Ela estava distraída quando ouviu as sutis batidas na porta. As persianas ainda estavam fechadas, nem parecia que tinha alguém naquela sala.
Novamente se ouve as batidas na porta.
— Entra. – Diz ela com uma voz doce.
— Licença. – Wilson entra na sala e se depara com o sorriso mais bonito que já tinha visto na vida. Nada melhor para começar o dia.
— Bom dia, Wilson. Algum problema? – ela sorri
Wilson não podia negar que depois de tanto tempo, seu coração ainda batia mais forte quando ouvia aquela voz.
— Bom dia, Lisa. Bom, eu só queria saber se você recebeu alguma carta essa manhã.
— Bom, eu não sei, ainda não tive tempo para olhar correspondências. – Ela olhava superficialmente as papeladas que se encontravam em cima de sua mesa.
— Nem precisa dar-se ao trabalho.
Wilson esticou a mão e deu a carta à Cuddy. Ela pegou.
— Esse final de semana? Como? Por que nos avisaram tão em cima da hora? Eu não sei se... bom, eu tinha compromissos. Tô sempre presa a esse hospital, independente da hora, do dia... nem nos finais de semana eu tenho folga. – Reclamava a reitora.
— Bom, se você quiser, posso levar o Foreman. – Wilson tentava achar uma solução, mas acharia muito mais interessante se Lisa o acompanhasse.
— Não Wilson, eu vou. Pensando bem, depois das palestras podemos até conhecer melhor o lugar.
— Ah, claro. – ele sorriu.
— Amanhã você pode me buscar em casa?
— Claro. Temos que ir cedo, vou comprar nossas passagens.
— Te agradeço.
Cuddy e Wilson tiveram um breve envolvimento que durou sete anos e era chamado de casamento. Depois de se separarem por motivos profissionais e motivos que até os dois desconhecem, ainda sim nutriam forte carinho um pelo outro.
Wilson saiu da sala e Cuddy continuou seus trabalhos.
(...) À noite...
Já era tarde quando Cuddy terminou seus afazeres e resolveu procurar Foreman e sua equipe pra avisar sobre sua ausência.
— Com licença. – Disse ela entrando na sala; toda equipe estava presente.
Treze – como sempre – conferiu a chefe de cima à baixo.
— Olá, Cuddy. – Respondeu Foreman.
— Bom, vim avisar que precisarei ficar ausente este final de semana, sairei da cidade para uma palestra e conto com a colaboração de vocês.
— Então Wilson ficará na supervisão?
— Não, Wilson vai comigo.
Todos se olharam de forma estranha já que os presentes sabiam do envolvimento dos dois.
— Vamos lá, não façam essa cara. É trabalho; Wilson e eu somos companheiros de trabalho. Na minha ausência, Foreman ficará responsável por vocês e por todo andar. Comportem-se!
Lisa sempre teve um carinho especial pela equipe de Foreman, ela se lembra que Foreman, Wilson e ela avaliaram cada um deles até chegar a uma contratação.
Cuddy pegou sua bolsa e foi embora.
Chegando em casa, ligou a televisão e foi para o banheiro tomar um banho. Foi um daqueles relaxantes, onde todos os problemas vão pelo ralo. De toalha, Cuddy deita no sofá e coloca sua série favorita que já tinha todos os episódios gravados. Nada como um bom banho e Sex and the city. Acabou pegando no sono ali mesmo.
O barulho da campainha era uma som estrondoso. Campainha?
A VIAGEM.
Cuddy deu um pulo do sofá e correu para porta, abriu e deu de cara com Wilson; só então ela percebeu que ainda estava de toalha.
— Meu Deus, me desculpe, Lisa. Você estava no banho? É que marcamos essa hora...
— Wilson, entra e me ajuda. Ontem eu tomei banho e dormi no sofá. Estamos muito atrasados? Faz minha mala enquanto me arrumo.
— Na verdade, não. Vim um pouco mais cedo, ia te levar para um café mas acho que não vai dar. – ele riu.
O fato dela ainda estar de toalha não incomodava mais nenhum dos dois.
Ela pegou a mala e pediu que ele colocasse algumas peças de roupa.
— Como vou saber o que você quer usar?
— Vivemos juntos por sete anos.
— Seus gostos mudaram.
— Bom, então pegue aquilo que você gostaria de me ver usando.
O clima no quarto ficou um pouco íntimo demais; Lisa pegou uma roupa e foi se trocar no banheiro.
Wilson pegou algumas roupas e colocou na mala.
— Podemos ir.
Ela estava pronta.
— Vamos.
E os dois saíram em direção ao aeroporto.
No carro, um cheiro sutil de vinho e café, uma música romântica e o aquecedor deixando o clima bem agradável.
Alguns minutos depois e eles chegaram ao aeroporto.
— Bom, nosso voo deve sair daqui uns trinta minutos. Quer comer alguma coisa? – Ele perguntou.
— Não, corremos tanto que perdi a fome.
— Um café?
— Bom, um café eu aceito.
Os dois se sentaram e tomavam o café conversando enquanto esperavam seu voo.
— Lembra quando fomos ao Caribe? Você morria de medo de avião.
— Ainda não me sinto segura. – Os dois riram.
— Você pode segurar a minha mão se sentir medo. – ele a olhou com um olhar cuidadoso.
— Obrigada. – ela acariciou a mão dele que estava em cima da mesa.
Saíram de seus devaneios quando o voo foi anunciado.
— Vamos? – Chamou ela, pegando seu bolsa.
— Sim.
continua...
