Reflections of Love
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Chapitre 14 min de lecture

Capítulo 1

Eu não sei se estou fazendo certo em contar esta história, em tornar pública esta trama, da qual faço parte, mas, vamos lá. Ainda me vêm à memória cenas das quais nunca esquecerei. Colocá-las em ordem e deixar tudo assim, pra quem quiser ler, não vai ser fácil, mas estou me esforçando. Pois bem, vamos aos fatos.

A primeira coisa que fiz quando terminei de ler o parágrafo do livro \"A Quarta Dimensão\", de Paul Yong Cho, foi fazer exatamente o que tinha descrito lá: a lista. Anotei tudo. Cor dos olhos, da pele, físico, personalidade. Exatamente como o livro ensinara. Peguei o papel. Coloquei a data: 14 de julho de 1999. Colei atrás do espelho de meu quarto. Agora era só esperar. Com o título de \"meu namorado e futuro marido\", devia lê-lo todos os dias quando fosse dormir e orar para que tudo desse certo.

A fé que tudo aconteceria era tão grande que eu até podia visualizá-lo. Alto, moreno claro, olhos cor-de-mel penetrando nos meus. Seus lábios esboçando um sorriso de dentes perfeitos, rodeado por um cavanhaque bem aparado. Seus braços estendidos para um abraço aconchegante e protetor.

Podia até ouvir sua doce voz cantando para mim. Seria sonho? Poderia até ser, mas estava certa de que iria se realizar. Meu coração batia forte cada vez que eu lia o papel atrás do espelho. Daria realmente certo? A única certeza que eu tinha é que estava fazendo exatamente certo. Se os resultados viriam, só o tempo poderia dizer.

— **--**--

No colégio, a rotina de sempre. Três aulas, recreio. Fomos para o mesmo lugar, conversar coisas engraçadas, como fazíamos todos os dias. Saulo tomando o seu \"sagrado toddynho\", como todas as manhãs. Nada seria diferente, pra variar.

Aquela cena de nada me atraía, a não ser por uma coisa. Algo de bastante normal, alguém passar por ali, indo em direção à quadra. Ninguém notou a minha paralização, minha respiração suspensa. Não era ninguém importante, nem alguém que não tinha visto antes, mas só agora tinha parado para admirar sua beleza. Segui-o com o olhar, até não poder vê-lo mais. Não pude disfarçar minha admiração:

\"Que cara lindo!\"

Já pode-se imaginar o que aconteceu depois. O grupo inteiro se virou para mim em busca de alguma explicação. Fiquei desnorteada. Ísis perguntou quem era.

\"É o rapaz que dançou na Abertura dos Jogos Internos.\"

Patrícia Miranda não achou ele bonito. Afinal, não faz o tipo dela. Patrícia gosta de brancos, assim como ela. Eu prefiro os morenos. E era assim que ele era. Alto, físico atlético, moreno.

\"Ele joga vôlei\" ouvi uma voz distante falar.

A mão enfaixada denunciava a contusão que teve nos últimos jogos escolares realizados em Maceió, e que dava um charme a mais. Seus olhos escuros penetravam meus pensamentos em apenas um rápido olhar. Seus lábios pediam um beijo que, se insistisse muito, eu não mediria esforços para dar. Mas ele estava longe do meu alcance. Nem seu nome eu sabia. Resolvi deixar pra lá, afinal, eu já era praticamente comprometida, comprometida com um papel atrás do espelho. Mas já posso adiantar que não foi fácil. Qualquer mulher, por mais sensata que seja, nunca esquece um rosto sedutor, típico cafajeste. E era nesta situação em que eu me encontrava.

Passava os dias olhando aquele rosto. Cada vez que passava por ele, eu estremecia. Mas ele não me notava. Eu era apenas um rosto na multidão. Ísis sempre me encorajando, mas eu preferia assim. Eu sabia que ele não era para mim. Ele nem se parecia com o papel do espelho. Mas algo me puxava a ele. Cada dia mais eu me segurava para não olhar para ele. Queria que ele me notasse, mas diferente das garotas que o rodeavam. Queria que ele visse que eu era direita, típica garota \"apaixonável\". Eu não me achava linda, mas gostava da minha imagem refletida no espelho.

Espelho.

Sempre ele pra me lembrar que eu era de outro home. Onde será que eu estava com a cabeça?

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