No período da Renascença e do Romantismo, a Melancolia era considerada uma experiência que enriquecia a alma.
˗ Quando quero me desmanchar em lágrimas fico segurando o choro, porque mesmo estando sozinho eu me envergonho. Assim como sorrir. É como se eu não merecesse sentir o que quer que seja. Acho que sou uma pessoa escrota. É que às vezes, mesmo que a ocasião seja feliz, mesmo que seja algo bom... eu fico... triste...
Tudo o que ele queria era poder desviar toda aquela dor que sentia no peito, sabia que chorar não adiantava e que xingar só o deixava pior, somando mais pontos contra si mesmo. Tudo o que queria era se sentir livre de si mesmo, ou pelo menos, sentir que pagava por ser tão... inútil. Mas não queria incomodar, sabia que se socasse aquele espelho em que se fitava com tanto ódio, seria julgado. Ele tremia, não era a primeira vez que bebia para esquecer quem era, mas era a primeira vez em que pensara em tirar a própria vida.
As lágrimas encharcavam seu rosto, mas não importava o quanto chorava, a dor nunca ia embora. Ele não sabia de onde ela vinha e não sabia como fazê-la parar. Cerrou os olhos com força, segurando o gemido de dor. Ele estava terrivelmente ferido, creio que mais um pouco e ele morreria. O tipo de morte em que se continua vivo. Seria tão mais fácil se tudo acabasse, porque viver sozinho o fazia ver o mundo de uma maneira diferente. Como um lugar sombrio onde estava no escuro e ninguém se importava. Se o mundo fosse tão sórdido quanto ele pensava, preferia não fazer parte dele. Chorava incessantemente e se martirizava por isso, porque para ele aquilo era mais uma evidência do quanto era fraco, do quanto era insignificante.
Jogou o corpo para trás com força, fechando os olhos e rolando sobre a superfície gelada, logo se cobrindo com lençóis finos. Pouco a pouco os olhos vermelhos iam se fechando, sua mente ficando aérea, sua visão nublada... E logo ele adormecia, concluindo assim mais uma noite. Remexia-se na cama durante a noite, sorrindo vez ou outra contra o travesseiro, pelo menos nos sonhos ele conseguia abrigo, fugia da realidade, tinha pequenos momentos em que esquecia de si mesmo. Quando amanhecia, porém, os raios de sol cruéis o acordavam, trazendo-o de volta à lembrança terrível da realidade. Chorou.

