Wild Things
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Capítulo 315 min de lectura

O inconveniente de estar certo

Snape pediu três cervejas.

O dono do Cabeça de Javali olhou para ele, depois para as duas mulheres, como se a presença delas tornasse o pedido suspeito.

Eva não podia culpá-lo inteiramente.

Bellatrix escolhera uma mesa de onde podia ver a entrada e a escada sem precisar se virar. Sentou-se com as costas para a parede. Eva ocupou a cadeira diante dela e descobriu que, daquela posição, teria de escolher entre observar a porta e olhar para Bellatrix.

A missão estava começando com exigências pouco razoáveis.

Snape chegou com as canecas.

— Ela está lá em cima — disse, sentando-se.

Eva olhou para a escada.

— Trelawney?

— Não conheço todos os hóspedes.

— Você poderia ter começado por “sim”.

Bellatrix pegou a cerveja.

— E Dumbledore?

— Ainda não.

Eva colocou a bolsa junto ao pé da cadeira. As luvas estavam guardadas, as joias haviam ficado em casa e suas botas não se diferenciavam tanto das dos outros clientes.

Ainda assim, o dono a reconhecera.

Não dissera nada quando ela entrara. Apenas demorara um pouco mais para passar os olhos pela mesa.

Ela pensou na carta que enviara naquela manhã, pedindo outra consulta a Trelawney para a semana seguinte. Tinha escrito três linhas, riscado duas e descoberto que demonstrar interesse por Adivinhação exigia mais imaginação do que esperara.

Ao final, perguntara se a inquietação de sua aura poderia estar relacionada a decisões profissionais.

Snape dissera que certamente estava relacionada a más decisões.

Eva não lhe perguntara.

A porta se abriu.

Um bruxo de vestes azuis entrou carregando um embrulho de tamanho irregular. Parou diante do balcão e pediu algo que o dono recusou sem deixá-lo terminar. Houve uma discussão curta sobre uma dívida.

Bellatrix não tirou os olhos da entrada.

Eva provou a cerveja.

— Vocês fazem isso com frequência?

— Beber? — perguntou Snape.

— Esperar.

— Mais do que gostaria, neste momento.

Ela pousou a caneca.

Bellatrix olhou para os dois.

Eva decidiu observar o embrulho.

Dumbledore chegou sem que o salão precisasse anunciar sua presença.

Fechou a porta, afastou o frio das vestes com um gesto e se aproximou do balcão. Sua barba era fácil de reconhecer, assim como os óculos de meia-lua. Eva baixou os olhos para a mesa antes que ele olhasse em sua direção.

Tinha sido uma reação rápida demais.

Pegou a caneca para dar uma finalidade ao movimento.

Bellatrix continuou imóvel.

Dumbledore conversou brevemente com o dono. Eva não conseguiu ouvir as palavras, mas viu o homem indicar a escada com a cabeça.

— Não olhe agora — murmurou Bellatrix.

Eva manteve a caneca junto à boca.

— Não estou olhando.

— Está tentando.

Ela bebeu.

Dumbledore atravessou o salão.

Ao passar pela mesa, seu olhar encontrou Snape. Houve um reconhecimento breve, um aceno quase imperceptível.

Snape inclinou a cabeça.

O diretor continuou até a escada.

Eva esperou que os passos desaparecessem.

— Ele reconheceu você.

— Eu estudei em Hogwarts.

— Nós também.

— Algumas pessoas prestam atenção.

Bellatrix interrompeu antes que Eva escolhesse a resposta.

— Espere.

Snape olhou para a escada.

No andar de cima, uma porta se fechou.

O dono da hospedaria saiu de trás do balcão para recolher uma caneca. Um dos homens junto à janela o chamou. Ele se aproximou, escutou uma reclamação e apontou para o chão, onde havia uma poça.

Eva não quis saber o que era.

Bellatrix assentiu para Snape.

Ele se levantou.

Não olhou para as duas ao se afastar.

Eva acompanhou apenas a primeira parte do percurso. Depois tornou a atenção para o homem das vestes azuis, que finalmente abrira seu embrulho.

Havia alguma coisa viva dentro.

— Não quero isso aqui — disse o dono.

— Ele só fica agitado quando sente—

— Fora.

O homem tornou a embrulhar o que trouxera.

Eva concluiu que havia bastante informação a recolher naquele lugar, embora pouca fosse útil.

Por alguns minutos, nada aconteceu.

Eva conseguia ficar quieta. Fazia isso quando necessário, e às vezes até por vontade própria. Mas Bellatrix sentada à sua frente, tão próxima e tão ocupada em não conversar com ela, tornava a tarefa difícil.

— Ele sempre é assim? — perguntou baixo.

Bellatrix desviou os olhos da escada.

— Quem?

Eva indicou a cadeira vazia.

— Snape.

— Você prefere que ele converse enquanto escuta uma entrevista?

— Prefiro que não pareça ofendido pela existência de outras pessoas.

— Então vai se decepcionar bastante conosco.

Eva sorriu.

Bellatrix não.

Mas olhou para ela por tempo suficiente para que Eva se sentisse menos ignorada.

O dono voltou ao balcão, guardou duas canecas e pegou uma bandeja.

Eva endireitou-se discretamente.

Sobre a bandeja havia uma jarra e dois copos.

Ele saiu de trás do balcão.

Em direção à escada.

Eva olhou para Bellatrix.

Bellatrix já o acompanhava com os olhos.

O homem pôs o pé no primeiro degrau.

Eva se levantou.

— Com licença.

Ele parou, olhando por cima do ombro.

— O que foi?

Ela ergueu a caneca.

— Acho que há alguma coisa aqui.

O dono olhou para a bebida.

— Cerveja.

— Além dela.

Ele voltou dois passos e tomou a caneca de sua mão.

Eva procurou alguma coisa no líquido.

Havia uma pequena mancha escura junto à borda. Servia.

O homem inclinou a caneca.

— Espuma.

— É bastante escura.

— A caneca também.

Eva ouviu Bellatrix pousar a própria bebida atrás dela.

O dono devolveu a caneca.

— Vai querer outra?

— Se não for incômodo.

Ele olhou para a bandeja que segurava.

Depois para Eva.

— Espere.

Tornou a subir.

Eva teve vontade de derrubar a bebida.

Não o fez.

O homem chegou ao patamar.

Ela olhou para Bellatrix.

— Isso foi péssimo — murmurou.

— Sente-se.

Eva obedeceu.

No andar de cima, ouviu-se um movimento brusco.

Uma voz masculina disse alguma coisa.

Depois outra, mais alta:

— Você. Longe dessa porta.

A cadeira de Bellatrix rangeu quando ela se levantou.

Snape apareceu na escada, com o dono agarrado à parte superior de seu braço. A bandeja havia desaparecido.

Snape tentou se desvencilhar.

— Eu já disse que—

— E eu ouvi.

Os poucos clientes olharam para a escada.

Bellatrix passou ao lado de Eva.

— Não — disse Eva, baixo.

Bellatrix parou por um instante.

Seu olhar era bastante claro sobre o que pensava de receber ordens.

Eva apontou com os olhos para o patamar.

A porta do quarto estava aberta.

Uma mulher de xale apareceu atrás dos dois homens. Trelawney parecia atordoada e segurava os óculos, que haviam escorregado pelo nariz.

Eva sentiu o estômago apertar.

Dumbledore ainda estava lá em cima.

Se Bellatrix se aproximasse, ele poderia vê-la.

Bellatrix seguiu o olhar dela.

Depois voltou a sentar-se, com uma lentidão que não tinha nada de tranquila.

Eva pegou sua caneca.

O dono empurrou Snape para o último degrau.

— A entrevista é privada.

— Não estava interrompendo entrevista alguma.

— Estava à porta.

— Há quartos naquele corredor.

— Nenhum seu.

Snape abriu a boca.

Eva chegou perto dele antes que falasse.

— Severus.

Ele olhou para ela.

Havia alguma coisa diferente em seu rosto.

A irritação estava lá, mas sua atenção parecia presa em outro lugar. Eva não teve tempo de examinar.

— Eu estava procurando você — disse.

O dono a encarou.

Snape também.

Eva pôs a caneca sobre a mesa mais próxima.

— Minha consulta terminou ontem. Não pedi que viesse atrás dela.

Houve uma pausa.

Lá em cima, Trelawney se aproximou do corrimão.

— A senhorita esteve aqui ontem.

Eva levantou o rosto.

— Sim. Peço desculpas.

— Ele é seu acompanhante?

Eva olhou para Snape.

A expressão dele quase a fez perder a frase seguinte.

— Conhecido da família.

— Eu não vim atrás de consulta alguma — disse ele.

Eva apertou seu braço.

— Conversamos lá fora.

Snape olhou para a mão dela.

O dono olhou também.

— Sua varinha fica onde está — disse.

Eva abriu os dedos devagar.

— A minha está na bolsa.

Ela havia deixado a bolsa junto à cadeira.

Junto de Bellatrix.

O homem reparou nela pela primeira vez desde que descera.

Bellatrix estava com a caneca na mão, o capuz sombreando parte do rosto.

Eva procurou voltar a atenção dele para si.

— Podemos encerrar isso? A senhorita está trabalhando.

Trelawney pareceu apreciar a última palavra.

O dono não.

— Podemos. Vocês vão embora.

Snape se afastou do braço de Eva.

— Com prazer.

Ela gostaria de poder arrastá-lo escada abaixo outra vez.

Bellatrix levantou-se para pegar a bolsa.

A porta do andar superior se abriu mais.

Eva viu a ponta de uma veste.

— Sua cerveja — disse rapidamente ao dono.

Ele olhou para ela.

— O quê?

— Pedi outra. Vou pagar.

— Não precisa.

— A primeira eu deixei naquela mesa.

Ela indicou a caneca, desviando o olhar dele e de Trelawney.

Bellatrix se moveu em direção à saída.

Snape também.

Eva tirou moedas do bolso do casaco e colocou-as no balcão.

O homem não as recolheu.

— Você veio aqui ontem, falou com ela e hoje seu amigo aparece escutando uma conversa.

Eva encontrou seus olhos.

Não podia oferecer uma piada a isso.

— Eu não pedi que ele subisse.

Era verdade.

Não toda.

O dono continuou olhando para ela.

— Então escolha melhor seus amigos.

Eva vestiu uma das luvas para não precisar manter as mãos paradas.

— Vou considerar.

— Considere lá fora.

Ela atravessou o salão sem olhar de novo para a escada.

Bellatrix esperava junto à porta.

Segurava a bolsa de Eva.

Por um instante, Eva achou que a entregaria.

Em vez disso, Bellatrix lhe segurou o cotovelo e a fez atravessar a soleira.

A porta se fechou atrás delas.

Snape estava a alguns passos, na esquina.

— Vamos — disse.

Bellatrix soltou o braço de Eva.

— O que ouviu?

Ele olhou para a porta da hospedaria.

— Aqui, não.

Bellatrix se aproximou dele.

— Você foi expulso.

— Percebi.

Eva ficou olhando para os dois.

Snape não parecia preocupado apenas com o homem que o agarrara.

Estava pálido, os olhos fixos demais.

— Dumbledore está lá dentro — disse Eva. — E o dono agora sabe que nós três estamos juntos.

Bellatrix voltou o rosto para ela.

— Eu sei.

— Então talvez a discussão possa esperar até chegarmos a uma rua com menos janelas.

Bellatrix se aproximou um passo.

— E talvez você possa baixar a voz quando decidir me ensinar a trabalhar.

Um homem passou carregando um cesto de frascos. Olhou para eles, depois acelerou o passo.

Snape começou a andar.

Bellatrix o seguiu.

Eva precisou apressar-se para acompanhá-los.

Chegaram à rua principal e encontraram duas pessoas paradas junto à esquina, conversando.

Bellatrix diminuiu o passo.

Eva percebeu que conhecia uma delas.

O homem alto, de barba curta, olhava na direção da hospedaria com uma atenção que não parecia casual.

Bellatrix puxou Snape para o espaço entre duas lojas.

Eva entrou atrás.

— Quem é? — perguntou.

— Um problema.

— Temos vários. Seja mais específica.

Bellatrix espiou a rua.

— Já me viu trabalhando.

Eva não pediu que explicasse o trabalho.

Snape apoiou a mão na parede.

— Podemos Aparatar daqui.

— E dar a ele um motivo para vir descobrir por quê? — perguntou Bellatrix.

O homem estava se despedindo da pessoa com quem conversava.

Eva olhou para a bolsa que Bellatrix ainda segurava.

Pegou-a.

Abriu e tirou o papel que Trelawney lhe dera no dia anterior.

Snape a observou.

— O que está fazendo?

Eva passou o papel para ele.

— Segure isso.

— Para quê?

Ela desfez o fecho do casaco de Bellatrix até poder alcançar o capuz.

Bellatrix segurou seu pulso.

Eva ficou imóvel.

— Ele conhece seu rosto — disse. — Mas ainda não viu você.

O aperto continuou.

— Tire a mão.

Eva tirou.

Bellatrix ergueu o capuz por conta própria.

Eva tornou a fechar os botões superiores de seu casaco, desta vez sem tocá-la.

O tecido cobria o branco da garganta.

O homem na rua começou a andar na direção deles.

Eva respirou fundo.

Saiu primeiro.

— Eu disse que era uma má ideia — anunciou, alto o suficiente para ser ouvida.

O homem olhou para ela.

Eva voltou-se para o espaço entre as lojas.

— Você não pode interromper uma entrevista só porque não gostou da resposta que me deram ontem.

Snape apareceu.

Segurava o papel de Trelawney como se tivesse sido pessoalmente ofendido por ele.

— Não foi isso que—

Eva se aproximou.

— Não preciso que concorde com tudo. Preciso que não discuta na rua.

O olhar de Snape prometia uma morte lenta.

Ela aceitou o risco.

Bellatrix saiu atrás dele, o rosto sob o capuz.

O homem tinha parado.

— Algum problema? — perguntou.

Eva se voltou, deixando aparecer o embaraço.

— Nenhum que eu consiga resolver hoje.

Ele olhou para Snape.

Depois para o papel.

— Consulta?

Eva soltou o ar.

— Devia ter escolhido uma bola de cristal maior. Talvez coubesse alguma informação útil.

O homem sorriu brevemente.

Snape dobrou o papel.

— Estamos de saída.

Sua voz era tão desagradável que dispensava qualquer interpretação.

Bellatrix passou entre Eva e ele.

— Vocês terminaram?

A pergunta tinha a impaciência perfeita.

Eva quase sorriu.

— Eu terminei ontem.

Bellatrix lhe pegou o braço.

Dessa vez, Eva acompanhou o movimento sem precisar ser empurrada.

O homem deu espaço para que passassem.

— Não vale a discussão — disse.

Snape soltou um ruído baixo.

Eva decidiu tratá-lo como concordância.

Viraram a esquina.

Só quando a rua ficou vazia Bellatrix soltou seu braço.

Aparataram para um trecho afastado da propriedade dos Yaxley.

Eva sentiu os pés encontrarem terra úmida e deu um passo torto.

Uma mão segurou a parte de trás de seu casaco.

Ela se firmou.

Bellatrix a soltou.

Snape continuava com o papel.

Eva estendeu a mão.

Ele o devolveu.

— Conhecido da família?

— Preferia noivo?

— Preferia que tivesse ficado sentada.

— O dono estava olhando para Bellatrix, e Dumbledore podia sair do quarto a qualquer momento.

— Eu não precisava que inventasse uma consulta.

Eva guardou o papel.

— Precisava de uma explicação que não envolvesse o Mestre.

Snape abriu a boca.

Bellatrix ergueu uma mão.

— Chega.

Os dois se calaram.

Ela olhou para Eva.

— Você o distraiu antes de subir?

— Tentei.

— Não conseguiu.

— Ele demonstrou uma tolerância muito pequena a reclamações sobre a cerveja.

Bellatrix ficou em silêncio.

Eva sentiu o impulso de continuar falando.

Não continuou.

Bellatrix voltou-se para Snape.

— E você ouviu o quê?

Ele olhou para as janelas distantes da casa.

— Uma profecia.

Eva franziu a testa.

Por um instante, pensou que estivesse zombando dela.

Bellatrix ficou imóvel.

— Sobre o quê?

Snape baixou a voz.

— Sobre alguém capaz de derrotar o Lorde das Trevas.

O frio pareceu atravessar o casaco de Eva.

Ela olhou para ele.

Não havia humor algum em seu rosto.

Bellatrix se aproximou.

— Repita exatamente.

Snape demorou um instante.

Quando falou, parecia procurar cada palavra antes de soltá-la.

— Alguém que se aproxima. Nascido daqueles que o desafiaram três vezes. No fim do sétimo mês.

Eva ouviu sem interromper.

Bellatrix continuava perto demais dele.

— E depois?

— O dono me encontrou.

— Ela terminou?

— Não sei.

— Você ouviu uma profecia inteira ou um pedaço?

Snape apertou o maxilar.

— O que acabei de dizer é o que ouvi.

Bellatrix examinou seu rosto.

Eva imaginou o corredor, o ouvido junto à porta, a mão do dono agarrando seu braço.

Até então, pensara na missão como uma entrevista de emprego particularmente mal vigiada.

Agora havia alguém capaz de derrotar o Mestre.

Ou uma mulher querendo muito conseguir uma vaga.

— Ela estava fazendo previsões durante a entrevista? — perguntou.

Snape olhou para ela.

— Não como fez com você.

— Como sabe?

— A voz mudou.

Eva esperou.

Ele parecia irritado por precisar explicar, mas continuou:

— Não estava tentando impressioná-lo. Falava como se não estivesse no quarto.

Eva lembrou-se de Trelawney no alto da escada, segurando os óculos, confusa com a interrupção.

Não parecia alguém que acabara de anunciar a queda de um homem que todos temiam.

Bellatrix se afastou de Snape.

— Ele precisa ouvir isso.

Eva não perguntou quem.

— Agora? — disse Snape.

— Agora.

Ele assentiu.

A irritação entre os dois havia desaparecido sob uma atenção muito mais difícil de acompanhar.

Bellatrix olhou para Eva.

— Vá para casa. Não fale com ninguém.

Eva sentiu a ordem como uma porta se fechando.

— Eu também estava lá.

— Mas não ouviu.

Ela queria responder.

Sabia que a resposta não mudaria o que Bellatrix acabara de dizer.

Snape ajustou as vestes.

— Vou repetir o que ouvi. Nada além disso.

Bellatrix assentiu.

Eva percebeu, com um desconforto que não esperava, que era ele quem tinha algo a oferecer.

Ela conseguira uma cerveja, uma consulta e uma maneira de sair da rua.

Snape tinha uma profecia.

Bellatrix aproximou-se dele.

Antes de Aparatarem, voltou os olhos para Eva.

— O homem na rua não nos seguiu.

Eva ergueu o rosto.

— Eu vi.

— Foi útil.

Mas Bellatrix esperou um instante, como se quisesse ter certeza de que ela ouvira.

Eva assentiu.

Os dois desapareceram.

Adam estava na sala de visitas quando ela entrou.

Levantou-se imediatamente.

— Você voltou sozinha?

Eva tirou as luvas.

— Sim.

— Onde estão os outros?

— Foram resolver uma coisa.

— Que coisa?

Ela guardou as luvas na bolsa.

— Uma que não preciso resolver.

O irmão examinou seu rosto.

Eva percebeu que havia lama na bainha do vestido.

Apoiada na mesa, uma garrafa vazia ainda esperava que alguém decidisse o que fazer com ela.

A festa parecia muito distante.

Adam seguiu seu olhar.

— O pai mandou guardar o rótulo. Quer reclamar com o comerciante.

— O vinho estava ruim?

— Não. Achou uma data no fundo da garrafa.

Eva passou a mão pelo cabelo.

— De junho?

— Do ano passado. Está escrito no fundo.

Ela riu.

Foi uma risada pequena e um pouco cansada.

Adam se aproximou.

— A tarefa deu errado?

Eva olhou para o irmão.

Pensou no dono da hospedaria, na porta aberta e no homem da rua.

Depois em Snape repetindo aquelas palavras.

— Ainda não sei.

Adam ficou quieto.

Era uma das poucas coisas que fazia melhor do que ela.

— Quer chá? — perguntou.

Eva assentiu.

Ele foi chamar um elfo.

Sozinha, ela se sentou no sofá e abriu a bolsa.

O papel de Trelawney estava amassado. Eva o alisou sobre o joelho.

Na parte inferior, sob o endereço para correspondência, a mulher havia escrito uma recomendação.

Evite tomar decisões importantes em momentos de inquietação.

Eva ficou olhando para a frase.

Depois dobrou o papel com cuidado.

A consulta tinha sido cara.

Talvez não inteiramente inútil.