Família
Família;
Cada um com a sua,
Mas a minha...
Pois que a verdade
– dolorosa e sinistra –
Seja dita:
Não houve um único dia
Em que não me sentisse assim,
Como um pássaro à deriva...
E ainda me querem convencer
De que esse vazio fui eu quem criou;
Querem que me satisfaça
Com essa miríade de emoções vagas,
Frutos de tantos anos de rancor...
Que me importam as aparências?
– Como posso aprender a conviver com elas? –
Se a todo lado, sinto-me presa, encurralada,
Sufocada por todos os tipos de carência... ?
E ainda me querem convencer
De que esse tipo de sentimento é errado alimentar,
Mas que poderia eu fazer, então,
Se, por mais que tentasse, jamais me senti parte de um lar... ?
Que seja essa minha despedida...
Pois que me faltam forças para continuar com essa farsa;
Para que não me privem de mais nada,
Com toda a dor devo eu mesma terminar.
Laísa Cardoso
(06/11/2009 – 13/11/2009)
