Mello POV
Como eu odiava aquele albino desgraçado, ele tinha que me superar em tudo, mas eu ainda não desisti. Vou superar ele em alguma coisa aqui no orfanato. Fui para a sala de brinquedos e lá estava ele, montando um castelo de cartas que eu derrubei com um simples chute sem força nenhuma, mas, em vez dele demonstrar raiva por isso aquelas orbes negras continuavam sem expressar nada; nem ódio, nem raiva, nada; era isso que você encontrava olhando para ele e isso me fazia odiá-lo mais ainda.
- Oi Mello.
Foi tudo o que ele disse antes de voltar a construir outro castelo, dessa vez de dados, que eu (obviamente) destruí.
- Porque fez isso?
- Porque eu quis!
- Porque fez isso, Mello?
Como ele era irritante, sempre de branco, perfeito, sem esboçar um sentimento, eu queria vê-lo demonstrar algo, ódio, medo, receio, alegria, mas ele não demonstrava nada, nem mesmo quando eu fazia algo para ele, nem mesmo quando eu batia nele ele demonstrava algo, o que fazia eu ter mais ódio e querer bater mais nele.
- Eu já disse que foi porque eu quis.
- Eu quero o verdadeiro porquê, Mello.
- MAIS QUE DROGA! JÁ DISSE QUE FOI PORQUE EU QUIS, SEU ALBINO, ANTI-SOCIAL DESGRAÇADO SEM UM PINGO DE SENTIMENTO.
Nesse momento eu já o segurava pelo o pescoço na parede, ele era uma criança, só isso, nada mais, mas ele já tirava tudo que eu me esforçava para ter.
- Mello dá para me soltar?
- Porque?
- Porque isso pode trazer problemas.
Eu o soltei com tudo no chão, odiava ele, e ainda mais o fato dele estar certo de novo, notei que ele continuava sem nenhuma expressão, como sempre, então me acalmei um pouco e decidi tirar minha dúvida.
- Porque é assim, albino?
- Assim como?
Eu já estava com muita raiva e querendo bater nele mais me segurei, afinal, queria respostas.
- Inexpressivo, anti-social e sem emoção.
- Não sou anti-social as outras crianças que se afastam de mim, a não ser você e o Matt de vez enquando.
- E o resto?
- É porque eu odeio os sentimentos, eles me deixaram órfão.
Eu me senti meio mal por ter perguntado, mas agora que comecei não ia parar, então continuei perguntando.
- Como?
- Meus pais morreram por causa do ciúme, ódio e arrependimento.
- O quê!?
- Meu pai brigou com minha mãe, depois que ela acusou ela de trair com outra moça.
Continuei olhando pra ele, agora sentia pena dele, mas não o deixaria saber.
- Então eles se descontrolaram e papai pegou o canivete (ou faca sabe lá o nome daquelas faquinhas dobráveis mais pareceu errado chamar de faca o.o)do bolso esquerdo e começou a golpeá-la; um golpe no coração, na jugular, outro no rosto uns 15 nas costas e como mamãe tentou se defender ficou com umas 20 marcas nos braços e mãos da tentativa de defesa, mas, papai consegui matar a mamãe então ele pegou uma corda e se enforcou no quarto mesmo.
- Como você sabe de tantos detalhes, Near?
Perguntei apavorado como aquela criança sabia tudo aquilo, fiquei abismado ao ouvir a narração da cena.
- Eu estava no quarto quando aconteceu, papai não me viu então presenciei tudo.
Agora o ódio e tudo que eu sentia pelo o Near sumira só restava pena, muita pena, e ódio do pai dele que deixara uma criança presenciar isso. E uma certa admiração pelo o Near, no lugar dele eu não trancaria meus sentimentos, eu pensaria em me matar, se não fizesse isso pelo menos teria pensado. Mas isso comprovou que o Near era covarde, tinha medo de que se demonstrasse seus sentimentos algo como o que aconteceu com seus pais poderia acontecer com ele, esse pequeno pensamento fez eu esboçar um levíssimo sorriso, mas o Near notou.
- Porque está sorrindo?
- Porque você “esconde” seus sentimentos, por causa de um deles: o medo.
Ele pensou no que eu disse, mas aquelas orbes negras, por sinal a única coisa negra nele, estavam iguais a sempre, sem nenhuma expressão.
- Acho que é.
Vi que ele respondeu timidamente e um pouco envergonhado que deixou ele muito fofo... e DROGA MELLO PARE DE PENSAR ASSIM!
*Alguns dias depois se não a one se torna fic*
Eu e o Near estavamos na sala de brinquedos, ele estava montando uma cidade de dados, e eu observava-o quieto comendo o meu chocolate, acho que nunca fizemos isso, nunca ficamos juntos sem brigar por um tempo superior a 5 minutos, sem ser aquela vez a alguns dias atrás.
-Porque está aqui Mello?
Vi que ele me perguntava meio curioso, agora Near era assim, ele tentava não esconder seus sentimentos quando estavamos sozinhos.
- Porque aqui é calmo, e não quero ficar com mais ninguém, está bom em silêncio só nos dois.
- Hnmm...
Ele não parecia feliz com a resposta.
- Que foi, Near?
- Porque insiste em mentir, Mello?
-Ahn....?
Desculpa dessa vez eu realmente não entendi o que o Near falou como assim mentir?
- Porque está aqui, Mello?
Ele repetiu, e eu notei não sabia porque estava ali, não mesmo. A resposta anterior tinha sido o mais puro reflexo, eu pensei por um tempo e finalmente entendi porque estar ali e respondi.
- Porque não te odeio mais.
- Porque?
Eu me aproximei do mais novo me ajoelhando na frente dele. Desde que todo meu sentimento de inveja e ódio passou quando eu soube o verdadeiro porquê da “ausência de sentimentos” do garoto, eu o achava covarde pelo modo como tentou se livrar dos problemas, mas, corajoso por ainda resistir a tudo aquilo. Ele me observava de um jeito fofo um pouco envergonhado com a aproximação, então eu respondi, quebrando a distância entre nós dois com um beijo.
- Porque eu te amo.
