Mastermind
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Capítulo 218 min de lectura

D E S F I L E

Do espelho o reflexo principal que observo é o meu. O maquiador trabalha com o pincel sob minha face de maneira delicada e orquestral. Ao meu redor o camarim está uma bagunça. Os bastidores de um desfile contém todo tipo de caos. Algumas ainda estão tendo ajuda para prender o cabelo o mais alto que podem para que cumpram o conceito que precisam na passarela, outras tem seu corpo pintado com o brilho que destacará suas peles, mais algumas tem auxílio para ajustar as alças das camisolas que se exibirão hoje, as fofocas correm a solta, atualizações de profissionais que estavam trabalhando para outras marcas, planos para os futuros, segredos obscuros que só são desvendados nas salas de espera para um show como esses que fazemos com frequência. Não me falam diretamente, mas, sei que o assunto mais badalado no momento é o fato de que esse é meu último desfile antes de abandonar a modelagem.

A mesa que contém os itens que me preparam tem em sua base pelo menos 15 arranjos de flores enviados para me parabenizar pelo sucesso. Não conheço ninguém das pessoas que me felicitaram e suspeito que a maioria se refere a velhos ricos que gostam mais do que observar quando sustento algum look. Interesse pela moda? Certo, é somente por isso que eles compram a primeira fileira sempre que podem. Quase esboço um sorriso de lado enquanto o maquiador faz sua mágica.

Um som mais característico se destaca no meio das pessoas que estão se aprontando para o desfile. O flash de uma câmera, mas, ela se foca mais em mim do que nos outros, em parte porque hoje é minha última vez aqui e outra porque Alice é meio inclinada a prestar mais atenção em minhas ações, é isso que melhores amigas fazem. Alice Brandon, fotógrafa de moda da revista mais conceituada do ramo, e a garota criativa e espontânea que coloriu toda minha infância até hoje. Por alguma sorte do universo os Brandon eram tão ricos quanto os Swan, então Alice pôde me acompanhar desde sempre por ser considerada adequada para isso.

Era Alice que revirava os olhos por zombaria e descartava a opinião de todos quando eles exibiam que brincávamos de ser adultas, que nossos trabalhos eram fúteis, descartáveis e sem profundidade, como nós próprias, enquanto eu os armazenava em cantos escuros da minha mente para repeti-los quando estava pronta para pensar em que eu era e porque às vezes soava tão impróprio ser assim.

O maquiador anuncia que acabou, agradeço com um sibilar de lábios e ele se afasta ao passo que aperto o laço do meu roupão, fitando o resultado e apreciando o talento do homem que passou a imagem que me pagaram para divulgar. Normalmente para se ter um impacto em desfiles de peças intimas usávamos vermelho nos lábios em um tom fechado e bem preenchido. Dessa vez decidiram cintilar apenas pequenas gotas de um vermelho quente sob minha boca e espalhá-lo para causar a impressão que sujei com alguma cauda de cereja. Combinava com como me vendiam, segundo meus contratadores minha sensualidade não extava explícita como a de todas as outras, o que me fazia tão cara era o fato de que quando olhavam para mim os espectadores queriam descobrir se minha inocência era verdadeira. Talvez isso também explique porque ao passo que minhas companheiras exibem penteados elaborados me limitaram a moldar meus cabelos em grandes cachos que caiam em cascata na frente do meu rosto e costas.

— Charlie está bem com sua decisão? — Alice baixa a câmera por um instante e indaga já que não tem ninguém próximo, ela sabe que dessa forma teremos tempo e espaço para breves desabafos se for o caso. Alice sabia que ocasionalmente ocorreria, que eu daria um basta nessa situação, modelas sempre foi mais algo que eu precisava fazer do que queria. Meu quadro de desejos é bem mais simples do que isso.

Reflito, lembrando da conversa até civilizada que tivemos quando anunciei antes da mídia ser informada e dou uma risada leve.

— Em suas palavras foi a melhor hora para parar, se uma modelo vai embora das passarelas quando está no topo ela é lembrada, se faz isso quando já passou sua vez e é dispensada vira só um dado. — é a lógica dos Swan, a moral com a qual fui criada e lutei com meus instintos para combater, Alice aperta meu ombro porque suspeita onde meus pensamentos estão indo. — Pelo menos ele não se opôs, seria horrível se eu tivesse que permanecer porque meu pai não concorda que já é hora de finalizar. — soava deprimente que uma adulta de vinte e cinco anos comunicasse algo como o que eu disse. Que precisava da opinião do pai para decidir os rumos de sua vida. Mas, posso supor que nem todas as adultas de vinte e cinco anos são filhas de um homem como Charlie Swan.

— Quer saber? Eu não devia ter mencionado ele, hoje é sua noite. Quem é a modelo mais incrível, linda e talentosa que conheço é você. A sua fama, seus ganhos e seu sucesso tem a ver com todo seu esforço, nós duas sabemos disso, nós duas estávamos juntas ao longo de tudo e temos conhecimento que você merece. — afirma sem ter a mínima dúvida disso, viro meu rosto quando ela se agacha ao meu lado e aceito a mão que ela me oferece, trocamos um sorriso de quem compartilha o melhor e pior da vida. A atmosfera amigável só é finalizada quando uma risada cínica ressoa atrás de nós, Kate aparece logo depois, porque o deboche é uma prévia de sua chegada. Papai sempre amou competição, ele diz que isso nos torna mais ferozes, e se tem alguém com quem competi na minha vida, esse alguém foi Kate, desde que começamos como modelos lutamos por tudo, as marcas, a ordem no desfile, o horário do maquiador, ela, porque faz parte de sua alma ganhar e eu porque não posso parecer alguém que não tem isso na alma. Por mais dias do que posso contar fora exaustivo fingir que me importava com nossa infantilidade, mas, hoje não será um deles, hoje não farei nada que não quero.

— Se te faz se sentir melhor achar que conquistou por sim própria não porque é Swan, quem sou eu para discordar. — ouviu o suficiente do incentivo de Alice para comunicar isso, ao passo que limpa os cantos de sua boca a qual o batom vermelho rubro e forte não secou. Ela sim precisa de algum apelo. Alice solta minha e se levanta, em seguida faz uma careta para seu comportamento, ainda que esteja acostumada a lidar com ela, eu me limito a ignorar enquanto alisa o tecido sedoso do roupão. — Mas, tenho que admitir, não será tão divertido brilhar no futuro sem ver no fundo você se apagando por isso. — seus comentários poderiam soar mais cruéis se eu não soubesse que há pessoas lá fora bem piores do que ela.

— Ou talvez possamos brilhar ao mesmo tempo, Kate, apenas em lugares diferentes. — respondi calmamente, para outras pessoas isso poderia ser visto como aceitação, para Kate meu não abalo era uma ofensa, ela se aproximou dois passos logo que Alice saiu de perto para fotografar uma modelo novata, mesmo que a pauta principal da matéria que ela está produzindo fosse minha aposentadoria, ela ainda incluiria nos trechos da noticias informações sobre todas aqui, foi uma das minhas exigências quando aceitei ser a capa desse mês. Exigências, a palavra ressoou em minha mente, ela parecia até de outra língua do tanto que não pertencia ao meu vocabulário. No mais, Alice sabia que era seguro me deixar sozinha com Kate, eu poderia me defender, ao menos dela.

Ela que mordeu os lábios com irritação, e brilhou os olhos com raiva deixando bem destacado seu delineado.

— Essa é a coisa que mais odeio em você, sua passividade viciante, brigar com você é como chutar uma parede. — só porque competíamos não quer dizer que eu deixava claro que fazia isso, esse era o estilo dos Swan, polidez e suavidade no confronto. Eu odiava muitas coisas sobre como fui criada, mas, agir nas sombras sempre me foi mais eficaz que mostrando aos ventos.

Chutar uma parede. A parede não faz nada de volta diretamente, mas, o oponente sempre sai machucado, não é? Posso aceitar isso.

— Kate o modo como você me descreve faz parecer que fui uma adversária tediosa. Ambas sabemos que nossa disputa foi saudável para nossos egos, mas, agora acabou, eu vou embora. — ficar com a última palavra é a pior tortura para quem gosta de trocar argumentos, essa última palavra em especial é mais afiada que qualquer ameaça exibicionista, é por isso que ela cerra os dentes. É lógico que não vou embora, Charlie está certo, sair de cena no momento que minha carreira atingiu o mais alto faria com que eu fosse lembrada em cada canto que Kate ainda ia visitar, ela permaneceria na passarela, mas, meu legado desfilaria antes que ela fizesse sua aparição.

— Um dia vou descobrir por que desistiu? — ela cede só um pouco no desprezo, porque sua curiosidade ganha a batalha em sua mente. É o que todos querem saber, não irão perguntar na cara como ela o faz, no entanto querem compreender, como alguém se vai quando tinha garantido pelo menos mais dez anos nessa indústria com o quanto ganhou na última temporada? E nem estamos falando dos lucros, mas, sim dos contatos. Que são tão preciosos quanto ele. Minha resposta escapa no mesmo momento que Sulpicia, nossa empresária em comum entra no cômodo para nos vistoriar.

— Não é desistir quando você não quer mais. É mais como uma libertação. — sou vaga, contida e coerente com a personalidade que esperam de mim, até mesmo no sorriso gentil que lhe entrego. Kate me dá um olhar conhecedor antes de se afastar para aplicar mais spray em seus fios, esse ato arranha a superfície de minhas entranhas, não há ninguém melhor para quase te fazer dizer a verdade quanto alguém que precisa dela para te destruir.

Sulpicia toma seu tempo analisando cada detalhe de nós, suas críticas tão latentes quanto se pode esperar. Observo com interesse quando ela para em Anastasia, uma de nossas modelos também mais velhas, os olhos dela brilham em animação enquanto conversa com quem podemos considerar nossa chefe, mas, o diamante em seu dedo se acende mais do que ela, fito a peça sentindo meu coração se aquecer minimamente. Logo ele será retirado de suas mãos, ela está aqui para ser cobiçada e tem que fazer isso amplamente, é assim que o negócio de Sulpicia funciona. Não que ela esteja irritada que Anastasia irá se casar em breve, foi ela que armou isso, ela que mediou os encontros entre Anastasia e um empresário do ramo dos vinhos. Sulpicia sempre aprecia quando tem direito a favores desses homens, seu caráter deturpado precisa desse tipo de coisa, mesmo que no processo ela tenha que fazer suas modelos virarem objetos.

Ela desiste de interpretar o papel de emocionada com o novo status de uma de suas associadas e se encaminha até mim, é ai que sua expressão se torna mais séria e ofensiva. É fácil tornar-se inabalável quando se é filha de Charlie Swan, é mais fácil ainda quando parte da sua educação e crescimento são relegados a alguém como Sulpicia. Sem sensibilidade alguma e sem se importar se alguém vai reparar, porque afinal ninguém reclamaria do poder que ela pode exercer sob mim ela aperta minhas bochechas momentaneamente e puxa meu rosto para fitá-la.

— Seu rosto engordou um pouco, não acredito que vai finalizar sua carreira estando inchada assim. Não me diga que está repetindo seu mau hábito. — fala em um tom duro, pronta para me relembrar o que considera ser meu maior erro, e também para deixar claro que odeia o fato de que não vou lhe dar mais dinheiro e fama, essa é minha vida, ser usada em cada aspecto que possa existir. Mesmo que minhas têmporas tenham ficado dolorido dou um sorriso simpático. Sorria Bella. Mesmo que doa. Sorria Bella. Mesmo que arranha. Sorria Bella. Mesmo que destroce. Sorria porque um dia irá doer, arranhar e destroçar qualquer um menos você. — Isso mesmo, é por essa razão que sempre foi tão satisfatório mandar em você, sua tendência a ser uma boa menina rende muito, querida. — seu elogio é tão problemático quanto qualquer outra coisa que ela me dirige. Mas, ele se segue com péssimas intenções. — Essa realmente uma pena no entanto que você seja tão comportada em outras áreas, James Park estava decidido para pagar caro por um encontro com você. — ela sussurra como se eu estivesse me negando a algo inédito. Não seria a primeira vez, mas, com sorte a última.

Em contrapartida tudo que posso fazer é aumentar meus sorriso educado.

— Não sou tão divertida fora da passarela quanto sou desfilando, eu seria uma decepção para eles, e não gostaria de acabar com sua reputação. — recuso com uma risada charmosa, enquanto ela me observa fixamente, o que Kate disse ecoando entre nós, não é minha agressividade que desarma ninguém, é minha passividade, mantenho o olhar e desvio apenas para acenar pedindo que o maquiador conserte o blush que Sulpicia estragou, é o suficiente para ela seguir seu rumo.

As modelos continuam murmurando, rindo e se divertindo enquanto meu rosto é retocado. Suas frases não me importam por não serem da minha conta. Nunca fomos próximas, eu desfilo, fotografo, dou entrevistas e vou embora. Elas se preocupam com contas, eu saio daqui e me preocupo com que evento diplomático vou participar. O abismo que nos separa faz com que elas me odeiem na mesma medida ou mais ainda do quem realmente é próximo de mim. Mas, o ódio delas é compreensível, não é o caso dos outros.

— Estou dizendo a vocês, todos os bons partidos vieram hoje, Lamar é realmente conhecido, por causa do sucesso dele os herdeiros e CEO mais ricos estão aqui...A assistente de palco me garantiu que Edward Cullen comprou a primeira fileira toda para que eles e seus amigos possam assistir o desfile. — a modelo novata acaba comentando em tom risonho e excitado logo que o maquiador salpica mais um pouco do batom em meus lábios. Quando ele esbarra no canto da minha boca ergo os olhos indagadora, ele tinha sido perfeito até agora, o que o atrapalhou? Pela maneira como me fita noto que seu interesse tinha passado de ser analítico para ser desejoso. Respirei fundo e esperei que ele limpasse o que errou, ele o fez, nem eu o critiquei em voz alta, nem ele tentou nada antes de se afastar de novo.

Sulpicia estava sentada em volta delas, checava seu celular quando riu sem humor.

— Lamar é realmente o melhor estilista com que trabalhamos, é uma pena que nem todas as modelos estejam dispostas a honrar a confiança que ele tem em nós, certo, Bella? — me insere na conversa para tecer mais uma ofensa, as modelos dão risadinhas nada discretas, elas gostam quando sou alvo do ódio de Sulpicia. — Ele ainda está decepcionado pelo que você fez. A musa dele sendo tão má. — me conta no momento mais adequado para isso. Trabalho há cinco anos para a L&R, a marca de peças íntimas de Lamar é luxuosa, elegante e realmente honra a exasperação que tem. Lamar flerta comigo desde o começo, mas, contrariando o resto do mundo da moda suas investidas são elegantes, não do tipo que eu poderia considerar assédio. Não para ele é uma palavra que tem sentido. Ele me deixa escolher as peças que quero usar, na maioria dos casos optei por suas camisolas de seda que adornam uma boa gaveta de meu closet, mas, na semana anterior ele tinha solicitado pela primeira vez que eu desfilasse com seu conjunto principal, era minúsculo, exibicionista e nada que os bons costumes aprovariam, deixei claro que não seria eu a inaugurá-lo.

Suspiro enquanto as fito.

— Sabe de uma coisa? É meu último desfile, acho que posso encerrar com estilo, se Lamar estiver de acordo posso usar o que ele quer. Pelo menos uma vez. — Sulpicia arregala os olhos, pelo menos sobre uma coisa sempre fui convicta, eu não era o tipo que mostrava tudo, eu mostrava o suficiente para ser irresistível. Desculpe-me Kate, mas, talvez eu ainda não esteja pronta para encerrar a competição. Ela me olha como se quisesse me esganar. Seria ela a me substituir. Não hoje. Hoje eu precisava ser o que qualquer homem queria levar para cama e preencher o lençóis. Sempre me trataram como um produto. Hoje eu deveria ser comprada.

Foi com euforia que eles me prepararam, o roupão escorregou em uma poça enquanto Lamar surgia com satisfação pinicando em cada parte do seu rosto enquanto ele analisava meu corpo. Um dos assistentes amarrava a cinta-liga, enquanto outra apertava o fecho do sutiã para firmá-lo, os altos já estavam meus pés. Eu não chegava nem a engolir a seco, o fato de eu preferir usar roupas discretas e ainda sim ficar no início do desfile em vez da finalização nunca significou que me deixava nervosa estar tão exposta. Eu dava conta, foi por isso que eles não se preocuparam que eu não tivesse ensaiado o final e a troca fosse acontecer. Alice estava tão animada como ele contando que a foto de mim nesse look lhe garantiria milhares de edições da revista, apenas sorri em agradecimento.

A contagem começou, Lamar com sua pele bronzeada, porte atlético, olhos caramelos e nada que o fizesse aparentar ser um estilista de roupas femininas, só entraria no final e depois eu, enquanto ele ficou comigo na coxia. Foi ele que fechou os laços da capa que me cobriria, eu a abriria antes de começar a desfilar. Ele me encarou com apreço e frustração.

— É cedo para que você deixe de ser o que é. — me comunica em um sussurro. Uma estrela em ascensão. Uma modelo de sucesso. Sou sincera pela primeira e única vez dessa noite.

— Na verdade é meio tarde para eu ser quem sou. — ele fica confuso, mas, não tem tempo para resolver o mistério. Porque o desfile começa e temos que nos concentrar no que a TV nos exibe e acompanhar o ritmo das outras. Eu devia estar emocionada, sentir que era uma despedida, que a partir desse momento estou deixando ir embora uma parte de quem sou, mas, está tão desgastada, essa parte de mim está em farrapos.

Aplaudo uma por uma. Elas querem estar aqui. Quem permanece querendo merece aplausos, enquanto quem não...Talvez merecesse pena, mas, nunca recebi isso, porque não fazia parte do script.

5...4...3 ...2....1

Lamar entra no palco, seu discurso contém piadas de duplo de sentido, misturado com agradecimento, uma despedida para mim e um anúncio. É hora de ir. De me despedir e de começar. Um respirar fundo. Um passo com o pé direito. E estou fora. No centro da passarela totalmente coberta, primeiro as luzes saem do tom azulado que combinava com o smooking de Lamar e vão para um tom esbranqueado, angelical e inocente. A produção faz seu serviço, do teto os tecidos transparentes caem e passam a voar entre as laterais do palco acima dos convidados, alguns ficam impressionados, outros seguram um bocejo, por enquanto. Só por enquanto. Com os dedos ágeis solto o laço, a capa cai sob meus pés, ouço suspiros, murmúrios e comentários, mas, dane-se, é aqui que eu brinco. Ergo o rosto em minha postura segura e começo. Um passo depois do outro, meus quadris se movendo com a flexibilidade de uma bailarina, os lábios entreabertos como se estivessem ofegante, os cachos balançando no percurso. O que me protege é uma calcinha indiscreta, um sutiã de renda que delineia praticamente apenas os bicos dos meus seios e uma cinta liga adornada por pequenas flores. A música continua. Mas, quando ando mais um pouco ela para. Tudo para no mundo. Quando sinto determinados olhos em mim, se derramando em minha pele, me incendiando e me afogando. É só uma fração de segundos, parece uma eternidade. Mas é só um milésimo de tempo. Dou a volta que é esperada. Agora eles veem minhas costas, veem o bastante para arfarem quando solto o fecho e deixo que escorregue, abandonado pelo chão quando em um movimento delicado e bem preparado cubro meus seios com um braço. Quando chego ao meio, de novo ao lado de Lamar dou minha cartada final na jogada de ser alguém que será lembrada com um estalo da mão livre rasgo um dos lados da cinta liga e dou um sorriso simplista. Fogos de artifício se soltam a céu aberto, e é isso. Encerro minha carreira como Bella Swan.