Depois dessas fitas, a minha vida nunca mais foi a mesma, eu não paro de pensar em Hannah um segundo sequer, não paro de pensar nas possibilidades que tive para mudar isso, nas vezes que podia impedi-la de fazer isso, nas vezes que podia ter a ajudado a sair dessa depressão e a não ter acabado com sua vida, mas infelizmente, algumas coisas nós só percebemos, só paramos para pensar, depois de já terem sido feitas, e o suicídio de Hannah, foi uma dessas coisas.

Há algumas semanas atrás, eu jamais poderia imaginar que Hannah, a garota pela qual eu era apaixonado, poderia pensar em fazer isso, quando via Hannah pelos corredores do colégio, não imaginava o que se passava pela sua cabeça, não fazia ideia de que eu podia ajuda-la, ainda mais depois da noite em que ficamos e ela me expulsou do quarto, naquela noite, eu poderia ter insistido, poderia ter ficado lá, ter conversado com Hannah, ter a entendido, e quem sabe, se eu tivesse insistido, hoje ela ainda estaria aqui, do meu lado, no meio de nós, se eu tivesse insistido, não veria sua carteira, próxima ao meio da sala, vazia, se eu tivesse insistido, tudo poderia ser diferente... Mas eu não insisti, simplesmente ouvi seu não e saí do quarto.

E hoje, cinco dias depois te ter escutado e repassado as fitas para Jenny Kurtz, eu ainda não sei o que fazer da minha vida, não sei o que será de mim, eu só sei que metade de mim, também foi embora junto com Hannah Baker.

— Clay Jensen

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