A princípio, tudo pareceu falso.
Pela janela do carro, pôde ver o céu acinzentado repleto de nuvens opacas bloqueando os raios de sol. Folhas secas caiam das árvores e o ronco do motor do velho chevet era incessante. No entanto, a mais sinistra das visões era, sem dúvidas, o fúnebre prédio que se erguia alguns metros à frente.
O carro sacolejou e a menina cravou os dedos na base do estofado. O garoto ao seu lado, assim como os outros, iam de um lado ao outro — conforme o movimento.
O motorista, um senhor baixo de feições pouco amistosas, grunhiu e soltou alguns palavrões. E então,com uma troada sufocada, o carro parou de se mover.
O homem respirou fundo e chutou a porta, saltando para fora do chevet. Com a voz completamente desprovida de paciência, ele ralhou:
— Todos para fora!

