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Manhã de Natal

Rockonha

Manhã de Natal
Chapitre 14 min de lecture

Capítulo Único

Os raios de luz invadiam suavemente o quarto pelas frestas da cortina, ainda era cedo, em vista de que a ceia do dia anterior acabou virando noite adentro. Porém, o pai pôde ouvir o som das vozes das filhas e do marido vindas do andar andar de baixo. Deveria se juntar-se a eles, antes de Kuzan em pessoa subisse e o buscasse pelas orelhas, com olheiras enormes e humor destroçado pela noite mal dormida. Em dias normais, Sakazuki acordaria às cinco da manhã sem complicações, entretanto, essa havia sido a hora em que pôde finalmente pegar no sono, após limpar toda a bagunça feita pelos convidados — E estava em frangalhos —, só que suas responsabilidades como pai eram mais importantes que o sono (ou talvez fosse a falta de paciência para outra discussão com Kuzan, em plena manhã de Natal). Ele levantou-se da cama, acabado, profundamente arrependido de não seguir o que Kuzan disse sobre acordá-las e darem os presentes à meia noite, ao invés de esperar pela manhã de Natal. Sua cabeça doía, tanto por causa da ressaca, quanto pela noite de sono curtíssima a qual mal conseguiu ter. De tal modo que mal pôde colocar o pijama antes de ir para a cama, adormecendo com o suéter vermelho, extremamente desconfortável, que ganhara de Issho, e, após saber que havia sido tricotado à mão, não teve coragem de tirá-lo. O caminho até o andar de baixo era curto, ou talvez a culpa fosse dele por permanecer ainda muito grogue, mas ali não era a hora para demonstrar fraquezas, talvez pudesse fazer mais tarde após o almoço e tirar um cochilo. Ele mal pôde chegar à sala quando foi surpreendido com um pequeno furacãozinho pulando pra lá e pra cá com sua nova boneca. — Papai, papai, olha só o que o papai Noel me trouxe! Ela não é linda? Hibari gesticulava, animada, pulando por toda sala, tal qual milho de pipoca quente na panela, enquanto Robin, por outro lado, apenas abria seus presentes tranquilamente (ela já sabia os livros que iria ganhar, afinal foi ela quem os escolheu), como se fosse outro dia como qualquer outro. Sim, aos 10 anos ela já sabia a verdade sobre o Papai Noel, entretanto, estava demonstrando total maturidade em fingir que acreditava na existência do bom velhinho, apenas para não desencorajar a irmãzinha. — Feliz Natal, Sakazuki. — Kuzan aproximou-se, apoiando a cabeça em seu peito, ainda sonolento, comigo olheiras enormes debaixo dos olhos e o cabelo completamente bagunçado — mas, coberto por uma touca típica da data comemorativa, que caiu com a aproximação da mão de Sakazuki —. Provável que ele tivesse sido a primeira vítima da euforia vinda de Hibari e da impaciência de Robin, ambas com apenas uma ideia em mente: comer os biscoitos decorados que era tradição fazerem e, em seguida, abrir os presentes. Sakazuki agradeceu mentalmente o cônjuge por deixá-lo dormir mais um pouco antes de não ter escolhas se não levantar. — Feliz Natal, Kuzan. — ele apenas acariciou seus cabelos, não querendo arriscar o contato com a boca dele, já que mais que provavelmente não deveria ter tido tempo para escovar os dentes e o hálito de álcool ainda era presente. Ambos continuavam grogues demais para entender direito o que acontecia naquele momento, mas, precisavam ao menos fingir que estavam interessados na abertura dos presentes. Sakazuki não suportava o Natal, assim como Kuzan, mas tinham duas crianças que amavam o dia do nascimento do tal menino Jesus, então, precisavam aguentar todos os anos rituais típicos da data, incluindo abrir presentes e fingir que era uma atividade legal, apenas porque queriam vê-las felizes e sorrindo.

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