O dia amanheceu e acordei com Angela parada ao meu lado na cama. Ela me olhava sorrindo, com os olhinhos apertados como se prestasse muita atenção em alguma coisa.
- hey... bom dia, princesa.
- bom dia papai!
- o que está olhando?
- você.
- e o que eu tenho de interessante, senhorita Way?
- você parece bobo, papai.
- Bobo?? – fiz cara feia. – Não chame o papai de bobo, okay?
- quero dizer que seu rosto está diferente. Está mais alegre, papai. – eu não tive como ignorar o sorriso. Puxei seu corpinho frágil para cima da cama e comecei a sessão cócegas.
- bobo, hein? E o que acha disso agora, senhorita? – seus risos faziam bem ao meu ouvido. Eu amava aquela menina.
- papai! Papai! Eu preciso... ir... pra escola! – ela tentava dizer entre os risos.
De repente me lembrei. Opa!
- okay, vá se arrumar. Depressa!
Eu não podia me atrasar. Quero dizer, Angela não podia chegar atrasada na escola, não é mesmo?
Em menos de meia hora chegamos na porta da escola. As crianças ainda não haviam chegado e as únicas pessoas paradas em frente ao portão da escola éramos nós dois.
- papai?
- sim, minha anjinha.
- acho que chegamos muito cedo.
- é, parece que sim. – eu ri sem graça.
Alguns minutos se passaram e aos poucos as outras crianças iam chegando com seus pais. A coordenadora da escola apareceu e as crianças foram entrando. Percebi que eu ainda segurava a mão de Angela com força, como se a pobrezinha fosse fugir.
- papai, preciso ir pra sala.
- oh, okay filha. Dê um beijo no papai.
Ajoelhei para que ela ficasse à minha altura e ela me deu um beijinho no rosto.
- tchau papai! – ela saiu correndo antes mesmo que eu respondesse. Ah, essa menina!
Fiquei parado ali mais algum tempo, na esperança de encontrá-la pelo caminho como da outra vez, mas ela não apareceu.
A curiosidade (e a preocupação) apareceu e eu não pude deixar de saber quando vi a coordenadora fechando o portão. Eu precisava perguntar.
- bom dia, senhora Lovato.
- bom dia, senhor...
- Way. Gerard Way.
- o senhor é pai da Angela, certo?
- sim, senhora. – respondi com um sorriso torto.
- ela é um amor de menina. Muito esperta. – eu já sabia disso. – Mas o que o senhor deseja? Posso ajudá-lo em alguma coisa?
- eh... eu marquei uma reunião com a professora Lauren hoje de manhã, mas não consegui encontrá-la...
- ah, a senhorita Carter ligou comunicando que não viria à escola hoje.
- aconteceu alguma coisa com ela?? – pela minha cara de preocupação, era de se imaginar que havia algo mais do que uma simples conversa... – Digo, ela está bem?
- ela vai melhorar. Pelo jeito foi alguma intoxicação alimentar. – Meu queixo caiu.
- oh... a senhora... poderia me dar o endereço dela?
Vocês já podem imaginar qual foi a minha reação à essa notícia, certo? A pior possível, claro. E se ela estivesse mesmo doente?? Por minha culpa??
Eu precisava vê-la. Precisava pedir desculpas.
É claro que a senhora Lovato não acreditou na história da reunião, depois de tudo. Acho que meu rosto denunciou meu real interesse desde o primeiro momento, mas isso eu resolveria depois. Agora eu precisava ir até lá. Eu precisava, de verdade.
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