Look into my eyes
Look into my eyes
Chapter 17 min read

Dedos frágeis

Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)a sua primeira rosa

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

E.E. Cummings

— Por favor, Regina, são apenas algumas semanas. Prometo - Edward disse apressado, balançando alguns papéis no ar.

— Ainda não falei com minha esposa, Ed – Tentou mais uma vez ligar para Emma.

— Ela vai aceitar. Ela é gente boa. Por favor, Regina. E você sabe que me deve uma.

Regina fechou a feição, odiava ser cobrada por favores. – Tudo bem. Vou ver a garota. Não garanto nada.

Edward gruniu saltitante, fazendo Regina fazer careta ao bater a porta do carro. - Você precisa disfarçar melhor Ed, voou purpurina em mim.

— Há apenas você e eu, minha heterossexualidade está a salvo.

Regina revirou os olhos. “Como se existisse alguma” pensou e olhou receosa para o local gradeado e com cercas afiadas altas. – Quantos anos essa menina tem mesmo?

— Sete. – Olhou os papeis.

— E precisa disso tudo? Parece uma prisão. – Torceu o nariz ao ver um guarda armado rondando o outro lado.

— É melhor que o lugar onde você tirou os gêmeos.

— Eu tirei eles de uma poça de vomito e drogas, qualquer coisa é melhor que aquilo.

O portão se abriu, duas garotas saíram, ambas muito machucadas. Regina engoliu a seco.— Apenas para refrescar minha memória, o que essa garota fez mesmo?

— Ainda não sabemos, resgatamos ela de um incêndio – abaixou o tom de voz— criminoso.

— Por favor, não fala que foi ela que pôs fogo. Me casei com uma policial, não com uma bombeiro. – Regina olhou sério para Edward— Sem bobeiras.

— Que pena amapoa, tinha uma frase perfeita em mente. A sua é a loira. – Edward entregou os papéis a um guarda armado, guarda esse que empurrou a loirinha de olhos amedrontados para frente. O empurrão fez seu frágil corpo sacolejar, quase deixando cair uma ovelha encardida de pelúcia no chão.

— É essa aí que vai ficar com a garota? — A voz do guarda era grave e alta, como um comando.

— Ainda não sabemos. – Ed olhou receoso da garota para Regina. – Ainda não sabemos. – sua voz saiu mais fraca. – Se ela não ficar, teremos que levar a um orfanato.

Regina olhava a pequena garota abraçada a pelúcia, como se aquele inútil objeto fosse protegê-la de algo. Os olhos fixos no chão.

— Ei! – O guarda falou, o som ecoando pelo pátio cheio de papelões.— Você vai levar a garota ou não? Ainda tenho essa outra aqui pra entregar. – Apontou para a garotinha emburrada. Arrumou a arma na cintura e empurrou a descabelada loira para frente, separando-a da emburrada.

A pequena olhou para Regina, seus olhos azuis marejados. E tudo que Regina pode ler ali era: “me ajude”.

— Irei... – olhou para Ed— Mas... será apenas algumas semanas.

— Você não vai se arrepender Reg.

“Tomara” Regina pensou ao analisar as faixas e ataduras da menina.

Tentou mais uma vez falar com Emma.

***

— Então, essa é sua casa temporária. Espero que se sinta bem aqui. – Estacionou o carro e olhou para trás, sorrindo para a menina encolhida. – Eu gosto muito dessa casa, sem fogo, por favor. – Tentou brincar, mas se arrependeu ao ver que a menina se encolheu mais, agarrada ao cinto.— Desculpa, foi uma brincadeira.

A menina balançou a cabeça devagar.

— Olha, tenho mais três filhos. Eles são mais velhos que você. Mas, realmente espero que vocês se deem bem, ok? – A menina apertou sua ovelha— Vamos sair do carro.

Regina abriu a porta e ajudou com o cinto, olhando com um certo incomodo a ovelha extremamente encardida. “Precisa urgente de um banho. E não é só a ovelha que estou falando”, pensou abrindo a porta de casa.

— Oi mãe! O suco acabou. – Jesus passou por elas com uma caixa de suco, indo em direção ao seu quarto.

— Ele quis dizer que ELE acabou com o suco. – Marianna andou em direção ao seu quarto— Preciso de 20 dólares hoje à noite, mãe. – Subiu para o quarto com pipoca e refrigerante.

— Preciso de uma softbox nova pra gravar meus vídeos, mãe – Brandon gritou do corredor.

— Venham todos aqui agora! — Regina falou alto, assustando a menina que se escondeu atrás de suas pernas.— Desculpa querida. – sussurrou para a pequena.

Jesus, Marianna e Brandon voltaram a sala, parando em frente a mãe e a nova criatura.

— Primeiro damos boa tarde, depois pedimos as coisas.

— Mãe, boa tarde, compra suco. – Jesus brincou.

— Peça a sua outra mãe... – olhou para o trio— Isso vale para os três, eu não sou um banco. Agora deixe-me apresentar a Lara. Essa linda garota ficará algumas semanas com a gente.

Lara não se mexeu, não olhou para o trio, apenas apertou mais suas machucadas mãos na ovelha.

— Ei, o que aconteceu com ela? – Jesus falou se aproximando, fazendo Lara recuar e se esconder mais atrás de Regina, mãos agarradas as pernas da morena.

— Ela esteve em um incêndio. Os outros machucados era da onde ela estava... Eu acho.

Marianna tentou se aproximar, Lara se agarrou mais as pernas de Regina, suas unhas arranhando a meia calça. Desespero. Regina percebeu que a menina estava desesperada.

— Vão garotos. Toma aqui o dinheiro pro suco, Jesus. E vocês dois vão pedir a Emma – Se abaixou em frente a Lara.— Querida, não precisa ter medo deles. Aquelas três criaturas são pessoas boas e vão te ajudar no que você precisar. Quer me ajudar fazer a janta?

Receosa, Lara balançou a cabeça.— Tigra pode ajudar?

Pela primeira vez Regina ouviu a voz da menina, era doce e frágil. – Tigra? Mas ela é uma ovelha.

Lara olhou confusa entre Regina e a pelúcia. – Não pode ser Tigra?

— Claro que pode, querida. Ela pode ser tigra, tigresa, princesa, o que ela quiser ser.

Lara sorriu mostrando um dente molar ausente, fazendo Regina sorrir.

Os preparativos do jantar correu bem, com a ajuda animalesca de Jesus que fazia palhaçadas, na tentativa de fazer Lara sorrir. Marianna conversava em seu celular e Brandon lavava as vasilhas sujas que a mãe colocava na pia.

— Janta pronta, todos lavando as mãos. Pia, vão – Regina fingiu bater o pano em Jesus que pegava uma batata à dorê.

Lara não se mexeu, continuou sentada em sua cadeira atrás da mesa. Encolhida, olhos arregalados para Regina.— Você também querida. – Lara apenas balançou a cabeça em negativo.

Regina sentou ao lado de Lara.— Sabe por que temos que lavar a mão? — Recebeu um balançar de cabeça— Porque bichinhos entram debaixo da nossa unha e se não lavarmos, eles vão tudo pra nossa barriga. – Lara olhou assustada para as mãos— Você quer eles em suas mãos?

Balançou a cabeça freneticamente e desceu da cadeira. –Marianna, ajude ela a lavar a mão.

Em poucos minutos todos estavam jantando à mesa, quando a porta da casa foi aberta, passando por ela alguém muito esperado.

— Só espero que você não tenha comido porcarias na rua. — Regina avisou

— Jamais trocaria a janta deliciosa de minha esposa por porcarias na rua. – deu a volta em torno da mesa selou os lábios da mulher.

— Então, por que sua boca está cheirando a morango e baunilha, miss Swan?

Lara se jogou debaixo da mesa, assustando a todos.

— Ao menos sabemos algo sobre ela, que tem medo de policial. – Resmungou Marianna.

— Alguém vai me explicar o que está acontecendo ou tenho que entrar de novo? – Emma olhou ao redor na mesa.

— Mãe trouxe uma menina pra casa. – Brandon falou pegando mais batatas.

— E quando pretendia me dizer isso, querida? — Emma se abaixou sob a mesa, perguntando à sua esposa que tentava tirar Lara do seu esconderijo, esquivando das cadeiras.

— Quando você pretendesse atender ao telefone. Da pra me ajudar?

Emma ajoelhou no chão e pegou a ovelha, fazendo Lara sair e tentar pegar da mão da policial.— 1x0 pra Swan. – Entregou a pelúcia a menina que se agarrou novamente as pernas de Regina— Agora você vai me explicar, Srta Regina?

Comments & Reactions

Share your thoughts, attach collectible stamps, and react with the author and community.

Story Index