
Yume POV
\n\nEnquanto ouvia Paramore com os meus fones de ouvido, fechei os olhos e respirei fundo. Abri novamente meus olhos e li pela milésima vez a carta mandada por meu irmão por parte de pai. Como eu sou menor de idade e não tenho mais ninguém da minha família original e nem da minha família adotiva, o juizado de menores encontrou o meu irmão, que decidiu imediatamente que eu deveria viver com ele.
\n\nCarta On
\n\nQuerida Yume,
\n\nMeus pêsames por suas perdas, eu realmente me abalei muito com a morte do nosso pai, mas imagino que você que era ainda uma garotinha de apenas 5 anos deve ter sofrido ainda mais com a perda de todos os seus familiares. Eu ao menos tive à minha mãe e lamento muito por não poder tê-la ajudado quando você mais precisou.
\n\nEspero que você goste de morar comigo, eu não sou a pessoa mais agradável do mundo, mas vou me esforçar ao máximo para deixa-la confortável e cuidar de você como costumava fazer quando éramos crianças.
\n\nCom carinho do seu oni-chan, Hajime.
\n\nYume POV
\n\nHajime, pelo pouco que eu me lembro, é uma pessoa educada e gentil, além de gostar muito de coisas fofas, embora eu particularmente odeie esse tipo de coisa, pois não fazem o meu estilo. Ele é 5 anos mais velho do que eu e, como eu tenho atualmente 16 anos ele tem prováveis 21 anos. Honestamente eu espero mesmo que as coisas sejam diferentes dessa vez...
\n\nGuardei a carta na minha mochila e comecei a olhar as nuvens através da janela do avião, aquele céu azul me trazia lindas memórias, que ao serem trazidas de volta foram acompanhadas das memórias terríveis que eu carregava. Isso me deixou enjoada e com vontade de chorar. Corri até o banheiro e lavei o rosto, mirei fixamente a imagem refletida no espelho, era eu mesma. Eu e meus cabelos ruivos curtos na parte de trás e com uma franja razoavelmente comprida na frente, a pele pálida como a de alguém que nunca tivesse saído ao sol, os meus olhos azuis claros contornados por cílios negros; Tenho que admitir que meu rosto é até bonito e delicado, uma pena que a minha personalidade não seja nada compatível com esses olhos doces...
\n\nVoltei à minha poltrona e apertei o cinto, recoloquei os meus fones de ouvido e relaxei. Poucos minutos depois, o capitão avisou que iríamos pousar em 20 minutos, o que deixou todos alvoroçados.
\n\nQuando finalmente pousamos, recolhi minha bagagem de mão e sai do avião. Na saída do aeroporto encontrei um homem alto de cabelos tão escuros que davam a impressão de serem azuis. Ele caminhou até mim e me abraçou com força, além de me levantar a alguns centímetros do chão.
\n\n– Yume-chan, bem-vinda! – Ele disse
\n\n– Hajime...- Eu respondi meio sem fôlego, afinal ele estava me apertando muito – Me ponha no chão, estou ficando sem ar!
\n\n– Desculpe pequenininha, não queria te machucar – ele disse rindo.
\n\n– Está tudo bem! Bom, você pode me ajudar a pegar a minha bagagem? – perguntei tentando sorrir.
\n\n– Claro, vamos lá! – Disse me puxando pelo braço.
\n\nNós pegamos a bagagem, e levamos até o taxi, ele passou o endereço para o taxista e fomos conversando durante o trajeto.
\n\n– Por que cortou o cabelo? Eu me lembro que você tinha um cabelo bem comprido...- quis saber Hajime.
\n\n– Bom, eu fiquei meio cansada do tamanho do meu cabelo, ele me atrapalhava muito quando eu ia pintar ou desenhar, além do mais era muito mais fácil deixa-lo curto se fosse para mantê-lo sempre preso! – Respondi
\n\n– É verdade! Mas continuo achando um desperdício, afinal você ficava realmente muito fofa com o cabelo comprido!
\n\n– Você e sua fixação por fofura...- suspirei
\n\n– A culpa não é minha, simplesmente gosto de coisas fofas, principalmente da minha irmãzinha que é a campeã no ranking das mais fofas, mesmo agora que cortou o cabelo – disse ele rindo e apertando a minha bochecha.
\n\n– Vocês são realmente muito próximos não é?! – Essa era a voz do taxista que olhava pelo retrovisor, dava para ver que ele estava sorrindo, como se estivesse se divertindo com aquela cena.
\n\n– Pra ser honesto não, mas espero que nos tornemos próximos logo. Certo, pequenininha?! – disse Hajime, olhando ternamente para mim.
\n\nEu corei com aquele olhar e simplesmente virei meu rosto para a janela. Daí pra frente uma nova vida começa, ou pelo menos, é isso que eu espero.
