a primeira nota da canção. As pessoas gritaram ainda mais quando Pierre começou a cantar, tentando acompanhar a letra da música. Sua voz soava estranhamente rouca para os seus ouvidos naquela noite. Ele não admirou, afinal, tinham sido tantos shows em tão pouco tempo, que já seria de se esperar que houvesse uma mudança hoje. Ele podia dizer que estava feliz com o término da turnê. Ainda mais porque, depois do show, ele poderia tirar o atraso de todas as noites não dormidas.

Pierre estava muito concentrado na música e no seu público, por isso, ele só se deu conta de que havia algo errado quando as pessoas começaram a adquirir uma expressão preocupada. Virando-se para David, ele percebeu que o baixista lhe lançava olhares furtivos. Pierre não entendeu até voltar seus olhos para cima. Um problema na iluminação estava lançando fagulhas logo acima de sua cabeça.

Depois disso, tudo aconteceu muito rápido. Os gritos das pessoas agora eram de pânico e desespero. A música parou subitamente e Pierre foi lançado diretamente para o lado oeste do palco. Tudo a sua volta tremeu e uma grande explosão se fez ouvir, alta e enlouquecedora. O lugar foi tomado pelas chamas, que rapidamente consumia tudo o que via pela frente. O choque foi tanto que só depois de algum tempo Pierre percebeu que alguém o empurrara para longe da catástrofe. Os braços de Seb ainda estavam ao seu redor, mas ele estava inconsciente. Sua cabeça sangrava muito, exibindo um corte profundo que ia desde a lateral de sua testa até a extremidade de seu queixo. Alguns gemidos de dor e sofrimento fizeram-no se virar para a frente do palco, e o que ele viu, parecia mais uma cena saída de um filme de terror.

O horror logo tomou conta de seu rosto, na medida em que ele percebia os corpos amontoados, espalhados por todo canto em que ele olhasse. As pessoas, jovens na maioria dos casos, estavam deitadas em ângulos impossíveis, o sangue se espalhava rapidamente sobre elas. Alguns eram impossíveis dizer se eram homens ou mulheres, tamanha a sua disformidade. Aquela cena bizarra se pregou na mente de Pierre, impedindo-o de desviar os olhos. Um arrepio sinistro tomou conta de todo o seu ser. Era difícil de acreditar que aquilo tudo não se passava de um terrível pesadelo. O trauma foi tamanho que levou algum tempo até que ele se lembrasse dos outros amigos. Tremendo de medo, ele voltou os seus olhos para o palco, mas todos estavam caídos, desmaiados e com grandes feridas abertas que se espalhavam por todo o corpo. A aparência deles era a pior possível. Aparentemente, Pierre fora o único que não perdera totalmente a consciência. Ele devia estar horrível também, mas naquele momento aquilo não importava. Seus amigos não podiam estar mortos, ele se recusava a pensar nessa possibilidade. Talvez aquilo fosse mesmo um sonho, talvez o show nem tivesse começado ainda. Ou talvez... todos haviam morrido com a explosão inexplicável. Ele se assustou com o pensamento, o choque tomando conta seu corpo. Sua cabeça latejava de dor enquanto ele tentava colocar os pensamentos no lugar. Ele só podia estar louco, aquilo simplesmente não podia estar acontecendo. As pessoas, os corpos, tudo era horrível demais, macabro demais para ser verdade. Em algum lugar, as chamas ainda ardiam.

Lá longe, Pierre pensou ter visto vultos se movendo, mas não podia ter certeza daquilo. Tudo era tão impossível, tão inacreditável... Então, em algum ponto, um grito distante o despertou e uma luz azul fantasmagórica incidiu sobre o seu corpo, o deixando momentaneamente cego.