The Only Exception
The Only Exception
Capítulo 19 min de lectura

One Shot

Aquele caso levou uma madrugada toda para ser resolvido, onde nenhum dos dois acabou dormindo. Foram várias viagens entre o apartamento, delegacia, hospitais e coisas do gênero. Joan estava tomada pelo cansaço, tanto que andou da rua até a entrada do apartamento com Sherlock a sua cola e nem se importou com as inúmeras loucuras que ele dizia e nem com a fina garoa que despencava do céu frio e cinza de Nova Iorque. Já havia passado das 13h quando chegaram em casa. A morena ainda mantinha-se calada, subiu as escadas com dificuldade e exaustão, onde seus castanhos olhos orientais estavam ainda mais fechados. Sherlock ficou no andar de baixo, andando pelos cômodos, ligando as suas televisões e procurando por café. Joan chegou em seu quarto, pegou uma roupa de abrigo e depois correu para um banho rápido antes de jogar-se me sua cama e dormir por muitas horas.



Enfim estava relaxada em sua confortável cama, usava uma calça de abrigo cinza e uma regata preta, enfiou-se debaixo das cobertas e deixou um suspiro de alivio escapar. Ficou encolhida, deitada de lado e abraçada a um dos travesseiros. O mais estranho é que Sherlock estava quieto, quieto demais. Porém despreocupou-se, provavelmente tinha ido dormir. Logo foi pegando no sono tão desejado, suas pálpebras foram se fechando e aquela iluminação escassa e o som do chuvisco na janela serviam como calmante. Mas nada é tão perfeito.




– WATSON! – Sherlock entrou gritando feito um louco no quarto da morena, como de costume. Ela apenas bufou e nem se mexeu, sentindo o coração bater na garganta pelo susto. – JOAN WATSON!




– O que foi Holmes? – Disse em tom de voz grave e cobriu sua cabeça com a coberta.




– Eu estou entediado e sem sono, não posso dormir, pois tenho que aproveitar essa euforia para resolver enigmas... – Ele andava de um lado para o outro do quarto.




– Sem sono Sherlock? Como você pode estar sem sono? – Foi então que ela apoiou-se sobre os cotovelos para enfim olha-lo. Sua voz emudeceu por alguns segundo e seus olhos fixaram-se nele. Estava sem camisa e usando uma calça jeans preta, e mesmo naquela fraca luz deu para reparar no corpo definido a tatuado que tanto chamou-lhe a atenção no primeiro dia que o viu. Recuperou o foco e voltou a deitar-se. – Por favor, Sherlock, eu preciso, urgentemente, de muitas horas de sono.




– E aqueles métodos para espantar o sono?




– Não funcionam em casos extremos como esse e...




– Posso dormir aqui com você então?




Silêncio. Joan mais uma vez apoiou-se sobre os cotovelos para encará-lo. Queria ter certeza de que falava sério.




– Holmes, eu não posso permitir...




– Claro que pode, quem não deve não teme e eu sei das minhas intenções, quero deitar e dormir, apenas. Estamos com frio e seria agradável uma companhia. – O silêncio prevaleceu enquanto Joan buscava uma outra saída. Ele permaneceu ali parado, de pé e com os braços dobrados às costas. Sorria daquele jeito cínico e desligado.




– Ok Holmes, pode dormir aqui, mas sem gracinhas, ouviu bem?




– Sem gracinhas... – Ele juntou os dedos em cruz e beijou-os, fazendo aquele sinal de promessa. Watson suspirou.




– Sei que vou me arrepender por isso. – Foi a ultima coisa que disse quando deu um dos travesseiros para ele e voltou a deitar-se de lado, de costas para ele e cobrindo-se até o nariz. Ficou tensa, de olhos fechados, sentindo os movimentos lentos e calculados dele se ajeitando sobre a cama. Ele estava tão próximo. Sua branca pele arrepiou-se quando ele entrou embaixo das cobertas e o frio a tocou bem rápido. Ele parou, deixando o colchão com aquela inclinação natural de alguém sobre ele, ainda mais pelo fato dele ser maior que ela que tornava aquilo tudo mais excitante.



Mas tinha que se controlar.


E tinha medo. Medo de que ele percebe-se, com aquela dedução demoníaca, o que ela estava sentindo.


E ele estava.


Então ele voltou a se mexer, aproximando-se ainda mais dela e passando as mãos largas pela cintura dela, encostou seu corpo por toda a extensão das costas da morena, dando um atrito um pouco mais intenso nas áreas entre seu abdômen e o quadril dela.



– Holmes, eu disse sem gracinhas... – Descobriu seu rosto e olhou-o por cima dos ombros.




– E eu entendi Srta Watson, porém não estou fazendo nada que você não queira. – Calou-se esperando uma reação dela, que apenas suspirou vencida. – Percebe? Então vamos ficar quietos que logo pegaremos no sono.



– Mas isso não esta correto Sherlock... – Essa frase o arrepiou. – Eu sabia que eu ia me arrepender.


– Você só está arrependida pelo fato de eu ter percebido sua atração por mim, mas isso eu já peguei desde o dia em que você entrou pela porta de entrada Watson. — Aquele sotaque britânico. Rápido, preciso e delicoso pousando em seus ouvidos.



– Ok, agora fique quieto...




– Por você nega Joan? – Disse o primeiro nome e ela sentiu uma queimação no baixo ventre. E foi de enlouquecer.



– Eu não nego, bom, não exatamente...




– Tudo bem, eu não toco mais no assunto.




– Eu agradeço. – Seu tom de voz foi de ironia e irritação. Votou a relaxar, ainda de costas para ele.




Silêncio.




A garoa ainda batia contra as paredes externas do prédio, mas a cama realmente estava mais confortável, quente. Porém estava insuportável permanecer no mesmo espaço que ele. Joan lutava contra ela mesma. A pele dele estava fria e úmida, provavelmente havia acabado de sair do banho antes de ir até lá. Emanava o seu perfume exclusivo justamente ali, em tão pouco espaço. Seu hálito cheirava a menta, igual daqueles enxaguantes bucais que tanto gostava. Sem contar aquele cheiro de café com leite que escapava naturalmente de sua pele.



Ele suspirou, parecia chateado e ela percebeu.



– O que foi agora Holmes?




– Estou pensando em como será quando você partir. – Os dois ficaram tensos e ela virou de frente para ele.




– Eu já disse que será preciso.




– Não, não é. Eu mando um e-mail para meu pai e peço mais um tempo. Eu não quero outra pessoa como babá, quero você! – Os fatais olhos azuis pousaram sobre os dela, estavam aflitos e desesperados, ainda mais lindos por estarem contra a luz fraca que entrava pelos vãos da janela.




– Quero você? – Ela olhou para baixo e riu. – De qual novela você decorou isso desta vez?




– Joan Watson, eu estou falando sério... – Seus olhos petrificaram e hipnotizaram os dela, fazendo-a encarar séria.




– Sherlock, você não entende.




– Você que não está entendendo Watson. Eu só não consigo mais imaginar minha vida sem sua presença interessante e engraçada. Ou você acha que as "outras babás" irão me acompanhar como só você faz? — Ele suspirou e pareceu pensar no que falar. — Você é a unica exceção!




Calaram-se, olhos vidrados um ao outro, úmidos e brilhantes.



Aquele cheiro, o seu cheiro, só dele. O corpo semi nu e tatuado a sua frente, causando-lhe sensação que a tempos não sentia mais. Sua ironia, cinismo e inteligência. Como poderia viver sem ele agora que já estava viciada em suas manias e loucuras?



Ela sorriu ao "digerir" o que ele havia dito, ele sorriu de volta, parecia ler seus
pensamentos e isso o tornava encantador.



– Tudo bem Sherlock, eu entendi. Mas por favor, vamos dormir agora. Depois vamos conversar sobre o que fazer, ok?





– Ok. — Ele sorriu, um sorriso sincero e meigo, aquele que ela jamais viu.




A mão que ainda estava sobre a cintura dela subiu até as costas, trazendo-a para mais perto e apoiou seu queixo sobre a cabeça dela. O rosto de Joan ficou entre seu ombro e pescoço, ponto em que seu aroma estava ainda mais gostoso. A outra mão dele entrou por baixo do travesseiro, acomodando os corpos. Estavam ambos em apenas um travesseiro e no centro da cama.




– Até quando você vai resistir Joan Watson? — Ela bufou, dessa vez irritada e morta de sono a cada minuto perdido. A garoa havia se tornado em forte chuva, fazendo aquele som maravilhoso contra o telhado e ele não a deixava dormir.




– Durma bem Sherlock! — Ela então passou seus braços pelo pescoço e ombros dele, acolhendo ao seu cheiro viciante e ao corpo tão desejado. — Espere só até eu me recuperar desse sono Sherlock Holmes, espere só...




– Vou esperar sim, esperar você perder o controle. Só preze para que eu não perca primeiro.




Ambos riram baixo e depois ficaram mudos. Watson, enfim, havia dormido. Afogada em um sono profundo e relaxante que nem mesmo Sherlock Holmes poderia acorda-la naquela tarde fria.



*-*-*-*-*-*-*-*-*-*


Passaram-se horas e ela dormia de seu jeito lindo, calma, sem mover-se muito, cada vez mais presa ao aconchego e calor de seu braços. Ele não pregou o olho, nem sequer um segundo. Não conseguia deixar de observa-la, fixo e atraído pela beleza oriental que ela possuía.



Sabia que Nova Iorque passava pelo período de chuvas e frio. Isso poderia se repetir por longos e deliciosos dias, daqueles que ele nunca havia provado. Sabia também que paixões poderiam estragar seu raciocíonio, mas com ela era diferente, pois ela o acompanhava sempre. Ela o protegia.




Um raio cortou o céu que escurecia e uma forte trovão fez Watson estremecer e despertar.




– Está tudo bem Joan, não se preocupe com seu medo de raio agora.




– Como você sabe que eu tenho medo de... — Disse com a voz baixa e tremula, os olhos mal se abriam para olha-lo.




– Conversa para outra hora querida. — Beijou-lhe a testa e deitou a cabeça no
travesseiro, de frente para o rosto dela. O semblante da morena mudou na mesma hora.




"Querida"




– Volte a dormir Joan.




E assim, com um belo sorriso esboçado no rosto, que ela mais uma vez se acolheu nele, e dormiu novamente. Não tão profundamente como antes, pois percebia que ele a observava e não conseguia tirar suas palavras da cabeça.



Estavam arriscando tudo com o que estavam vivendo naquela tarde. Mas precisavam se permitir. Pois tudo, a partir dali, seria complemente diferente.



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