One Shot - Life Of Survival
One Shot - Life Of Survival
Chapter 15 min read

Capítulo Único.

Capítulo único.

- Agarre o tão cobiçado milagre com a mesma vontade de existir, porque a vida é um jogo de sobrevivência. – Ele me disse com um sorriso meio psicopata no rosto, era o meu sorriso favorito dele, normalmente quando ele estava feliz ou nervoso.

Meu nome é Mary, tenho 25 anos. Quando tínhamos 12 anos, meu irmão, chamado Haruka e eu fugimos de casa. Somos gêmeos, nós fugimos de casa porque nossos pais não confiavam em nós e nos chamavam de assassinos, pelo nosso modo de pensar. Então, fugimos e começamos a morar sozinhos, roubando para viver, mas nunca matávamos porque apenas queríamos viver e não matar ninguém. Vivíamos uma vida de perigo, mas algo me dizia, que se eu estivesse com ele, nada poderia me impedir de ser feliz e eu estaria segura para sempre. Até tudo aquilo acontecer...

Era dia 15/04, estávamos fazendo 26 anos. Era só mais um dia normal, fora o fato de ele ter me falado:

- Ei, me promete uma coisa? – Ele me mostrou o sorriso pacifico dele.

- Certo... O que é? – Perguntei. Ele nunca tirava aquele sorriso bobo do rosto dele, por mais que a gente estivesse passando por algo ruim, ou se ele sofresse, ele não ligava, estava sempre sorrindo para mim, falando que tudo daria certo, nunca tinha o visto chorar por uma dor.

- Promete que nunca vai me deixar? – Ele sorriu e fiquei meio corada. – Você foi minha única amiga nesses 25 anos, agora 26... – Ele deu um suspiro, isso era verdade, nossos pais não nos deixavam freqüentar a escola, já que nos achavam estranhos, por odiarem os seres humanos, foi assim que aprendi a conviver com ele e ele a conviver comigo, provavelmente porque vivíamos juntos e por esse motivo de odiarmos todos. – Promete? – Ele ainda sorria.

- Claro, mas por que isso logo agora? – Ri naquela hora, ele riu também. Ele não estava como sempre, mas ainda era o mesmo idiota, éramos criminosos, mas tínhamos uma vida tranqüila, nenhum policial ligava muito para nós, eles só queriam poder viver, eram bastante egoístas, todos que tentavam nos procurar, nunca nos achavam, éramos conhecidos por rostos antigos, vivíamos mudando cortes de cabelo, aparência, etc. Mas era legal levar a vida apenas como um jogo de sobrevivência onde se você não sabe jogar, não sabe as técnicas certas para viver, você não passa de um perdedor que não tem direito de viver.

Mas me considero uma pessoa boa, considero o Haruka alguma pessoa boa também. Não gostamos de ver os outros viverem, mas gostamos de viver e sabemos que um dia todos nós vamos morrer no final.

- É melhor você comprar algo no mercado com o dinheiro que ganhamos ontem... – Ele sorriu.

- Certo! – Eu disse, antes de eu ir ele me abraçou.

- Eu amo muito você, irmã. – Ele sorriu e eu retribui o sorriso, depois fui embora.

Quando voltei, a porta de casa estava arrombada. Entrei correndo dentro e vi Haruka sangrando no chão, ele estava morrendo pouco a pouco, eu fui até ele, eu o abracei e ele sorriu.

- Eu sabia que você viria... – Ele disse com dificuldades. – Hoje iriam nos matar outros dois criminosos, por isso pedi para você sair, para você sobreviver... Mas sei que você vai estar ao meu lado para sempre... – Naquela hora eu já chorava... Eu iria me matar para poder seguir o caminho com ele, não queria perder meu irmão, mas naquela mesma hora que pensei isso... – Não se mate, você ainda tem muito que viver. – Ele disse, ainda com um sorriso no rosto, foi como se ele tivesse lido meus pensamentos... – Quando alguém vai atirar em outra pessoa, esse alguém vai ter que estar pronto para ser atirado... – Ele começou a fechar os olhos lentamente, como se tentasse resistir. – Mary... Eu te amo! Obrigado por tudo! – Ele sorriu e eu o abracei.

- Eu também! – E então ele fechou os olhos de vez, ele estava morto. Eu decidi que iria viver para ele e quando eu morresse, eu o encontraria e ele estaria feliz e orgulhoso por tudo que eu tinha feito.

Passaram-se cinco anos, com 31 anos eu fui morta, baleada. Quando morri, acordei em um lugar claro e lindo. ‘’ O Inferno não é tão ruim ‘’ pensei e logo percebi que era o paraíso... Haruka estava ali, de pé, rindo para mim. Ele me encarava com o mesmo sorriso idiota no rosto.

- Você também veio para cá, ainda bem, não conseguia mais esperar para te ver... – Naquela hora, eu já chorava de emoção e o abracei, o derrubando no chão. – Fomos premiados, levamos a vida como uma sobrevivência e acabamos ganhando a eternidade juntos, aqui no paraíso. Iremos mesmo ficar juntos para sempre... – Não respondi, percebi que o silêncio também era um tipo de conforto, ele entendeu a minha reação, eu acho.

Se me arrependo de tudo? Não, sempre levei a vida como um jogo e estava certo. Cada humano joga no jogo do seu modo para uma própria recompensa. Eu fui ao paraíso, para encontrar minha recompensa, que eu tinha perdido há cinco anos atrás. Eu não ligaria se eu estivesse no Inferno, só queria estar com o Haruka... Eu nunca fui tão feliz como naquele momento...

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