Deadline (one shot)
Deadline (one shot)
Chapitre 15 min de lecture

Deadline

«Sete de Agosto, 2007

Tom, sei que um dia lerás isto e que nesse dia será tarde de mais. Tarde de mais para saberes que te amo, que te quero. Tento todos os dias viver com este sentimento que sempre senti. Não acreditas no amor verdadeiro, como posso esperar que fiques comigo? É simples, não espero.»

Cada batida do coração de Bill era sentida como uma faca espetada no coração do gémeo que se mantinha intacto, na mesma posição, sem nunca se mexer, exceptuando os olhos que eram dirigidos ora para o pequeno caderno que tinha nas suas mãos ora para o rapaz que estava na cama de hospital à sua frente. O rapaz de cabelos negros. Bill. A sua metade.

«Dez de Agosto, 2007

Desculpa Tom, mas não aguento mais. Eu tentei dizer-te tudo, juro que tentei, mas… O teu sorriso acompanhado de “Vamos ver miúdas, mano?” não o permitiu. Desculpa, não aguento mais.»

Sentia-se culpado e, agora, cada espaço de ar era importante para ser inspirado por Bill para sobreviver. Que é que se encontrava a fazer naquele quarto? Porque se encontrava a desperdiçar o oxigénio que devia ser todo para o irmão? Porque continuava ali quando a culpa era sua? Porque…?

Página a página voltou atrás, saboreando com a memória o sabor da letra do seu gémeo. Página a página voltou atrás, até àquela página.

«Vinte e seis de Abril, 2007

Que posso mais fazer? Eu amo-o. Como a chuva ama cair no chão. Como a never ama tornar-se em água líquida. Como os furacões amam arrancar todas as árvores. Como os tsunamis amam destruir tudo à sua passagem. Eu aceitei cair nos seus braços logo no início, ele ajudou-me a tornar-me no que sou, arrancou-me o coração e destruiu-o, e eu amo-o na mesma.»

Era verdade, Tom também o amava, mas com aquelas palavras percebeu que nunca iria merecer um amor tão grande como o que Bill estava disposto a dar-lhe, percebeu que talvez, se tivesse havido alguma coisa, o seu gémeo iria sofrer e ele não queria isso.

Voltou a desfolhar o caderno, desta vez para ir até à última folha do caderno.

«Três de Outubro, 2007

Lembraste quando eu disse que te amava? Eu amo-te.»

De repente, tudo o que viu foi uma linha verde contínua.

O semáforo tinha passado a verde e Bill, sem ter reparado, iria atravessar a rua.

Sentiu o mundo desabar, acabar naquele mesmo instante.

Bill atravessou. A única coisa que ouviu foi o guincho. A única coisa que cheirou foi o queimado. A única coisa que sentiu depois foi… mais nada.

Um grito irrompeu pela garganta de Tom. Um grito que nunca seria ouvido pela pessoa que chamara.

A ambulância chegara e informara que o estado de Bill era muito grave, mas que iriam fazer o seu melhor para ele sobreviver.

Tudo o que Tom via era a linha da vida morta, contínua. Bill estava morto. O gémeo que ficou para trás tirou um papel onde escrevera as primeiras palavras que iria dirigir a Bill assim que este recuperasse.

«Eu amo-te, meu amor.»

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