
“A prefeitura está oficialmente fechada e todas suas atividades suspensas enquanto sua sede continuar assombrada” uma repórter da rede de televisão local anunciou ao vivo, enquanto uma multidão assistia à transmissão. “Os exorcistas públicos não estão dando conta da possessão do prédio e todos os funcionários foram evacuados. A situação é perigosa.”
Uma faixa, com os dizeres “do not cross”, impedia que qualquer um se aproximasse da prefeitura. Do lado de fora da área restrita, uma multidão de curiosos observavam e alguns repórteres de televisões locais gravavam dentro da área, vários homens uniformizados, escondendo seus rostos com máscaras e capacetes e carregando em suas costas um aparato semelhante a uma mochila, porém de metal e com uma espécie de mangueira com gatilho e mira saindo de seu interior cuja extremidade seguravam como se fosse um revólver; o conjunto todo parecia um aspirador-de-pó super tecnológico.
Em meio aos homens uniformizados, um se destacava: um homem grande e parrudo, este não vestia o mesmo uniforme que os parceiros, trajava uniforme militar, repleto de medalhas à mostra, junto de um quepe que mantinha todo seu cabelo em ordem, com exceção de alguns fios rebeldes que repousavam sobre sua testa, ao lado de algumas gotas de suor.
“Mesmo comandados pelo general Ron McRougall, a equipe de exorcistas do governo não foi capaz de exorcizar os espíritos que assolam a sede da prefeitura.” A repórter se referia ao homem de vestuário militar e sua equipe. “Nesse momento, a equipe está se reorganizando para decidir o que fazer em seguida.”
Enquanto os repórteres transmitiam suas respectivas reportagens, a multidão assistia eufórica, alguns eram fãs dos espíritos e torciam para que eles tomassem a prefeitura para si, outros se preocupavam com os funcionários públicos e zelavam pela segurança da prefeitura, porém a maior parte da multidão era composta por fãs do General Ron McRougall, que, sendo um exorcista de alto nível, consequentemente se tornou uma celebridade.
“Ai, dá licença.” Uma pessoa se esgueirou pela multidão, composta de pessoas quase sempre mais altas que ela, até que chegasse próxima dos repórteres, então ignorou estes da mesma forma que ignorou a faixa que impedia passagem e passou por baixo dela, adentrando na cena.
“Ei, vejam aquilo!” Alguém da multidão gritou. “É apenas uma garota! Uma criança! Ela não pode ficar ali! Os espíritos estão lá!” Todas as câmeras se focaram na garota que invadira a área assombrada e sua imagem fora transmitida para diversos canais televisivos.
Tinha aspecto excêntrico, seus cabelos eram ruivos como o fogo, presos em dois rabos laterais, um de cada lado da cabeça, além de ter uma presilha prendendo a franja no lado esquerdo, deixando-a toda caída para o direito, vestia uma blusa alaranjada por baixo de um macacão jeans sutilmente largo para ela, com as alças folgadas, um bolso frontal no peito e a imagem de dois bombons cor-de-rosa bordados no bolso do short, calçava uma pequena botinha branca e vestia meias sete-oitavos coloridas com listras pretas e laranjas.
O item mais exótico de sua indumentária, porém, era um pirulito que carregava. Apesar da aparência idêntica à de um doce comum, este pirulito era ligeiramente mais alto que a garota e muito maior que um doce normal, ela o carregava preso a duas alças em suas costas próprias para tal função, como se o pirulito gigante fosse uma mochila.
Ao notar todos os olhares preocupados e as câmeras voltadas a si, virou-se para os curiosos e acenou com a mão erguida próxima ao rosto, sorrindo para todos.
–Com licença, garota. Você vai ter que sair daqui imediatamente. – O general se aproximou, com gotas de suor escorrendo pela testa, para expulsá-la.
–Você é o capitão McRougall, não é? – Respondeu, relaxada.
–É General... – Corrigiu.
–Não se preocupe capitão, eu posso estar aqui. – A garota, ignorando completamente a correção que ogeneral fez, puxou de seu bolso frontal um cartão e o mostrou para o General, em seguida, ele deu um passo para trás e deixou que ela prosseguisse.
–Muito bem.
“Ei! Aquela não é A Rainha do Halloween?” Uma pessoa na multidão gritou, e o alvoroço se tornou cada vez maior à medida que as pessoas começaram a reconhecer a criança que invadira o local.
“Kin Pumpkin, conhecida como Rainha do Halloween, apareceu para auxiliar o General Ron McRougall no exorcismo da sede da prefeitura” uma repórter começou a transmitir os novos acontecimentos. “Ela é a exorcista profissional mais jovem que se tem notícia, com apenas 12 anos, porém é talentosa e promissora. Fique ligado para saber o que acontece em seguida.”
Completamente desacompanhada, a garota sacou o pirulito, das alças em suas costas, como se fosse uma espada e adentrou a prefeitura sozinha.
Aproximadamente uma hora depois, ela estava do lado de fora novamente, esperando. Um dos funcionários públicos apontava um aparelho parecido com um radar para o prédio, enquanto ela clamava que não havia necessidade disso.
Após alguns minutos analisando o aparato, o homem encarou a multidão e os repórteres e estendeu sua mão, levantando o dedão positivamente.
–A área está limpa! – Exclamou com a voz abafada pela máscara.
A área que estava bloqueada foi liberada. A esse ponto, a multidão aumentara, pois pessoas que clamavam serem fãs da exorcista de doze anos ao longo dessa uma hora de espera, algumas garotas que copiavam seu traje e outros vestiam a camiseta de fã-clube, todos se aproximavam para ouvir a entrevista que a garota dava a uma repórter.
–Kin Pumpkin, — a repórter começou. – Também conhecida como “Rainha do Halloween”, a situação que o capitão Ron McRougall e a equipe de exorcistas públicos não foram capazes de resolver, você deu um jeito em um pouco mais de apenas uma hora, pode nos explicar como isso foi possível?
A garota olhou para a câmera, confusa.
–Uma hora? Já passou uma hora? – Embainhou o pirulito gigante que usava como se fosse uma espada. – Desculpe, eu preciso ir!
Sem aguardar uma reação da equipe de televisão, a garota de cabelos ruivos foi embora correndo.