At six; Book Two: Just Friends
At six; Book Two: Just Friends
Chapter 154 min read

O maior prólogo da história das fics

Prólogo

Pov. Marina


05 de Janeiro de 2012.

É...

O tempo voa, não?

Hoje faz um mês desde o aniversário da Raíssa.

Bem, deixando a enrolação de lado, tão sabendo que eu e a Éllyda fazemos SKILL, né? Não? Agora sabem.

Todo ano, pelo menos aqui na minha cidade, a SKILL faz um acampamento de 3 dias com os alunos entre 12 e 17 anos. Cada um pode levar um acompanhante.

Depois de muito implorar insistir, a tiazinha da SKILL deixou a gente levar um acompanhante extra.

Agora confere o cálculo:

Éllyda+X+Y=3 pessoas

Marina+Z=2 pessoas

Éllyda+Marina+X+Y+Z=5 pessoas

É difícil imaginar quem são X, Y e Z? Agora confere.

Éllyda+Marina+Ana Thaís+Flávia+Raíssa+72 horas num acampamento= confusão na certa

Não precisa ser um Einstein da vida pra perceber, né?

Pois bem, o combinado era o seguinte: 7 h, todo mundo na minha casa pro meu pai nos levar para a SKILL. (Tínhamos que estar lá às 07h30min). Mas a Éllyda é enrolada e só chegou lá em casa 7:20! [Pov. Éllyda: Era 7:19...] [Pov. Raíssa: Na verdade era 7h, 19min e 59seg] [Pov. Marina: ¬¬ PAREM DE SE INTROMETER NO MEU POV!!!] [Pov. Éllyda: ...] [Pov. Raíssa: ...] [Pov. Marina: Posso continuar? Ótimo]

Onde eu estava? Ah é!

Meu pai levou a gente correndo pra SKILL, mas o carro deu prego no meio do caminho e a gente teve que ir a pé.

Chegando lá, o ônibus tava saindo. Aí, a Raíssa lançou uma macumba e fez o ônibus parar.

Boa noticia: Não perdemos o ônibus

Má noticia: A macumba da Raíssa furou todos os pneus do ônibus.

¬¬

Eu mereço!


1º dia...


Flávia dá um tapa no braço da Raíssa.

Valeu Raíssa! Parabéns! (Flávia)

Era um ônibus grande, amarelo, no lado de dentro, 3 fileiras de cadeiras, o corredor e mais 3 fileiras.

Sentamos no fundão, a Ana, a Raíssa e a Flávia na frente, eu e a Éllyda atrás.

Você não pode... Fazer uma macumba e consertar os pneus? (Marina)

Posso. Deixa só eu pegar o meu... (Raíssa)

Ela parou, como se percebesse algo, e arregalou os olhos.

Droga. (Raíssa)

O que foi? (Ana)

Esqueci o meu livro de macumba. (Raíssa)

Ok... Então você não pode... Fazer aparecer novos magicamente? Daquele jeito que você fez com a frigideira um tempo atrás. (Éllyda)

Posso tentar. (Raíssa)

Ela fechou os olhos e se concentrou.

Cri... cri...

Cri...cri...

Cri...cri...

Zzzzzzzzz... (Raíssa)

O.o (todas)

Ela dormiu?

ACORDA! (Éllyda)

NÃO FUI EU!! (Raíssa)

Todos no ônibus olharam.

Mas. Que. Ver-go-nha!

O que? Vocês me fizeram acordar cedo. Tô com sono! (Raíssa)

Eu mereço!

Raíssa boceja e diz:

Não dá para materializar. Muito grande. (Raíssa)

Então o jeito é esperar. (Flávia)


[Meia hora depois...]


Pronto! Troquei as rodas! Já podemos ir! (motorista)

*corinho de aleluia ao fundo*

Finalmente! Acabou! Para nossa alegria!!

♫Para nooossa alegriiia! ♫ (todos)

O.o (motorista)

Anda logo com essa joça! (anônimo)

O ônibus deu uma arrancada que me jogou de uma vez para trás.

AI! (Marina)

O acampamento ficava mais ou menos a uns 40km da cidade, o local do acampamento, em si, era uma grande clareira com várias árvores ao redor, entre elas, ipês e goiabeiras (eram as que eu reconhecia. Árvores não são o meu forte), iríamos montar as barracas lá. Alguns metros depois, separada da campina apenas por uma fileira de árvores, se encontrava uma charmosa cabana de madeira meio rústica (pra não dizer velha e caindo aos pedaços) onde os professores vão dormir.

Eu levei duas barracas extra GGGs, uma pra mim e pra Ana e outra pra Éllyda, Flávia e Raíssa.

(Okay, admito, eu não trouxe uma mochila, eu trouxe uma mala. A maior que eu tinha em casa. Pode dizer, eu sou exagerada. E daí?)

Próximo à clareira, havia também um riacho bem limpo de água gelada.

Todos montamos nossas barracas, formando um grande circulo e deixando um grande espaço no centro. Ouvi uma garota de uns 16 anos comentando algo com uma amiga sobre uma fogueira a noite.

A minha barraca e da Ana era do lado da barraca da Éllyda, da Flávia e da Raíssa. Cada uma de nós trouxe um celular, pro caso de querermos conversar umas com as outras sem chamar atenção.

Well... Quando terminamos de montar o acampamento era 11h, os professores nos reuniram e separaram as tarefas.

A Ana ficou de assar um frango.

A Raíssa de pescar uns peixes.

A Flávia e a Éllyda de arranjar lenha pra fogueira de mais tarde.

E eu?

Nada.

Eu tava com preguiça e me escondi na barraca.

ATCHIM! (Marina)

Será que eu gripei? Que droga!

ATCHIM! ATCHIM! ATCHIM! (Marina)

Nisso, a mochila da Ana começa a se mexer.

Mas o que... ATCHIM! (Marina)

Abri a mochila dela e dou de cara com o Nino.

O gato da Ana.

Nino:

Era por isso que eu tava espirrando!

Eu sou alérgica a pelo de gato.

O que você tá fazendo aqui? (Marina)

¬¬

Eu devo tá ficando doida.

Eu to conversando com um gato! Hello!

Miau! (Nino)

Ele ficou me encarando com aqueles olhões dele.

Que fofo!

ATCHIM! (Marina)

Esquece. Nem toda a fofura do mundo faz isso valer a pena.

Miau. (Nino)

Peguei ele pelo pescoço, o coloquei do lado de fora da barraca, fechei o zíper e me virei.

Miau. (Nino)

O gato estava em cima do meu(!) travesseiro.

Peguei ele de novo, saí da barraca, fui pra cabana dos professores e larguei o gato lá.

Voltei pra barraca.

Miau. (Nino)

¬¬

Eu joguei pedra na cruz, foi?

Peguei o gato, saí da barraca e o joguei no riacho.

Quero ver você voltar agora, peste.

Voltei pra barraca.

Eu mereço!

O gato tava todo molhado dormindo na minha cama(!).

Pera aí!

Pov. Flávia


11h30min

♪ Tem pobre ligando pra mim... ♪


Atendi.

Fala. (Flávia)

Flávia? Já voltou pro acampamento? (Marina)

Já. (Flávia)

Ótimo. Tem como você fazer um favor pra mim? (Marina)

Depende. (Flávia)

Vai lá na minha barraca, por favor. (Marina)

Pra quê? (Flávia)

Só vai indo. (Marina)

Fui.

Tô na frente da sua barraca. (Flávia)

Ok. Entre lá. (Marina)

Entrei.

Entrou? (Marina)

Entrei. (Flávia)

Tem um gato aí? (Marina)

Tem. Ele tá molhado, sujo de terra e tá dormindo no seu travesseiro. (Flávia)

Pergunta pra ele como se sai da floresta, que eu me perdi. (Marina)


Pov. Marina


Sentei num tronco caído e esperei. Li em algum lugar que quando se perde, o certo é não sair do lugar e esperar alguém te achar (Rimou!).

Nem demorou muito.

A Raíssa, a Éllyda e a Flávia chegaram em 5min.

Sinceramente?

Isso tá me cheirando a macumba da Raíssa!

Como você me acharam tão rápido? (Marina)

Tá vendo essa vareta aqui? (Raíssa)

Ela sacudiu o pedacinho de madeira em sua mão.

Tô. (Marina)

Feitiço dos Pontos Cardeais. (Raíssa)

Achei que tivesse esquecido o livro de macumba. (Marina)

E esqueci mesmo. Esse eu decorei. (Raíssa)

Olhei pra Éllyda e pra Flávia.

Por que vocês tão toda sujas? (Marina)

Eu tropecei e rolei morro a baixo. (Éllyda)

E você, Flávia? (Marina)

Essa tosca tentou se equilibrar, e me puxou junto! (Flávia)

Bora logo povo! A Ana tá cozinhando e eu não quero perder isso por nada nesse mundo! (Éllyda)

Entramos na cabana dos professores. A professora Suellen estava ao lado de um forno e a Ana Thaís estava sentada numa cadeira próxima.

Já deu as 2hs, né meu bem? (Suellen)

Acho que sim. (Ana)

Vou abrir. (Suellen)

Ela abriu o forno.

Có có! (galinha)

0.o (todos)

Uma galinha saiu igual uma condenada do forno.

kkkkkkkkkkkkkkk... (Éllyda)

A Éllyda estava ficando vermelha de tanto rir.

Ana... Onde você pegou essa galinha? (Flávia)

Por aí... (Ana)

E por que você não pegou a galinha congelada que tava no congelador, hein? (Raíssa)

Tinha? (Ana)

... (Marina)

Querida, você fez do jeito que eu te ensinei? (Suellen)

Sim... (Ana)

Fogo médio por duas horas? (Suellen)

Sim... (Ana)

Então como ela tá viva? A galinha teria morrido! (Marina)

Num sei... (Ana)

Em que temperatura você colocou? (Suellen)

Temperatura?! E tinha isso?! (Ana)

¬¬ (todas)

??? (Ana)

Tá explicado.

E agora? Não vai ter comida suficiente pra todo mundo! (Suellen)

Eu dou um jeito. (Raíssa)

Ela apontou para a galinha e fechou os olhos. (espero que ela não durma de novo)

De repente, a galinha começou a brilhar e quando dei por mim, estava pronto.

Morto. Depenado. Assado. Dourado. E até numa bandejinha!

Frango:

Como você... (Éllyda)

Estou treinando feitiços mudos. (Raíssa)

O almoço foi ótimo. O frango da Ana foi disputado a cotoveladas, havia também peixe frito, churrasco, churrasco vegetariano(?), saladas, sucos, refrigerantes...

Depois, nós fomos para as nossas barracas.

Miau. (Nino)

Aé! Tem o gato da Ana.

Ana? (Marina)

Sim? (Ana)

Se livra desse gato. (Marina)

ºoº (Ana)

ATCHIM! (Marina)

Não posso fazer isso! (Ana)

Porque não? (Marina)

Porque ele é o meu bebê! (Ana)

Ela abraçou o coisinha.

Eu mereço!

Saí da barraca batendo o pé.

Perdi o sono. Algum problema?

Me sentei na beira do riacho e fiquei jogando pedrinhas e as vendo quicar.

Sem sono? (?)

Me viro e dou de cara com uma garota mais ou menos da minha idade. O cabelo dela era liso e loiro claro, a pele era pálida e os olhos eram azuis.

Minha colega de barraca trouxe o gato dela. (Marina)

O namorado? (?)

Não. O gato mesmo. (Marina)

Ela riu.

Você não gosta de gatos. (?)

Não era uma pergunta.

Não é isso. Eu tenho alergia a pelo de gato. (Marina)

Hum... (?)

Quem é você? (Marina)

Me chamo Avril. (Avril)

Avril:

Eu me chamo Marina. Nunca te vi na SKILL. (Marina)

Seria meio difícil. Não sou aluna. (Avril)

Convidada. Onde você estuda? (Marina)

No SESI. (Avril)

Oitava série também? (Marina)

Sétima. (Avril)

Parece mais velha. (Marina)

Ela riu.

É o que dizem. Acho melhor você ir indo. Os professores estão chamando. (Avril)

Olhei o relógio. 4h30min PM

Me levantei.

Vem comigo. Minhas amigas vão adorar te conhecer. (Marina)

Ela negou com a cabeça.

Vou ficar mais um pouco. (Avril)

Tudo bem. Te vejo na fogueira então. (Marina)

Voltei pro acampamento.

Praticamente todos estavam em volta do local que a fogueira vai ficar.

Atenção! (Lúcia)

Lúcia é a diretora da SKILL da minha cidade.

A partir de agora, estamos montando o sistema de som. Afinal, acampamento tem que ter cantoria em volta da fogueira, não é mesmo? (Lúcia)

E histórias de terror! (anônimo)

Sim. Mais tarde, vamos aproveitar essa bela lua cheia para ouvir algumas histórias de terror. (Lúcia)

Raíssa, Éllyda, Flávia e Ana estavam do outro lado da roda.

Raíssa tava com uma cara de sono do tamanho do mundo. Ela vestia uma camisa regata branca, um mini-short (com ênfase no mini) jeans preto e um par de tênis azul.

Éllyda e Flávia conversavam sobre alguma coisa. Éllyda usava uma camiseta vermelha de Eclipse, um short jeans e um par de sapatilhas verde água. Já Flávia, usava um vestido azul-marinho e um par de sandálias de dedo roxas.

Ana Thaís usava um biquíni rosa claro e um par de havaianas da mesma cor. Ela ainda estava abraçada com aquele pestinha (vulgo: Nino).

O sistema de som está pronto. (professor Emerson)

Quem quer ser o primeiro? (Lúcia)

Eu! (Raíssa)

Ótimo. Quem quer tocar violão? (Lúcia)

Eu (Éllyda)

Raíssa se aproximou de Éllyda e disse alguma coisa no ouvido dela. Éllyda começou a tocar e logo depois, Raíssa começou a cantar.

♪Nos galhos secos de uma árvore qualquer/ Onde ninguém pudesse imaginar/ O criador vê, uma flor a brotar♪. (Raíssa)

Ela respirou fundo e continuou a cantar.

♫Olhai, olhai, olhai/ Os lírios cresceram, nos campos/ E o Senhor nosso DEUS/ Os tem alimentado, para nossa alegria! ♫ (Raíssa)

Nessa hora, todos cantaram com ela.

♫PARA NOSSA ALEGRIA!/ PARA NOOSSA ALEGRIA!/ PARA NOSSA ALEGRIA!/ PARA NOOSSA ALEGRIIA!♪ (Raíssa)

Próximo! (Lúcia)

A Ana Thaís pegou o microfone (isso é um mau sinal...) e começou a cantar.

♫Sou a Barbie Girl/ Se você quer ser meu/ Namorado/ Fica ligado/ Presta atenção...♫(Ana)

Éllyda empurra Ana bruscamente, pega o microfone e diz:

O próximo! (Éllyda)

Um garoto pega o microfone e o violão e começa a tocar e cantar.

♫Sábado/ Na balada/ A galera começou a dançar.../ E passou a menina mais linda/ Tomei coragem/ Comecei a falar... ♫ (garoto)

Me afastei da roda, peguei meu sabonete, minha escova de dentes, meu shampoo, minha toalha e uma muda de roupa e fui para a cabana dos professores tomar banho.

6h PM


A cantoria já tinha parado (♫para noooossa alegria! ♫ Cara... Essa música pega!), estávamos em volta da fogueira, jantando. Mais tarde, começarão as histórias de terror. Eu procurava Avril com os olhos, mas nem sinal dela. A garota praticamente evaporou!

Dei uma passada no riacho para ver se ela ainda estava lá, mas nem sinal dela. Ao voltar para a fogueira, fui interceptada pela professora Suellen.

Querida, você poderia dar uma passadinha rápida na cabana e pegar uma lanterna? As histórias de terror vão começar logo. (Suellen)

Tá bom. (Marina)

Fui. Entrei na cabana e comecei a tatear, procurando um interruptor.

Quando finalmente o encontrei, que apertei o botão para ligar a luz, eu percebi que a lâmpada havia queimado. Voltei a tatear, dessa vez, procurando a lanterna.

Enquanto procurava, esbarrei numa mesa e derrubei um monte de papeis, me abaixei para juntá-los e senti a textura, pareciam bem antigos. Jornais, talvez?

Pensei um pouco. Só trouxe um livro, mas não tenho vontade nenhuma de lê-lo agora. Talvez seja uma boa ideia pegar esses jornais para ler mais tarde. Posso precisar me distrair.

Voltei a juntar os jornais e, entre eles, encontro algo mais duro. Mais pesado.

A lanterna.

Devia estar em cima da mesa...

Acendi a lanterna e olhei ao redor.

Eu fiz uma bela de uma bagunça, hein?

Volto a juntar os jornais.

Pelo menos agora eu tô vendo o que faço.

De repente, vejo na primeira página de um jornal a seguinte matéria em destaque:

Assassinato em série seguido de suicídio às margens do riacho Uirapuru

Ei! Esse é o nome do riacho daqui!

Coincidência?

Acho que não.

Vou ler.

Assassinato em série seguido de suicídio às margens do riacho Uirapuru

Dia 06 de Janeiro de 2002

O dia da tragédia que causou grande repercussão em todo o país.

A pequena Gabriele Marquês, de 11 anos, conduziu seus cinco amigos, Jennifer, Avril, Matheus, Luís e Clara à floresta próxima a sua chácara. Lugar onde matou quatro deles com uma arma perfuro-cortante textura, pareciam bem antigos. Jornais, talvez?

não identificada. A única que conseguiu escapar foi Avril, de 12 anos, que fugiu correndo do local, tropeçou, caiu no riacho, e morreu, vitima de afogamento.

Gabriele chegou correndo em casa, dizendo aos pais que eles haviam sido atacados por um animal. Em poucas horas, a policia chegou. No local do crime, foi encontrado muito sangue, mas nenhum sinal dos corpos. O único corpo encontrado foi o de Avril.

No dia do enterro dela, Gabriele confessou o crime em voz alta, e em seguida se suicidou com um tiro na cabeça.

A origem da arma ainda é desconhecida.


Credo...

Coloquei os jornais em cima da mesa, dei a lanterna para a professora Suellen e fui para a barraca da Éllyda (eu e a Raíssa trocamos de barraca).

Até perdi a vontade de ouvir histórias de terror.


2º dia


Acordei com um som no mínimo... Inesperado.

Saí da barraca da Éllyda e dou de cara com a professora Hairis andando pra lá e pra cá, batendo uma colher de pau numa panela e gritando Hora de acordar! Hora de acordar!.

¬¬

Que horas são?

Olhei meu relógio.

6h

Só pode tá de brincadeira!

Voltei pra barraca, me deitei, pus o travesseiro em cima da cabeça pra abafar o som e caí no sono.

Zzzzzzzzzzzzzz...

Acorde! Acorde! (?)

???

Murmurei alguma coisa como Mais cinco minutinhos! e me virei pro outro lado.

A pessoa continuou me sacudindo.

Acorde! (?)

Abri os olhos.

A pessoa me sacudindo era a Avril. Ela usava uma camiseta d com um som no minimo,e algodão branca, um short jeans e um par de botas de montaria pretas.

Oi Avril. (Marina)

Oooooi! (Avril)

Onde você tava ontem? (Marina)

Caí no riacho e fiquei com vergonha de ir pra fogueira. (Avril)

Hm... (Marina)

Trouxe seu café da manhã. Era o último. Coma e se arrume. Vamos fazer trilha. (Avril)

Peguei o sanduíche que ela me ofereceu.

Como você sabia que eu estou aqui? (Marina)

Minha barraca é aqui perto. Vi você entrando ontem. Dormiu cedo, né? Já vou indo. Te vejo depois. (Avril)

Ela saiu.

7h

Tomei o que foi, provavelmente, o banho mais rápido de toda a minha vida, me vesti (uma regata vermelha, um short jeans que vai até o meio da coxa e um par de tênis puma azul), comi o sanduíche, arrumei uma mochila com algumas coisitas que a gente possa precisar e fui procurar o povo.

Nem foi difícil. Tava todo mundo ao redor da fogueira (que não tava mais acesa).

Está todo mundo aqui? Ótimo. Vamos nos dividir em três equipes. Uma vai pro riacho. Outra vai fazer trilha e a terceira vai cuidar do acampamento.

Eles separaram os grupos.

Boa noticia: quatro de nós ficaram na mesma equipe

Má noticia: Eu não estava entre elas.

Outra má noticia: Eu tô na equipe da trilha.

¬¬

Eu mereço!

As outras meninas ficaram no grupo do riacho.

Grupo 1! Comigo! (Suellen)

É o meu grupo.

E lá vou eu!

Veem essas bandeiras? Se nos mantivermos na trilha delas, não corremos o risco de nos perder! (Suellen)

A tia Suellen é legal. Quem sabe, talvez eu até acabe gostando de fazer trilha. Pode ser que seja legal!


[cinco minutos depois...]


Meus pés doem! Minhas costas doem! Eu odeio fazer trilha!

Mandei uma mensagem pras meninas.

SOS! Alguém me salve dessa tortura! Pfv! Marina

Se vira! Éllyda (delicada...)

Dá ñ! Raíssa

Sorry! :D Flávia

Oq é SOS? Ana Thaís

Argh! Pelo visto eu to sozinha!

Quer dizer... Sozinha não... Tem o povo da trilha, mas os que eu conheço são:

Uma menina loira do SKIL Mag 1 que sempre que vê uma poça de lama, pula nela

Um moleque do Keep Up 2 que fica jogando pedaços de pão no meu cabelo

Um menino gorducho do Teen Action que ficou comendo chocolate o tempo todo... [Pov. Raíssa: Eu quero...] [Pov. Marina: Fica quieta que nem na cena você não tá!]


Deu pra entender, né?

De repente, o telefone daquele garoto gorducho que eu falei começou a tocar. Ele atendeu, assentiu com a cabeça três vezes, desligou o celular e começou a se embrenhar na mata fechada.

Ei! Garoto! Ei! (Marina)

Ele se virou e eu disse.

Não podemos sair da trilha! (Marina)

Ele revirou os olhos com desdém e continuou a entrar na mata.

Dei dois passos em direção a ele e senti uma mão no meu ombro.

Me viro e dou de cara com a Avril.

Não podemos sair da trilha. (Avril)

Eu sei! Mas aquele garoto parece não saber! (Marina)

Que garoto? (Avril)

Me viro e percebo que o garoto já havia saído de vista.

Um garoto gordinho saiu da trilha, Avril! Eu disse pra ele que não podia e ele me ignorou! I-g-no-rou! (Marina)

Avril revirou os olhos (virou moda, foi? Tá todo mundo fazendo isso!) e disse:

Você leva as coisas muito a serio! Tenho certeza de que ele só foi responder um chamado da natureza, ou algo do gênero. (Avril)

Você acha? (Marina)

Acho. (Avril)

Escorrego numa pedra e caio no chão igual uma jaca madura.

Ai! Eu ODEIO fazer trilha! (Marina)

Avril me ajuda a me levantar e diz:

Podemos voltar pro acampamento se quiser. (Avril)

Podemos? (Marina)

Poder, nós não podemos. Mas sim, nós podemos. (Avril)

Ri da frase enrolada dela.

Então vamos! (Marina)

Começamos a ir na direção contrária ao resto do povo.

Você se parece com uma amiga minha. (Avril)

Sério? (Marina)

Ela assente com a cabeça.

O nome dela era Clara. (Avril)

Clara? (Marina)

É. Por quê? (Avril)

Não sei. Parece familiar. (Marina)

Ela sorriu.

Acredita que quando a gente tava chegando no acampamento a Avril sumiu de novo? Coisa chata, não é? Tô indo para o riacho procurar as meninas. Já estou até de biquíni por debaixo da roupa!

Estava indo para o riacho quando uma menina me pergunta:

Você viu o Caik? (menina)

Quem? (Marina)

O Caik! Alto, cabelo preto, olhos verdes, bronzeado... Ele é meu namorado e... E simplesmente... Sumiu! (menina)

Fica calma. Qual o seu nome? (Marina)

Catarina. (Catarina)

Ok, Catarina. Qual foi o último lugar que você viu ele? (Marina)

Na cabana dos professores. A gente ia assar uns peixes pro almoço. O telefone dele começou a tocar, ele atendeu, saiu e da barraca e eu não vi mais ele. Estou procurando há mais de uma hora. (Catarina)

Ela começou a chorar.

Ok. Já comunicou algum dos professores? (Marina)

Não... (Catarina)

Então vá fazer isso. Vai ser mais fácil encontrar o Caik se todos os professores souberem que ele está desaparecido, está bem? (Marina)

Tá. (Catarina)

Ela saiu.

Continuei meu caminho e encontro a Flávia sentada no chão com as costas apoiadas numa goiabeira, ouvindo música no Ipod dela e comendo uma goiaba.

Cutuquei ela.

Ela tira os fones do ouvido e pergunta:

Que é? (Flávia)

Sabe onde tão as outras? (Marina)

A Éllyda e a Raíssa eu não sei, mas a Ana Thaís tá mais ali na frente. Você não devia estar fazendo trilha? (Flávia)

Dei os ombros e digo.

Obrigada. (Marina)

De nada. (Flávia)

Ela colocou os fones do IPod novamente e deu outra mordida na goiaba.

Segui em frente e encontrei a Ana Thaís numa posição... Estranha.

Era como se ela estivesse ajoelhada ao lado do riacho e tivesse (sabe lá por que raios) metido a cabeça dentro dágua. Ficando, no processo, de bunda pra cima.

Me sentei do lado dela e esperei que ela tirasse a cabeça de dentro dágua para respirar. Assim que ela fez isso, eu perguntei:

Tá fazendo o que? (Marina)

Meu celular caiu nágua. (Ana)

Ela afundou a cabeça de novo, esperei ela emergir novamente e perguntei:

E agora tá procurando ele? (Marina)

É. (Ana)

Ela afundou a cabeça novamente. Nisso, a Éllyda se aproxima e pergunta pra mim:

A energúmena zoiúda tá fazendo o que? (Éllyda)

O celular dela caiu nágua e ela tá procurando. (Marina)

Ana levanta a cabeça à procura de ar.

Tá procurando o celular, é? (Éllyda)

É. (Ana)

Acho que vi uma coisinha brilhando. (Éllyda)

Onde? (Ana)

Ali. (Éllyda)

Onde? (Ana)

Bem ali. (Éllyda)

Éllyda empurra Ana, que cai no riacho.

Depois de alguns segundos, Ana emerge e diz:

Ainda não achei. (Ana)

¬¬

Tadinha da minha amiga.

Tão ingênua...

Nisso, Raíssa chega na gente e diz:

Pessoal, os professores tão chamando todo mundo. É pra ir para a cabana dos professores. (Raíssa)

Raíssa usava uma regata preta, um mini (põe mini nisso) short jeans e um par de havaianas verdes.

Éllyda usava uma camiseta escrita Rock in Rio, eu vou (um dia) branca, um short jeans e um par de sandálias de dedo vermelho-sangue.

Ana tinha o cabelo (agora encharcado) preso num rabo de cavalo, usava um biquíni azul-petróleo e suas havaianas rosa-choque estavam debaixo de uma árvore próxima.

Ana Thaís calçou suas havaianas e fomos para a cabana dos professores. Flávia já estava lá.

Gostaria de chamar a atenção de todos! Hoje, três pessoas desapareceram! Caik, da equipe do acampamento, Lucas, da equipe da trilha e Catarina, da equipe do riacho. Se algum de vocês souber de algo, nos avise de imediato. Obrigado pela atenção. (Lúcia)

Flávia empalideceu.

Eu estava lá quando a Catarina desapareceu. (Flávia)

Sério? (Raíssa)

Eu estava com ela. O celular dela tocou, ela o atendeu e entrou na mata. (Flávia)

Acho que a Dona Lúcia vai querer saber. (Marina)

Num sei não... Nem aluna eu sou! (Flávia)

Nesse caso, eu vou com você. (Marina)

Entramos na cabana. A professora Suellen estava colando as fotos de umas pessoas num mural. Dois garotos e uma garota.

A garota era uma ruiva dos olhos castanhos. Tinha uns... 15 anos? Por aí. É a Catarina! A garota do namorado desaparecido!

Um dos garotos era alto, tinha o cabelo castanho bem escuro, ou seria preto? Enfim, também possuía olhos verde-azulados bem raros de se encontrar por aqui e tinha um bronzeado digno de um surfista. Devia ter uns 17 anos. Acho que é o Caik.

E o terceiro era...

O menino gordinho.

Aquele que saiu da trilha.

Mas que borra é essa?!

Esses são os desaparecidos? (Marina)

São. (Suellen)

Eu tava lá quando a Catarina sumiu. (Flávia)

E eu vi quando o Lucas desapareceu. (Marina)

Contei a elas o que aconteceu.

Sabe que não devia ter saído da trilha, não é? (Suellen)

Sei. Mas como você é muito legal, não vai espalhar, não é? (Marina)

Ela arqueou a sobrancelha.

Pelo menos eu tentei.

Tudo bem. Mas só porque você é a minha única aluna que termina o prova em 5min e ainda assim tira 10. (Suellen)

*U*

Fuck Yeah!

E você? (Suellen)

Eu tava no riacho, a Catarina chegou e perguntou se eu tinha visto o namorado dela, eu disse que não, o celular dela tocou, ela entrou na floresta e não voltou. (Flávia)

Exatamente como os outros dois. (Suellen)

8h19min AM


Encarei o mapa à minha frente. Ele mostrava toda a área do acampamento.

O primeiro a desaparecer foi o Caik. Às 7h35min AM, na Cabana Dos Professores.

Coloquei um alfinete de cabeça vermelho-sangue em cima da Cabana.

A segunda pessoa a desaparecer foi o Lucas, o menino gorducho que me IGNOROU! Às 7h50min AM, a mais ou menos quinhentos metros do inicio da trilha.

Coloquei o alfinete de cabeça laranja na trilha.

O terceiro a desaparecer foi a Catarina.. Às 8h05min AM, no riacho.

Coloquei o terceiro alfinete, de cabeça cor-de-rosa, no ponto do riacho onde ela supostamente desapareceu.

(Tô me sentindo no CSI!)


♫ I am sexy and I know it! ♪


Meu celular tá tocando.

Olhei o visor.

Número desconhecido.

Ia atender quando lembrei que todos os desaparecidos atendiam o celular e sumiam logo em seguida.

Quer saber? Deixa tocar!

Pus meu celular no silencioso, soquei ele no bolso do meu short e fui para a fogueira.

Preciso esticar as pernas um pouco.

Chegando lá, encontrei Ana Thaís, Éllyda e Flávia.

Porque você não atende o celular? (Ana)

? (Marina)

Pediu que ligássemos se acontecesse algo. Eu te liguei e chamou até cair. (Ana)

Não recebi nenhuma ligação sua. (Marina)

Dã! Meu celular caiu nágua, lembra? Te liguei do celular da Hairis! (Ana)

Ah... O que aconteceu afinal? (Marina)

O Nino sumiu! (Ana)

¬¬ (todas)

T-T (Ana)

Serio que foi só isso? (Marina)

Só isso?! E ainda acha pouco? Meu bebezinho! Deve estar passando frio! Fome! Sede! Ele vai ser devorado por um urso! Buá! Eu vou morrer! (Ana)

¬¬ (todas)

=X (Ana)

Ana... Não tem ursos no Brasil. (Flávia)

Não? (Ana)

Não. (Flávia)

Então ele vai ser devorado por um leão! Buá! (Ana)

¬¬ (todas)

Ér... (Flávia)

Não comenta. Só vai piorar. (Éllyda)

T_T (Ana)

Ér... Vou voltar pra barraca. (Marina)

Voltei pra barraca.

Olhei o mapa novamente.

O que eu estou deixando passar?

Meu celular vibra no bolso do short.

Pego ele e olho o visor.

Número desconhecido

Atendi.

Olha Ana, se você tiver me ligado para falar do sumiço da dr*ga do seu gato... (Marina)

Mas fui interrompida pela voz mais doce e encantadora que já ouvi.

8h20min

Pov. Ana Thaís


T-T

Eu vou morrer!

O Nino sumiu!

Voltei pra minha barraca pra curtir minha depressão.

Miau! (Nino)

Nino!

Você voltou pra mamãe!

Como é que a Marina pode não gostar dessa coisinha fofa?

Peguei o celular da Pessora Hairis e disquei o número da Marina.

Aqui é a Marina, no momento não posso atender. Deixe o seu recado após o sinal.

Que estranho... A Marina sempre atende...

Ela deve tá na outra barraca. Vou pra lá.

Saí da minha barraca e fui pra da Éllyda.

Vazia...

Que estranho.

Hm...

Por que esse mapa tá cheio de alfinetes?

Será que a Marina tava praticando Vudu e foi levada pela Corte Unseelie pro Mundo da Fadas? #viajoulegal

Éllyda entra na barraca.

Tá fazendo o que aqui, energúmena zoiúda? (Éllyda)

Procurando a Marina. Queria avisar pra ela não se preocupar, eu já achei o Nino! (Ana)

¬¬ (Éllyda)

*U* (Ana)

Flávia entra.

Você achou o Nino? Legal! (Flávia)

*U*

Raíssa entra, parecendo que viu um fantasma.

O que foi, Raíssa? Parece que viu um fantasma! (Éllyda)

Não disse?

Eu vi. (Raíssa)

Viu o que? (Ana)

Um fantasma. (Raíssa)

O.O (todas)

o______o (Raíssa)

Mini-Pov. Raíssa: on

~Flashback: on~


A professora Chris havia pedido pra eu guardar umas coisas na Cabana dos Professores. Eu, na maior boa vontade do mundo, fui.

Chegando lá, esbarro numa mesa e cai uma caixa com um monte de coisas velhas.

Me abaixo para arrumar e meus olhos batem certinho numa foto.

Seis pessoas posavam sorridentes para a foto.

Uma menina morena pálida; uma ruiva, alta e com jeito de patricinha; outra garota, loira e de pele pálida; uma garota de cabelos negros curtos e olhos cor de mel; um menino gorducho ruivo e um garoto alto, provavelmente mais velho, bronzeado e com cabelo castanho escuro.

Então, do nada, me vem um arrepio. Me levanto rápido e me viro, dando de cara com uma garota.

Arregalei os olhos.

Eu sei o que você é! Vá embora! (Raíssa)

Nossa... Magoou... (fantasma)

Eu sei umas macumbas mucho locas e não tenho medo de usá-las! (Raíssa)

Eu sei disso. Só quero ajudar. (fantasma)

Não quero nada vindo de fantasmas! (Raíssa)

Ela revirou os olhos.

Me chamo Avril. Que bom que encontrou a foto! A tiramos pouco antes do dia que morremos. (Avril)

Olho novamente a foto e encontro Avril (ela era a de cabelo loiro e pele pálida) ao lado do menino gordinho.

Olhe esse quatro com atenção. Com quem se parecem? (Avril)

Ela apontou para a garota de cabelos negros curto e olhos cor de mel, para o garoto mais velho, para o menino gorducho e para a ruiva patty (patricinha).

Parecem familiares... (Raíssa)

Ela revirou os olhos e apontou para o mural.

Ah...

Os desaparecidos!

Se parecem muito com eles!

*para e pensa um segundo*

Espera um pouco!

Avril? (Raíssa)

Sim? (Avril)

E a outra? Não sumiu ninguém parecido com ela. (Raíssa)

Já. Ela acabou de ser pega. (Avril)

Mas não tem ninguém parecido com ela...

Exceto por...

Arregalei os olhos.

Marina! (Raíssa)

Saí correndo da Cabana dos Professores.

~flashback: off~


Mini-Pov. Raíssa: off


Pov. Flávia


E foi isso. (Raíssa)

... (todas)

Você ainda tá com a foto? (Éllyda)

Tô. (Raíssa)

Deixa eu ver. (Éllyda)

Raíssa entrega a foto pra Éllyda, que a examina.

Qual delas é a fantasma? (Éllyda)

É a do meio. Entre o ruivo gorducho e o gato com cara de surfista. (Raíssa)

Hm... E esses aqui são os sósias dos desaparecidos... Doppelgänger? Acho que não... Um espírito raivoso, talvez? (Éllyda)

Revirei os olhos.

É mais provável que você esteja assistindo Supernatural demais. (Flávia)

Éllyda enrubesce.

Talvez seja a Corte Unseelie. (Ana Thaís)

? (todas)

Tem um mapa aqui cheio de alfinetes. Acho que a Marina tava praticando Vudu, foi pega pela Corte Unseelie e levada para o Mundo das Fadas junto com os outros desaparecidos. Espero que não, pois sem um Faeriewalker eles vão morrer rapidinho... Se bem que pra ver o Ethan eu correria o risco! (Ana Thaís)

Ela começou a se abanar como se estivesse com calor.

Corte Unseelie pode não ser, mas talvez ela estivesse invocando alguma coisa e essa alguma coisa tenha se revoltado... (Éllyda)

¬¬

Hello?! Gente, é a Marina! Lembram? (Flávia)

Por que a gente não liga pros irmãos Winchester? Eu decorei o número. (Raíssa)

Gente... (Flávia)

Decorou, foi? (Éllyda)

Gente... (Flávia)

Foi. (Raíssa)

Gente... (Flávia)

Mas você acha que eles viriam pra um caso no Brasil? É meio longe da área que eles geralmente trabalham... (Éllyda)

Gente... (Flávia)

Acho que sim. Se a gente pedir com jeitinho... (Raíssa)

GENTE! DÁ PRA VOCÊS ME ESCUTAREM, CARAMBA? TÃO AÍ, VIAJANDO NA MAIONESE E A RESPOSTA TÁ AQUI NA CARA DE VOCÊS, P*RRA! ENTÃO DÁ PRA VOCÊS PARAREM DE FALAR BESTEIRA E OLHAR PRA DROGA DO MAPA? (Flávia)

Calma, Flávia. Não precisa gritar. Ninguém aqui é surdo. Desse jeito você vai ter cabelos brancos antes dos 15. (Ana Thaís)

Respira, Flávia, respira. Um, dois, três...

Respirei fundo e disse.

Tão prestando atenção? Ótimo. Se vocês prestassem atenção no mapa, teriam percebido que cada alfinete marca o lugar que cada desaparecido sumiu. A Cabana dos Professores, o Riacho, a Trilha... (Flávia)

Então ela não tava praticando Vudu? (Ana Thaís)

¬¬

Nem invocando um Daeva? (Éllyda)

¬¬

Não e não. A Marina assiste Sobrenatural também, lembra? Ela não seria burra de fazer isso sabendo os riscos. (Raíssa)

Gente! (Flávia)

Todas me olham.

Posso continuar? (Flávia)

Não tem ninguém te impedindo. (Éllyda)

Respira, Flávia, respira.

Se eu pegar um alfinete e marcar aqui, o que acontece? (Flávia)

Peguei um alfinete de cabeça verde escuro e coloquei no lugar onde a barraca deve estar.

Se você colocar, ao invés de três alfinetes, vão ser quatro. (Ana Thaís)

Não. Não é isso. O espaço entre os alfinetes parece ser o mesmo. E além do mais, eles formam uma linha reta. (Raíssa)

*corinho de aleluia ao fundo*

Obrigado SENHOR! Obrigado! Finalmente alguém resolveu ser racional aqui!

Agora, Éllyda, pode usar o que você viu em Sobrenatural. Se fosse uma criatura da série, o que isso significaria? (Flávia)

Bem, se estivéssemos na cidade, que a criatura está no esgoto e usando isso para se locomover, mas como estamos na floresta, isso é... (Éllyda)

Um rastro. Ele começou atacando mais próximo da toca e agora está afastando as vitimas de lá. (Raíssa)

Pra que assim, ninguém desconfie. (Éllyda)

Mas eles são previsíveis. Tem um padrão. (Raíssa)

E se tem um padrão, podemos prever onde será o próximo ataque. (Ana Thaís)

O.O (todas)

Como você... (Raíssa)

Eu vi no CSI. (Ana Thaís)

Pelo menos foi num programa que preste e não na Barbie. (Éllyda)

Ei! O que você tem contra a Barbie? (Ana Thaís)

¬¬ Sem comentários. (Éllyda)

Não importa. Eu tenho um plano! (Ana Thaís)

A energúmena zoiúda tem um plano? O mundo vai acabar. (Éllyda)

T-T Isso é bullying! (Ana Thaís)

Não liga pra Éllyda. Qual é o plano? (Flávia)

Se a gente pode prever o lugar do próximo ataque, podemos montar guarda lá. Quando o próximo ataque acontecer, a própria criatura ou o que quer que seja nos levará para a toca. O que acham? (Ana Thaís)

O.O (Todas)

O.O A zoiúda pensou alguma coisa que preste... O mundo vai acabar! (Éllyda)

¬¬ (todas)

Eu achei brilhante. Mas eu tenho uma ideia melhor. Raíssa? (Flávia)

Eu. (Raíssa)

Você decorou a macumba que altera a aparência das pessoas, não foi? (Flávia)

Ér... Hm... Gasp... Foi, mas... Eu não estava... Tá bem, eu admito, estava treinando pra ficar igual à Miley Cyrus no dia da formatura. (Raíssa)

¬¬ (todas)

Ér... Não importa. Pode usar em mim? (Flávia)

??? (todas)

Pra que? Você também quer virar a Miley Cyrus? (Raíssa)

¬¬ Não. Eu vou ser a isca. Me faça ficar igual à morena pálida da foto. Não a fantasma. A outra garota. (Flávia)

E depois? (Raíssa)

Iremos para o lugar do próximo ataque e esperaremos. (Flávia)

... (Raíssa)

Raíssa? (Flávia)

Não. (Raíssa)

Não? (Flávia)

Eu vou ser a isca. (Raíssa)

Mas... (Flávia)

Mas nada. Eu sei o que estou fazendo. Se meu palpite estiver certo, você não serve para ser a isca. (Raíssa)

Ela fechou os olhos e começou a recitar.

Convertere ius/ ego perfectum/ cilia, labia, ignitus/ facit me/ Quod est pulchra/ quam ego/ ita simplex. (Raíssa)

Pouco a pouco, Raíssa foi ficando mais baixa, magra, pálida, seu cabelo ficou mais comprido, e, quando ela abriu os olhos, eles eram acinzentados.

Como estou? (Raíssa)

Até a voz dela tinha mudado. Mais suave.

Idêntica. Exceto pelos olhos. Os da fulaninha eram verdes. (Flávia)

Eu sei. Mas eu não posso ficar completamente igual. Seria meio suspeito. Então, vamos logo? (Raíssa)

Andamos até o ponto onde vai acontecer o próximo ataque.

Agora é esperar.


Pov. Marina


Minha cabeça dói. Minha visão está turva e meu pescoço ainda lateja da mordida.

E pensar que eu caí como um patinho na armadilha...

Burra, burra, burra.

Ah! Um conselho: se for mordido por um vampiro, não lute contra. É isso que causa a dor e não adianta nada. Eles são, tipo, trocentas de vezes mais fortes que você. Então, você já está morto. A menos, claro, que o vampiro tenha resolvido brincar com a comida. Aí, meu caro, você vai preferir ter morrido de cara.

Sinceramente? Odeio ser mordida por vampiros. Seus pensamentos ficam embaralhados, você fica com dor de cabeça e possivelmente, pode morrer ou virar vampiro caso o sanguessuga tenha te dado uma dose de seu sangue.

Pois é, quem está causando os desaparecimentos é uma vampira. Não. Uma híbrida. Igual a Natasha. Percebi isso no momento que a hipnose passou e vi o pentagrama azul na bochecha da maldita sanguessuga vadia.

O que? A desgraçada me mordeu! Tenho todo o direito de ficar revoltada.

Por que você está fazendo isso? (Marina)

Sabe que existe uma profecia, não sabe? Sobre o último hibrido nascido em 1997 a permanecer vivo. Natasha te contou. (vampira)

Sei. (Marina)

Pois bem. 10 anos atrás, outra hibrida esteve aqui, nessas terras. O nome dela era Jennifer. Ela tinha cinco amigos humanos. Gabriele, Matheus, Luís, Clara... (vampira)

E Avril. (Marina)

Minha cabeça latejava. Juntando as peças. Avril, Clara... O nome dela era Clara...

Sim. Esse era o nome dela. Jennifer vivia aqui, escondida dos pais de Gabriele. Ela era perigosa, tinha poder demais. Então eu hipnotizei Gabriele, fiz com que ela trouxesse Jennifer para mim. Mas os outros perceberam algo estranho na menina e foram atrás. Tive de matá-los. Uma delas, Avril, era uma bruxa. E me lançou uma maldição. Que um dia, seria morta por alguém que era a imagem viva de seus amigos. (vampira)

Você se parece com uma amiga minha... Clara...

Então eu a afoguei. Ela havia ingerido Verbena. Não podia provar seu sangue. Uma pena. Sangue de bruxa costuma ser bom. Eu hipnotizei Gabriele para que ela... (vampira)

Confessasse o crime e se matasse em seguida. (Marina)

Como alguém consegue ser tão... Tão... Fria? Calculista? Sádica?

Sim. Em seguida eu fugi. Há alguns meses, eu e minha irmã começamos a perseguir uma híbrida em Fortaleza. Ela veio para cá e eu e minha irmã nos separamos. Não ousei pisar nessa terra maldita novamente. (vampira)

As peças se encaixavam rapidamente em minha cabeça. Híbrida, Fortaleza, perseguição, Natasha.

Mas minha irmã começou a demorar e me preocupei. Quando cheguei, já era tarde. Ela estava morta. Mas, por um lado, foi bom. Uma hora ou outra uma de nós teria que morrer. Antes nas mãos de outra do que nas minhas. E aí eu te vi. (vampira)

Me senti gelar. A conversa estava seguindo um rumo que eu não estava gostando nem um pouco.

A imagem viva de um dos amigos de Avril. Ficou claro que seria você a me matar. Isso, claro, antes de eu ver os outros. Iguais a eles. Nunca imaginei que a magia daquela fedelha fosse tão forte. Mas eu me vinguei dela. A desgraçada nunca poderá descansar em paz. Os corpos de seus amigos nunca foram enterrados ou cremados. Eles permanecem presos a uma eternidade de sofrimento. (vampira)

Vi uma espécie de brilho nos olhos dela. Prazer. Ela sentia prazer em causar sofrimento nos outros.

Argh! Ela é doente! Só pode.

Não entendi o lance da hipnose. Achei que precisasse de contato visual. (Marina)

As cordas que me amarravam à árvore estavam apertadas. Tentei me contorcer para pegar o celular no bolso do short sem que ela visse. Tenho que mantê-la ocupada.

Geralmente precisa. Mas não sou simplesmente uma híbrida. Sou filha de Elijah! Um original! Sou tão poderosa quanto sua Natasha! (vampira)

A Natasha é tão poderosa assim? (Marina)

Ela sorriu. Um sorriso irônico e cruel.

Você não sabe, não é? Ela não lhe contou nada! Rá! Mas eu vou me vingar dela. (vampira)

Não estou gostando do rumo dessa história. Não estou gostando nem um pouco.

Se vingar? Como? (Marina)

Usando você. (vampira)

??????

Eu? Mas a gente não se vê desde aquele dia! (Marina)

Ela deu o sangue dela pra você, não foi? Natasha é uma tola. Não conviveu com Johan o suficiente para descobrir isso, mas ela criou um elo entre vocês. Ele vai se romper com o tempo. Não é nada eterno. Mas ela sentirá seu desespero, sentirá sim. E virá lhe ajudar. Aquela tola. (vampira)

Consegui pegar meu celular. Tentei digitar sem olhar.

Sorte que ele ainda está no silencioso.

Mandei uma mensagem para a Natasha.

Aja o que houver, sinta o que sentir, mas ñ venha em hipótese alguma. Posso me virar sozinha. Marina

Depois, apertei o número 5 e liguei. É o número da Éllyda na discagem rápida.

Agora seja o que DEUS quiser.


Pov. Flávia


♫ I gotta a hangover... wow! ♪

Meu celular. (Éllyda)

Não atende. (Flávia)

Ela revirou os olhos.

É o número da Marina. (Éllyda)

Pode ser um truque. (Flávia)

Pode ser que você tenha Mania de Perseguição. (Éllyda)

Ela atendeu.

Marina? (Éllyda)

O rosto dela perdeu a cor.

Eu disse. (Flávia)

Fica quieta. Não falem nada. (Éllyda)

Ela clicou no botão do viva-voz.

Ok. Recapitulando, você é uma híbrida nascida em 1997, que há 10 anos hipnotizou uma garota e matou os amigos dela porque um deles também era um híbrido de 1997. Uma das amigas da garota era uma bruxa que te lançou uma maldição onde você morreria nas mãos de alguém idêntico a um dos amigos dela que você matou. Há alguns meses, você e a sua irmã começaram a perseguir uma hibrida em Fortaleza, que por acaso era a Natasha. Sua irmã morreu e agora você pretende me usar para atrair ela pra cá e me matar lentamente depois, é isso? (Marina)

É. (mulher)

Você é louca. (Marina)

E eu poderia te matar por dizer isso. Sabe por que eu não faço isso? (mulher)

Por que precisa de mim. (Marina)

Não. Por que se eu te matasse, seu sangue esfriaria e seria um desperdício. (mulher)

Depois disso, ouvimos um som sufocado, como se Marina tivesse tentando gritar, mas não tivesse ar para fazê-lo.

Ana Thaís arfa.

O que foi isso? (mulher)

Fuzilamos Ana Thaís com o olhar.

Fui eu. A mordida doeu. (Marina, mentindo)

Não. Não foi você. (Mulher)

A voz dela estava mais doce, e escorregadia. Como mel. Enjoativo.

Não fui eu. (Marina)

E quem foi? (mulher)

É isso! Hipnose! Como eu não percebi antes?

Se passa um segundo sem som algum. Após um perturbador minuto de silencio, ouvimos.

Um celular? Genioso. Você aí do outro lado. Não estou nem me lixando pra quem quer que você seja, mas não venha. Ou vai ter o mesmo fim que essa aqui. De hoje ela não passa. Vou desligar. Tenho coisas mais importantes pra fazer, como arranjar minha próxima vitima. Tchauzinho. (mulher)

Tu... Tu... Tu... Tu...

Nos encaramos.

Isso foi... (Ana Thaís)

Não soubemos o que Ana ia dizer, pois ela foi interrompida pelo celular de Raíssa.

♫ You make me wanna die
I'll never be good enough
You make me wanna die
And everything you love will burn up in the light
Every time I look inside your eyes
Make me wanna die♪


Atende. (Flávia)

Raíssa atendeu o celular.

Alô? (Raíssa)

Raíssa ficou em silêncio um segundo. Seus olhos ficaram opacos. Ela assentiu com a cabeça três vezes, desligou o celular e começou a entrar na floresta.

Seguimos ela.

Ela andava a passos largos e rápidos. Como se tivesse pressa. E em momento algum olhou para trás.

Seguimos o tempo todo em linha reta, até que fomos parar numa clareira.

Nos escondemos atrás de algumas árvores. Raíssa continuou indo. Havia uma mulher, alta, seu cabelo era quase prateado de tão loiro e estava de costas para nós. Parecia levemente inclinada sobre algo. Mas quando ouviu os passos de Raíssa, se virou, revelando Marina, amarrada a uma árvore. A mulher tinha a boca suja de sangue e um pentagrama azul tatuado na bochecha. Ao ver Raíssa, ela sorriu e limpou a boca com a costa da mão.

Finalmente! A última chegou. O feitiço foi mais fraco em você, por isso, usá-la-ei. Fique aqui. Torture um pouco os outros convidados com essa faca se entediar-se. (mulher)

Ela entregou uma faca pra Raíssa, que foi em direção a uma árvore.

Só então eu percebo o cenário, haviam mais três pessoas lá.

Os desaparecidos.

A menina, Catarina acho, estava desmaiada, no chão. Havia uma poça de sangue em volta dela. O menino gorducho, Lucas, estava amarrado numa árvore. Na árvore ao lado estava amarrado o garoto que é, provavelmente um dos mais bonitos que já vi na minha vida. Caik.

Raíssa foi andando em direção a Caik com a faca na mão. Ele estava desacordado. Havia várias mordidas, pelo pescoço, ombros e peito.

Parece que a vampira gosta de brincar com a comida.

Raíssa fez um pequeno corte na bochecha dele e ele gemeu de dor, ainda desacordado. Ou talvez não. Talvez apenas estivesse fraco demais para reagir ou se defender.

Raíssa sorriu.

Não. Não é a Raíssa. Enquanto estiver sobre o efeito da impulsão ela é apenas uma marionete.

Sinto Ana Thaís se tencionar ao meu lado.

Olho para ela.

Ela havia fechado os olhos e aberto bem a boca, além de ter se curvado um pouco para trás.

Arregalo os olhos.

Ela vai espirrar!

Tampo a boca dela com a mão a tempo de evitar o espirro.

Ela abre os olhos.

Tiro a mão.

ATCHIM! (Ana Thaís)

A vampira se vira e olha em nossa direção.

Sinceramente?

F*deu!


Pov. Marina


Um espirro ecoa por toda a campina.

Ana Thaís.

¬¬

Belo grupo de resgate eu arranjei, hein?

Avril Faça silêncio.

!

Como ela...

Avril Não importa. Vou tentar ajudar você. Lucas já está desacordado, mas Caik não. Vou falar com ele. Aguenta as pontas aí.

Cricri...

Avril Voltei!

Marina Ótimo. O que a gente faz?

Avril Nada

Marina Nada? E pra que isso vai servir?

Avril A gente não vai fazer nada. Você vai.

Marina ¬¬ Valeu pela ajuda então.

Avril ^-^ De nada.

Marina Avril?

Avril Ok, você vai fazer o seguinte: fecha os olhos.

Marina É o que?

Avril Fecha os olhos

Marina Pra que?

Avril Só faz isso. Sei o que estou fazendo.

Fechei os olhos.

Avril Agora limpe sua mente. Tente não pensar em nada.

Marina É meio difícil com você aí. Isso é invasão de propriedade, sabia?

Avril Tá a fim de viver? Se não tiver, avisa. Que eu paro de ajudar.

Marina ...

Avril Ainda não...

Marina ...

Avril Ainda não

Marina ...

Avril Ainda não

Marina ...

Avril Que coisa! Nem é tão difícil assim!

Marina Tô tentando!

Avril Não está tentando o suficiente!

Marina ...

Avril Desisto. Vou falar com o Caik. Talvez ele tenha algum progresso.

Marina ...

Vamos lá... Você consegue... Anda...

Limpar a mente...

Limpar a mente...

Marina

Me liberte...

Havia uma espécie de... Luz esverdeada... Muito forte.

Me liberte...

Algo parecia me puxar para aquela luz. Não conseguia evitar.

Me liberte...

Estava bem próximo agora. Poderia tocá-la...

Me liberte...

Parecia uma... Esfera de vidro. A luz vinha de lá. Como a voz.

Me liberte...

Toquei a esfera de vidro e ela rachou. Libertando a luz verde.

Livre!

Então apaguei.


Pov. Flávia


[N/A: Continuando da parte que ela tinha parado]


ATCHIM! (Ana Thaís)

A vampira se vira e olha em nossa direção.

Então ela sorri e some.

Sinto uma mão fria tocar meu ombro.

Bú. (vampira)

Ana Thaís se levanta e começa a correr.

Você! Sentada! (vampira)

Ana Thaís cai sentada no chão com um baque.

E vocês duas... (vampira)

Ela pega a mim e a Éllyda, uma com cada braço e nos leva pra clareira.

Fiquem quietinhas aí. (vampira)

Ela nos larga no chão. Percebo que Éllyda quase nem pisca.

Hipnose.

Estranho.

Parece que não funciona comigo.

Vou fingir que funciona. Assim vou ter um elemento surpresa.

Fico parada.

Foi pra vocês que ela pediu ajuda? (vampira)

Foi. (Éllyda)

Ela sorriu.

Ótimo. Não precisa se esconder. Eu sinto sua presença. (vampira)

Uma garota sai das sombras. Seu cabelo era negro e comprido, os olhos castanhos, alta, pele pálida e um pentagrama azul tatuado na mão direita.

Natasha.

Deixe-as em paz. (Natasha)

Acho que não. (vampira)

Por cerca de um minuto, tudo o que vejo são borrões. Dois borrões incrivelmente rápidos.

Então, a luta parece ter acabado. A outra híbrida estava caída no chão. Os olhos vidrados, uma estaca de madeira enterrada em seu peito e um grande corte que atravessava sua tatuagem de uma ponta a outra.

Natasha andou até o Caik e começou a soltar as cordas que o prendiam à árvore.

Mais rápido do que pude processar, a outra híbrida retira a estaca de seu peito e corre até Natasha, que, pega de surpresa, não reagiu a tempo. Tendo, dessa forma, uma estaca cravada na barriga.

Tola. Minha maior fraqueza é também minha maior força. Nem o Sol pode me matar. Quanto mais uma reles estaca. (vampira)

Natasha cai no chão. Sua respiração era superficial.

Vou lhe deixar viva por enquanto. Vou me divertir um pouco primeiro. (vampira)

Ela se virou para Raíssa e disse:

Venha cá! (vampira)

Raíssa parou o que estava fazendo e veio.

Ataque elas. (vampira)

Ela apontou para mim e para Éllyda.

Isso não vai acabar bem.

Raíssa se aproxima de nós.

Raíssa? Você não vai fazer isso, né? Somos amigas, lembra? (Flávia)

Raíssa continua como se nem tivesse me ouvido.

Legal. (N/A: Sarcasmo passou lá longe... né?)

Ela se aproximou mais. Mas parecia hesitar.

Juro que vi um brilho no olhar dela. Apenas por um segundo.

O que está fazendo? Ataque! (vampira)

E lá se vai o brilho...

Raíssa foi se aproximando de nós com um sorriso sádico, a faca empunhada e os olhos arregalados, como se ela tivesse tomado sa se aproxima de npira)

s.estava fazendo e veio.

do de vocriga.

am ponta a outracinquenta xícaras de café.

Então eu tive uma ideia. Era uma ideia louca, mas era a melhor que eu tinha.

Como era mesmo? Ar-ar-ar...

Argentum! (Flávia)

Um grande paralelepípedo de prata (mais ou menos do tamanho do meu antebraço) sai do chão bem na frente da Raíssa, que tropeça e cai desmaiada. O feitiço para alterar a aparência se desfaz.

Eu queria o feitiço do fogo... Mas esse serve.

[N/A: o feitiço do fogo é ardent. Daí a confusão da Flávia]

A vampira psicopata semicerra os olhos.

Chega. Se você quer uma coisa bem feita, faça você mesma. (vampira)

Ela vem em nossa direção.

Falei a primeira coisa que me veio à cabeça.

Solis! (Flávia)

Uma luz forte saiu do meu corpo e envolveu a vampira, que gritou.

Ok... De onde eu tirei esse?

Quando a luz cessou, ela começou a gargalhar. Havia queimaduras de segundo e terceiro grau por todo seu corpo. Mas elas cicatrizavam tão rapidamente que ela provavelmente estaria pronta pra outra em cinco minutos.

Como eu mesma disse, nem o Sol pode me ferir. Apesar de eu não esperar um encontro com uma maga. Seu sangue deve ser especialmente doce. (vampira)

Ela avançou em mim, mas antes que me alcançasse, uma luz esverdeada forte enche a clareira, como uma mini supernova verde-folha.

What the f*ck...?

Olhei na direção da luz.

Era...

Marina.

A luz havia diminuído bastante agora, de modo que agora apenas uma fraca aura verde-folha revestia seu corpo como uma segunda pele. As cordas que a prendiam à árvore haviam se rompido. Seu cabelo esvoaçava e seus olhos brilhavam completamente verdes.

E não era tudo, ela estava meio que flutuando a um palmo do chão e a aura verde parecia transmitir uma espécie de calor, uma nostalgia. Me lembrava o ar livre, a magia...

Me lembrava Nárnia.

Minha terra natal.

Vou repetir: What The F*ck?!

A vampira fez uma careta e mudou o percurso, indo em direção a Marina.

Marina fez um gesto com a mão e o solo se rompeu aos pés da vampira. Raízes retorcidas envolveram suas pernas.

Mas que diabos...? (vampira)

Ela tentou se livrar das raízes, mas elas cresciam mais rápido do que ela podia arrancar. Logo parecia que ela usava botas de madeira.

Quanto mais ela lutava, mais rápido as raízes cresciam. Elas se enroscavam em seu corpo, engrossando e enrijecendo até se tornarem madeira. A vampira esticou os braços numa tentativa desesperada de se libertar e estes se tornaram galhos. As raízes continuaram crescendo e crescendo até que parou. Deixando apenas o rosto da vampira de fora.

Não pode me aprisionar! Eu sou Alexandra Montgomery! Filha de Elijah! Um dos Originais! A profecia é minha! Minha! Eu serei a Senhora das Sombras! (vampira/ Alexandra)

Não. Não é digna de possuir tal poder. Meu poder da natureza é puro, o que me impede de matá-la. Mas não impede que outro o faça. (Marina)

A voz da Marina soou duplicada, como se ela e outra pessoa falassem ao mesmo tempo.

A vampira arregalou os olhos.

Você! (vampira)

Marina a ignorou. Virou-se de costas para a vampira, ficando de frente para Caik, e estalou os dedos. Naquele momento as cordas que o prendiam à árvore se romperam e ele caiu de pé no chão.

Faça o que tem que ser feito. (Marina)

Caik andou até Natasha e retirou a estaca da barriga dela.

Você vai causar a destruição de tudo, não sabe? Ela sentiu sua presença. Tenho certeza disso. Você vai abrir as portas e causar milhares de mortes! (vampira)

Não rogue praga sobre mim, híbrida. Tuas palavras não me atingem. (Marina)

Não é uma praga. É uma constatação. Sabes disso. (vampira)

Caik se aproximou da híbrida.

Os olhos dela se arregalaram e ela começou a se retorcer.

Em um movimento rápido, Caik cravou a estaca no peito da vampira. E o corpo dela se desfez em pó.

Eu... Eu não... (Caik)

Sabes que não podes fugir de teu legado por muito tempo. Está em teu sangue. (Marina)

Um brilho de reconhecimento passou pelos olhos de Caik, que abaixou a cabeça como se, seja lá qual for esse legado, não fosse algo que ele estivesse disposto a suportar.

Marina se aproximou de Catarina e Lucas e tocou a testa deles com a ponta do dedo indicador. No mesmo instante os ferimentos deles cicatrizaram.

Depois ela se aproximou de Raíssa e fez o mesmo.

O que é você? (Flávia)

Ela sorriu.

Sou a terra. E tenho a impressão de que ainda nos veremos. (Marina/ terra)

A aura verde dela se extinguiu. Os olhos voltaram ao normal e ela caiu desacordada no chão.

Pov. Marina


Quando abri os olhos, a primeira coisa que percebi é que não estava mais amarrada. Meu pescoço não doía e minha dor de cabeça havia passado. Depois disso, percebi que estava na barraca da Éllyda e estava de noite. Éllyda, Flávia, Raíssa e Ana Thaís estavam lá também. Sentadas num semicírculo e conversando. Raíssa parecia meio abatida.

Me sentei.

Ok. Alguém pode me dizer What The Hell aconteceu? (Marina)

Ah! Você acordou? (Ana Thaís)

¬¬ Não. Imagina! Ela continua desmaiada. Num tá vendo? (Éllyda)

T-T Isso é bullying! (Ana Thaís)

Éllyda revirou os olhos.

Do que você se lembra? (Flávia)

Bem... Eu estava aqui. Na barraca, quando o telefone tocou. Era número desconhecido, achei que fosse a Ana ligando do celular da professoraHhhhhh Hairis... (Marina)

Nesse momento, as garotas fuzilam Ana Thaís com os olhos

Eu atendi. Mas não era a Ana. Outra voz falou do outro lado da linha, era doce, suave. Não me lembro do que disse. Quando dei por mim, estava numa clareira no meio da floresta, amarrada a uma árvore. Havia uma mulher lá. O cabelo loiro, os olhos que mudavam de cor, a pele pálida, o pentagrama na bochecha... Eu comecei a fazer perguntas e quanto mais eu sabia, mais eu me assustava com o tanto que ela podia ser sádica e... (Marina)

Sádica? Tipo a Éllyda? (Ana Thaís)

Éllyda dá um coque em Ana.

T-T Ai! Doeu! (Ana Thaís)

Fica quieta! Pode continuar Marina. (Éllyda)

Eu me contorci discretamente e peguei meu celular. Mandei uma mensagem pra Natasha, pra ela não vir. E depois liguei pra vocês. Fiz com que ela falasse tudo pra vocês, mas ela descobriu. E me mordeu. Fiquei meio grogue e passei a ver tudo meio dobrado... Meio embaçado... (Marina)

Tá errado. (Ana Thaís)

? (todas)

Ou é meio ou é dobrado. (Ana Thaís)

? (todas)

Pensa bem. Se você divide alguma coisa pela metade e depois dobra o resultado, no final, fica o número inicial. (Ana Thaís)

¬¬ (Todas)

Por que tão me olhando com essa cara? É verdade! (Ana Thaís)

E falou a CDF em matemática. (Éllyda)

Pode continuar Marina. (Flávia)

Ok. Onde eu tava... Aé! Depois de um tempo, eu ouvi o espirro da Ana Thaís... (Marina)

Éllyda dá um coque em Ana.

Ai! O que eu fiz agora? (Ana)

Quer em ordem cronológica ou alfabética? Pra começar, você nasceu. Depois, você quase acabou com tudo. A gente podia ter morrido por culpa desse seu espirro, sua jumenta zoiúda. (Éllyda)

=/ Desculpa, poxa. (Ana Thaís)

¬¬ Posso continuar? Ou vão continuar me interrompendo? (Marina)

Continue. (Flávia)

Ok. Depois, eu apaguei. E comecei a ouvir a voz da Avril na minha cabeça. Sabia que ela é fantasma? (Marina)

... (as outras)

Sabiam ou não? (Marina)

É pra responder? Ou você vai dar um chilique por termos te interrompido? (Ana Thaís)

¬¬ É pra responder. (Marina)

Sim. Ela apareceu pra Raíssa também. (Flávia)

Hm... Enfim, ela falou que ia me ajudar a me libertar e a salvar os outros. Ela pediu pra eu limpar a minha mente de tudo, mas não é lá tão fácil quanto parece. Demorei um bocado. Quando consegui, eu vi uma luz verde forte. E uma voz, pedindo para que eu a libertasse. E... (Marina)

Como se prende uma luz? (Ana Thaís)

¬¬ Sem comentários. (Éllyda)

@.@ (Raíssa)

¬¬ Concordo com a Éllyda. (Flávia)

¬¬ Posso continuar? (Marina)

Pode. (Flávia)

Ótimo. Onde eu tava mesmo... Ér... A sim! A luz estava presa em uma espécie de esfera de vidro que flutuava. Eu toquei nela, ela trincou e quebrou. Aí eu acordei aqui. Então, o que eu perdi? (Marina)

Basicamente? A Raíssa encontrou uma foto com um povo igual aos desaparecidos. Ela fez uma macumba braba e ficou igual a uma das pessoas da foto. Você ligou pra gente e logo depois o celular da Raíssa tocou, ela atendeu e entrou na mata. (Flávia)

Raíssa estremeceu.

Você tá legal, Raíssa? Não falou nada até agora. (Marina)

Imagine que alguém pegou sua cabeça, abriu e começou a brincar com seu cérebro. Depois, mexeram nele e puseram outra pessoa em seu lugar. É assim que eu me senti, então a resposta é não. Eu não tô legal. (Raíssa)

0.0 Tá. Quer que eu me mate? (Marina, irônica)

¬¬ Não. Só quero que não faça perguntas idiotas. (Raíssa)

Ouch. Que patada! (Éllyda)

Não se mete Éllyda. Ou sobra pra gente. (Ana Thaís)

Posso continuar? (Flávia)

Agora você sabe o quanto é chato ficarem se metendo, né? (Marina)

Posso continuar ou tá difícil? (Flávia)

Vai. (Marina)

Nós seguimos a Raíssa, que nos trouxe diretamente à clareira que vocês tavam. Eu, a Ana e a Éllyda nos escondemos atrás de uma árvore. Aí a Ana Thaís espirrou. A vampira psicopata a hipnotizou pra que ela ficasse lá, sentadinha, e nos carregou até o centro da clareira. Hipnotizou a Éllyda pra ficasse parada, mas não funcionou em mim. Não sei por quê. (Flávia)

Eu sabia que não ia funcionar. (Raíssa)

Como? (Flávia)

Você é narniana. Um dos princípios básicos da hipnose vampírica é que o alvo precisa ser humano. Tanto faz se for lobisomem, bruxa, macumbeira... Desde que seja humana e esteja viva. (Raíssa)

Hm... (todas)

Entonces, a Natasha apareceu e elas começaram a lutar. Aparentemente ou sua mensagem não chegou ou ela não se importou com seu aviso. (Flávia)

É. Acho que foi a segunda opção. Eu sou o meme Forever Alone. Ninguém ouve o que eu tenho pra dizer. (Marina)

¬¬ Melodramática. (Éllyda)

A Natasha venceu. Cravou uma estaca na doidinha. Mas ela retirou a estaca e enfiou na barriga da Natasha. Ela disse alguma coisa sobre a maior fraqueza dela ser sua maior força e blábláblá. Nisso ela chama a Raíssa e fala pra ela atacar a gente. Eu tentei lembrar o feitiço do fogo, mas errei. Ainda assim foi útil e eu nocauteei a Raíssa usando uma barra de prata. (Flávia)

0.0 Você bateu nela com uma barra de prata? (Marina)

Não. Eu fiz uma barra de prata brotar do chão. Ela tropeçou, bateu a cabeça e desmaiou, entendeu? (Flávia)

Hum-rum. (Marina)

A vampira tentou me atacar e eu lancei um feitiço nela. Nem sei de onde tirei esse. (Flávia)

Olha, se eu tivesse que chutar, diria que foi porque você é narniana. Tem sangue mágico. Mas não tenho certeza se é por isso. (Raíssa)

Me deixa continuar! Infelizmente o feitiço não teve muito efeito. Então você começou a brilhar. Uma luz verde bem forte. Acho que a vampira percebeu que você era o maior problema e te atacou. Você fez um gesto com a mão, como esse que a Ana faz quando tá impaciente... (Flávia)

Assim? (Ana)

Ela moveu a mão num gesto impaciente.

É. Foi desse jeito. Você fez isso e começaram a brotar raízes do chão. Elas começaram a envolver o corpo dela, e quanto mais ela tentava se livrar delas, mais as raízes pareciam crescer. Até que só o rosto dela ficou de fora. Ela falou uns lances estranhos sobre umas portas que seriam abertas por culpa sua e que causariam muitas mortes, mas você nem ligou. Disse que não podia matá-la, mas outro podia. Você soltou o Caik e ele matou a vampira psicopata. Aí você curou os desaparecidos e a Raíssa. Nessa hora, eu já tinha sacado que não era você. Ela falava muito vós e tu e sois e és-te e... (Flávia)

ÉS-TE???!!! (Todas)

És-te sim. Pus que? (Flávia)

Ela disse és-te? (Raíssa)

Não. (Flávia)

Que bom. Por que és-te não existe. (Ana Thaís)

Por incrível que pareça, tenho que concordar com a loira aguada. Isto non ecziste. (Éllyda)

Ela tá lendo demais Desciclopédia.

Credo, vocês ligam demais pros detalhes, posso continuar? (Flávia)

Fique a vontade. (Éllyda)

Tá. Aí eu perguntei quem ela era, e ela disse que era a Terra. Aí você desmaiou. A hipnose na Ana, na Éllyda e na Raíssa passou. Nós levamos os desaparecidos de volta pra cá pro acampamento. A Raíssa lançou uma macumba e todo mundo esqueceu que eles tinham desapareceram. Até eles mesmos. Menos o Caik. (Flávia)

Ué! E por quê? (Marina)

A macumba num pegou nele. Tem gente que é assim mesmo. (Raíssa)

Hum... E a Natasha? Como ela tá? (Marina)

Ela tá legal. O Caik tirou a estaca dela e ela vazou. (Ana Thaís)

Que bom. Quanto tempo passou? (Marina)

Sei lá. Já são umas 11 horas do domingo. Daqui a pouco vamos ter que desmontar a barraca e vamos voltar pra cidade. (Raíssa)

Ah! Deixei o melhor pro final! (Ana Thaís)

E o que é? (Marina)

Eu achei o Nino! (Ana Thaís)

¬¬ (todas)

Já sabíamos disso. (Éllyda)

Não a Marina. Mas agora sabe! (Ana Thaís)

¬¬ Dispensava a informação. (Marina)

*U* (Ana Thaís)

Péin! Péin! Péin!

????

Saímos da barraca.

Tia Hairis andava de lá pra cá batendo uma colher de pau numa panela.

Deja vu?

Hora de desmontar as barracas! Hora de desmontar as barracas! Vamos almoçar e vamos embora! (tia Hairis)

Arrumamos as barracas, almoçamos (Churrasco! Gostoso! *U*) e, lá pras 12h30min entramos no ônibus e voltamos pra cidade.

[Já em casa...]


Filha, chegou uma carta pra você. (Mãe)

Carta???!!! (Marina)

Peguei a carta da mão dela, fui pro meu quarto e a abri.

Quando a li, pensei o seguinte:

WHAT THE HELL IS THAT?????!!!!!!



~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~FIM DO PRÓLOGO~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Comments & Reactions

Share your thoughts, attach collectible stamps, and react with the author and community.

Story Index