A imagem refletida no espelho não era uma das melhores: uma garota de 16 anos, baixa e magra demais, com a pele exatamente pálida, olheiras quase impossíveis de se esconder e um cabelo nunca estava solto. Essa era a eu, Molly Hooper.
Finalmente chegou o dia tão esperado em que eu conhecerei o internato em que passarei os próximos dois anos, a St George Acadamy
Eu havia deixado minha mala pronta no dia anterior. Tudo estava pronto, exceto meu psicológico
Era estranho sair de casa e ficar longe dos meus pais, como era tão esperado por mim três anos atrás
—Molly, está na hora -falou a minha mãe, entrando no meu quarto
—Já estou indo -comuniquei, saindo do banheiro e a encontrando sentada na minha cama
—Vai ficar tudo bem, ok? Seus professores sabem sobre você
A depressão. A droga da depressão que quase me destruiu quando eu era pequena
—Temos que ir agora se quisermos chegar na hora, Molls
Eu sorri e concordei com a cabeça
Meu pai já estava nos esperando na sala e as malas, no carro.
Aquela era a hora
***
Durante o trajeto, não ocorreu nada que mereça ser dito, apenas meia hora de instruções vindas da minha mãe e uma quantidade absurda de "pode deixar, mãe" vinda de mim
A escola era exatamente como estava no site: três construções brancas de dois andares cada uma, que formavam um U, que seriam os prédios onde a gente estudaria e outras duas, que eram idênticas às outras, porem um poucos afastadas delas, que eram os dormitórios, o masculino e o feminino
Havia um grande número de alunos e seus pais conversando uns com os outros nos campus. Parecia que todos se conheciam, que eu era a única novata
—Animada? -perguntou o meu pai, me olhando pelo retrovisor interno
—Acho que sim -respondi, sem tirar os olhos da janela
Meus pais se entreolharam, mas não falaram nada
Quando já estávamos fora do carro e eu estava com as malas em mãos, pude ver o lugar melhor.
—Os alunos tem que colocar as coisas no dormitório e depois ir para o auditório -falou minha mãe
Eu alternei meu olhar entre ele e o meu pai. Pareciam mais nervosos que eu
Ambos me abraçaram, falaram inanidades e se afastaram de mim apenas quando foi estreitamente necessário
—Nós temos orgulho de você, Molly. Nunca duvide disso -falou o meu pai
Eu apenas sorri, enquanto me afastava deles, indo para os dormitórios
Não comece a chorar Hooper. Você sabe mais que ninguém que eles vão ligar toda a semana, no mínimo
***
Uma das piores coisas do primeiro dia de aula é ver em sala -dormitório, no meu caso- você está. São pessoas muito próximas umas as outras, uma enxurrada de com licença, e rodinhas de malas passando em cima dos pés. Mas a sensação de você encontrar o seu nome é encantadora
Quarto: 220. Colega de quarto: Mary Morstan
***
Quando, finalmente, cheguei no 220; já havia uma loira desfazendo suas malas no quarto
—Mary Morstan? -perguntei, ainda parada na porta
Ela se virou para mim e abriu um sorriso
—Eu mesma. E você deve ser Molly Hooper
—Eu mesma -respondi, entrando no quarto e colocando minhas coisas perto da cama livre 548
—Acho que temos que ir para o auditório, não? Dizem que o reitor fará um discurso sobre a escola ou algo do gênero -comentou Mary
—Meus pais comentaram sobre isso. Melhor irmos
Ela pareceu meio triste quando mencionei os meus pais, mas não dei muita importância. Apenas a acompanhei até o nosso destino

