Sábado, 09:00 da manhã.
O despertador toca em algum lugar do meu quarto, repetindo um dos meus toques favoritos, Believer, do Imagine Dragons, pela terceira vez consecutiva enquanto continuo deitada na minha cama. Estou exausta. Me remexo em minha cama, tentando ajustar meus olhos à claridade dentro do meu quarto que penetrava por entre as cortinas grossas caras que minha mãe comprara há algum tempo atrás. Aos poucos as lembranças da noite passada voltam à tona e um suspiro sai de mim automaticamente. Aquela madrugada era a terceira em que eu tinha o mesmo sonho esquisito com um garoto que eu nunca vi em toda a minha vida. O mesmo sonho que já me perseguia há meses e que era o motivo de estar quase no ponto de arrancar meus próprios cabelos. Encaro o teto do meu quarto em busca de concentrar minha mente em todos os detalhes que não posso me permitir esquecer.
Cabelos longos e desalinhados, num castanho escuro profundo. Um par de olhos verdes intensos. Lábios finos em contraste com um maxilar largo e em perfeita simetria com a metade de uma máscara que lhe cobria. A mesma era feita de madeira, com detalhes talhados por uma mão habilidosa, mas por algo motivo estava queimada e várias marcas do que pareciam dentes lhe deixavam com uma aparência aterrorizante e sombria. Uma voz calma e suave que repetia uma frase que por algum motivo fazia meu coração se apertar e meu estômago embrulhar.
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