Numa suave e macabra música
Instrumentos infernais embalam os movimentos
Os corpos se movem ao ritmo que é imposto
Nada nem ninguém pode nos parar.
Pois crescemos com essa dança
Crescemos com o gosto por sermos manipulados
Dançando um eterno tango maldito. Sem vontade própria, nossos esqueletos como zumbis, fazem o que devem fazer
Sonham o que devem sonhar
Consomem o que devem consumir
Sem questionar-se que poderia ser diferentes.
Sonhamos com dias melhores, mas não lutamos
Somos hipócritas, bestas e manipulados
Mas não sabemos disso
Estamos preocupados em dançar
E não errar o passo para não sermos excluídos.
Não posso parar!
Preciso ser um desses corpos sem vontade
Eu preciso ser um deles.
Para quem sabe ter a felicidade.
Felicidade que só vem quando danço a música que quero, com os passos que quero, e com os instrumentos que sonho.
Só que ao perceber isso, pode ser tarde de mais.
