Back to the Doll's House
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Chapitre 15 min de lecture

Prefácio

Cinco anos antes...

Hanna

Abro os olhos lentamente enquanto meu corpo sai aos poucos do sedativo. O papel de parede é minha primeira percepção, seguido da penteadeira: estou no meu quarto.

Sento atordoada, tentando me situar e entender porque tudo está girando. É aqui que minhas lembranças mais recentes começam a voltar: Ali acusada pelo assassinato de Mona, nós presas como suas cúmplices. Como que as coisas chegaram a esse ponto?

Sinto uma pontada forte no estômago e me encolho de dor, pulando de susto ao constatar que ainda estou com o uniforme de presidiária. O laranja me dá náuseas, que só pioram quando o resto das lembranças retornam: “A” atacando os motoristas da van, nos sedando e nos levando para longe. Sério mesmo que ao nos resgatarem não tiveram a sensibilidade de tirar essa roupa horrível de mim? Será que prenderam A? Onde está Caleb, que como bem o conheço deveria estar bem aqui, ao meu lado, esperando que eu acordasse para me dar aquele abraço e me prometer que agora tudo está bem?

Todas essas perguntas começam a fazer o ambiente me parecer estranho, como se eu não mais pertencesse àquela realidade. Tudo está no lugar, e o quarto todo aparenta estar da maneira que o deixei, mas cadê todo mundo?

Tomo coragem e levanto da cama, apenas para cair de susto quando vejo a enorme inscrição na parede: Lar Doce Lar. Okay, isso é sinistro.

Meus instintos voam para a porta, e agarro a maçaneta como se minha vida dependesse disso, mas está trancada.

— Mãe?! Abre aqui, por favor! O que está acontecendo? – Ninguém responde. O pânico começa a tomar conta de mim, a medida que vou somando dois mais dois.

Há algo errado.

***

Emily

Minha cabeça chia, e eu juro que poderia ouvir meu coração como se estivesse fora de mim. Não, não, não. Isso não pode estar acontecendo. Sinto vontade de chorar até os olhos caírem, mas a tensão não permite.

— Por favor, abram a porta! Há alguém aí? – grito mais uma vez, já sentindo sangue na garganta, esmurrando a porta. Espero alguns segundos, mas como das outras vezes, ninguém responde.

Está tudo bem, Em, penso comigo mesma, eles devem estar no andar debaixo, resolvendo os últimos problemas. Devem ter colocado a câmera te filmando apenas por segurança, porque são mais cuidadosos agora. Ou porque são A.

— Hanna, Spencer, Aria? – grito com toda força. – Onde estão vocês?

Vencida, sento à beira da cama e começo a chorar.

— Isso não está acontecendo, não pode... – soluço, enquanto tudo me atinge de uma vez.

Ah, como eu queria estar com Paige agora, conversando ou apenas passando o tempo... Como eu queira estar ansiosa para o baile de formatura, que é daqui a poucos meses... Como eu queria que meu maior problema fosse decidir para qual faculdade ir... Em vez disso, estou aqui, traumatizada o suficiente para crer com todas as minhas forças de que fui sequestrada por A.

***

Aria

Largo os porta-retratos com tudo sobre a cômoda, paralisada pela constatação. No meu quarto de verdade, haveria uma foto minha com Ezra em um deles e um com meus pais e Mike no outro. Esses dois são pra lá de impessoais, comprados em uma loja qualquer, com uma foto de uma família falsa e feliz.

Corro para a janela, esperando ver o céu, mas por trás dela há apenas uma parede grossa e fria de concreto. O mesmo atrás da porta do closet.

— Por favor, alguém me tira daqui! – grito como uma criança chorona. – Eu quero ir para casa! Por favor!

Ninguém responde, e o silêncio zune em meus ouvidos como um canhão. Há algo errado, eu lembro muito bem. Isso aqui não é meu quarto, é nosso cativeiro, para onde A nos trouxe depois de interceptar a van que nos levava para a cadeia.

A roupa laranja coça e logo estou suando.

Esse lugar é a Casa de Bonecas de A, e somos seus brinquedos.

***

Spencer

Não precisa ser um gênio para perceber que esse não é meu quarto. A atmosfera está tensa demais, o ar frio demais e tudo limpo demais. Olho por debaixo do edredom e percebo que estou com o uniforme da prisão, o que me faz pular da cama como se ela estivesse cheia de formigas.

Corro para a porta, tento abri-la e imploro para que alguém abra, apenas para confirmar o que já suspeitava.

Pego a cadeira que Toby fez para mim – ah, Toby, só queria você por perto agora -, mas aí é que está: é uma réplica. Lembro como se fosse hoje de ter entalhado nossas iniciais debaixo dela, como um amor eternizado de forma sinistra, mas agora, só vejo uma etiqueta com o código do produto.

Jogo a cadeira na janela, e o vidro se quebra em milhões de pedacinhos que refletem milhões de Spencers assustadas. Do outro lado, apenas uma parede de concreto.

Começo a me sentir como um pássaro engaiolado, sem conseguir sair ou entender o que está havendo, fadado a apenas esperar pela sua condenação. Minha metáfora torna-se perfeitamente aplicável quando percebo uma pequena lousa pendurada na parede, escrita Bem Vinda de Volta e o desenho de uma gaiola. Oh, céus, isso só pode ser coisa de A.

A realidade me atinge em cheio e apenas um pensamento povoa minha mente: vamos todos morrer.

Um autofalante vindo do nada ressoa em meus ouvidos feridos e me dá bom dia em três idiomas diferentes. A porta se destranca e sinto que é um sinal de que devo sair por ela.

Contudo, isso não me acalma nem um pouco.

O jogo de A está mais vivo do que nunca.

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