A floresta começava onde a estrada de Pedra Alta terminava, e a partir dali não havia mais placas, nem trilhas marcadas, nem qualquer sinal de que alguém se importava com o que acontecia lá dentro.
Era grande. Maior do que qualquer mapa da região conseguia mostrar. Havia partes onde a luz do sol mal entrava, e os troncos eram tão grossos que três homens de mãos dadas não conseguiam abraçá-los. Havia partes onde as árvores eram jovens, finas, e balançavam ao vento como se estivessem aprendendo a ficar de pé. Havia partes onde o chão era macio de musgo, e partes onde era duro de pedra, e partes onde era úmido de água que brotava do nada e sumia no nada.
Os lobos viviam ali. Alguns eram saudáveis, de pelo brilhante e olhos atentos. Outros estavam doentes, de pelo ralo e olhos opacos, e eram esses que davam mais medo, porque a doença os tornava imprevisíveis. Eles não caçavam por fome. Caçavam por confusão. E, às vezes, atacavam o que não deviam.
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