Juazeiro Do Norte, 1920, uma cidade pequena e poeirenta. Um Homem a cavalo surge no meio da poeira que o vento levanta, ele é loiro e tem olhos castanhos claros, traja uma roupa branca coberta por um colete de couro vermelho. Ele chega até um bar, desce do cavalo e anda até o estabelecimento, que possui um andar de hospedaria. Entrando no bar, caminha até o dono.
–O que sabe sobre o diabo ruivo? Pergunta o homem
–Nunca ouvi falar. Afirma o taberneiro
–Tô falando sério. Diz o homem
–Oxi, e eu também. FORA! Exclama o dono do bar
O Caçador De Recompensas pega o cartaz de procurado do Diabo ruivo e coloca sobre o balcão. Começa a olhar para o dono do bar.
–Já disse, cape o gato! Fora do meu bar, senão chamo o coronel! Exclama o dono do bar nervoso
O Caçador de recompensas coloca então a mão sobre o revolver em seu cinto.
–Se não me disser o que quero saber, amanhã sua boca estará cheia de formigas. Diz o Caçador
O Dono do bar olha para cima, sinalizando com os olhos e diz.
–Não sei onde ele está. Afirma falsamente o dono do bar
O caçador de recompensas olha para cima e sorri para o dono do bar. Ele caminha até as escadas e as sobe, chegando até o quarto da parte de cima. O caçador se aproxima da porta, dá três batidas e se afasta. Tiros atravessam a porta. Quando os tiros cessam O Caçador coloca o cartaz de procurado por baixo da porta, espera alguns segundos e arromba a porta. Ao entrar ele vê a janela aberta, se aproxima dela e vê que Diabo Ruivo pulou e está fugindo. O Caçador pula a janela, seguindo o Diabo Ruivo. Ao descer para a rua o caçador pega sua pistola e atira no malfeitor, que cai sem vida no chão.
O Caçador se aproxima do corpo. Três homens aparecem
–Filho de uma égua! Matou o Diabo Ruivo! Diz um deles
Mas antes que os três saquem as armas o misterioso caçador atira certeiro e os três defuntos caem no chão. O Caçador pega o corpo do Diabo Ruivo e leva até seu cavalo, coloca o corpo sobre as costas do cavalo, monta e parte para levar o malfeitor, ou o que restou dele, até as autoridades.
Uma grande fazenda nas redondezas de Exú. O Coronel Conceição está sentado numa cadeira de balanço ao entardecer, até que ouve uma movimentação no mato. O Coronel saca sua pistola. Homens a cavalo saem do mato, um bando de cangaceiros. Eles param e ficam de frente para o casarão, alguns capangas do Coronel saem da casa.
–Quem diabos são vocês que entram nas minhas terras desse jeito? Pergunta O Coronel num tom exaltado
Do meio deles sai um homem alto, de óculos, cabelo mal penteado e a face bronzeada pelo sol.
–O Bando do Capitão Venilson Ferreira, mais conhecido como Atiçador. Diz o homem
Os capangas do coronel preparam as armas, O Coronel pega no cinto, que faz sua barriga transbordar.
–E quem diabo é atiçador? Pergunta O Coronel em tom desafiador
Os capangas de Atiçador atiram sem aviso nos capangas do Coronel, que caem mortos.
–Gastou seu dinheiro amaldiçoado com serventes que não valem merda de gato, coronel. E a propósito, eu sou o Atiçador. Diz o próprio
O Coronel parece ter medo, esqueceu-se de sua postura orgulhosa de antes.
–Seus contos de réis não vão te salvar, Coronel. Diz O Atiçador
–Em nome de Nossa Senhora, me deixe viver. Implora o Coronel
Atiçador olha para seus homens.
–Entrem na casa e se esbaldem. Diz ele
Os Homens descem de seus cavalos e correm para dentro da casa.
–Sua esposa está? Pelo que ouvi ela vai amar os cabras do meu bando. Diz Atiçador
Barulho de móveis sendo movidos, copos e potes sendo quebrados e gritos da esposa do Coronel e dos capangas de Atiçador podem ser ouvidos. Algum tempo depois, os cangaceiros saem da casa, com a esposa do Coronel.
–Eu não quero mulher no bando a força. Diz Atiçador
–A quenga quer vir, Capitão. Diz um dos capangas
Atiçador olha para O Coronel, que mostra em sua face a humilhação que está sentindo.
–Olhe Coronel, sua esposa está em boas mãos, meus homens vão diverti-la muito. Mas, eu não seria capaz de mantar um homem de forma tão covarde, saque sua arma. O Coronel parece sem esperança. Atiçador fica de frente para O Coronel. O Coronel porta uma pistola e o Atiçador um rifle.
–Quando um homem com uma pistola encontra um homem com uma 98K, o homem da pistola morre. Avisa Atiçador
O Coronel e Atiçador estão de frente um para o outro, se encaram, pode-se escutar apenas o som das cigarras, O Cangaceiro parece estar tranquilo, já O Coronel está com o nervosismo em seu rosto. O Coronel se apronta para puxar o gatilho, mas Atiçador é mais rápido e acerta em cheio o peito do Coronel, que cai morto. Atiçador se vira para a viúva do finado.
–Não faz caso? Pergunta
–Fui forçada a me casar com esse capeta, eu o odiava. Afirma a mulher
–Muito bom. Diz Atiçador
–Muito bom? Oxi... Diz a mulher mostrando dúvida
–Por que acha que sou melhor que seu falecido marido? Eu sou o próprio Capiroto! Diz O Atiçador
Os Cangaceiros gargalham, a mulher parece surpresa com as palavras de Atiçador.
–Vamos para a cidade. Ordena O Atiçador
Os Homens montam seus cavalos e começam a galopar para a cidade. O sol nasce no dia seguinte, o caçador de recompensas chega até uma delegacia.
–Onde está o delegado? Pergunta
–Eu sou o delegado. Apresenta-se o próprio
–Trouxe o corpo do Diabo Ruivo. Diz O Caçador De Recompensas
–Mostre! Ordena O Delegado
Eles entram na Delegacia. O Delegado é um homem gordo, que não está trajando sua farda completa e parece ter péssimos hábitos de higiene. O Caçador De Recompensas coloca o corpo sobre a mesa e confirma que ali é, de fato, o Diabo Ruivo.
–Mas rapaz, nenhum dos soldados conseguiu pegar esse capeta. Reclama o Delegado
–E os 30 mil contos de réis? Pergunta O Caçador
–Claro. Diz o Delegado
A Delegada pega um dinheiro e se senta.
–Minha Nossa senhora De Aparecida, que calor é esse?! Reclama o Delegado
O Delegado começa a contar o dinheiro.
–Você soube que o Atiçador e seu bando atacaram Exú? Pergunta o Delegado
–Não. Responde O Caçador
–O Governo de Pernambuco está oferecendo 60 mil réis por ele. Dizem que o estrago foi grande. Diz O Delegado
O Homem da lei entrega o dinheiro para O Caçador De Recompensas, que o pega e coloca no bolso. O Caçador tira um cigarro e acende.
–Nunca ofereceram recompensa por Atiçador, deve ser boato. Afirma O Caçador
–Oxenti, mataram um coronel importante e ainda levaram a mulher. Diz O Delegado
–60 mil Réis é um bom dinheiro. Reconhece o Caçador
O Delegado apenas acena positivamente com a cabeça.
–Bem, já resolvemos isso, então vou indo. Diz O Caçador
–Vá com Deus, meu filho. Diz o Dlegado
