/ Rin /
Uma brisa leve entrou pela janela acariciando meu rosto.
Eu estava deitada na cama olhando para o teto, com uma sensação de fadiga me consumir lentamente.
"Dia de suspensão... O que fazer quando você fica em casa de castigo?"
Pensei nas coisas pendentes para cumprir: Ir no mercado, lavar roupa, estudar um pouco, fazer comida...
"Namm..."
Me virei na cama, afundei o rosto no travesseiro e dormi por mais uma hora antes de levantar.
**
Preparei um mingau de aveia, torradas e chá para o café da manhã e comi lentamente observando minha casa. Era tão pequena. Capacidade para três pessoas no máximo, tinha dois cômodos, mas dei um jeito de colocar "divisórias" improvisadas para separar cozinha, quarto e sala.
Era simples, porém aconchegante e bonitinha. Eu gostava assim.
Quando aquele avião de guerra caiu em cima da minha antiga casa matando meus pais, eu senti que não havia mais nada para mim naquele lugar.
E por recomendação da simpática enfermeira que cuidou de mim no hospital depois do acidente, me mudei para aquele bairro e aluguei a pequena cabana adorável do pai dela.
Eu me sentia uma camponesa, até uma bruxa. A bruxa da cabana na floresta.
Morar sozinha era bom e eu olhava isso como um retiro espiritual, porém, fazia com que um sentimento chamado solidão aparecesse de vez em quando.
Falar comigo mesma ou até com meus móveis se tornou uma mania.
Começava a pensar em como seria maravilhoso ter alguém para amar ali, naquela cabana...
Mas não naquele momento, nada de distrações.
Talvez, em outra hora...
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Depois do café, fui ao mercado que ficava logo na esquina.
Comprei tantas coisas que estavam faltando que não consegui carregar todas as sacolas sozinha, tanto que um funcionário do mercado me ajudou com as compras até o portãozinho da minha casa.
Ele perguntou se queria ajuda para levar até lá dentro, mas recusei, mesmo achando muita consideração da parte dele.
A única pessoa que já entrara na minha casa foi Kagome.
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Depois de guardar as compras do mercado, almoçar e lavar roupa, reuni todos os meus antigos livros e cadernos da faculdade para fazer uma leitura de revisão.
Como eu planejava voltar a estudar, não poderia chegar na sala de aula com a cabeça toda enferrujada.
"He he, essa suspensão veio a calhar, afinal.
Nada como um dia produtivo".
De repente, pensei em Kagura e notei que meu coração não sentiu raiva...
Eu não costumava guardar rancor.
— Eu te perdoo Kagura — falei em voz alta — você devia estar tendo um dia ruim e isso de qualquer forma me ajudou a ter um tempinho livre.
Sorri, feliz de estar com a consciência tranquila e comecei a estudar, debruçada sobre os livros no chão.
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