Eu estava dentro da salinha de gravação enquanto todos estavam lá fora almoçando; olhando todos aqueles botões a perder de vista ou a minha face pálida pelo vidro a prova de som que dividia a sala ao meio do outro lado onde ficava quem estaria cantando. Estava silencioso e vazio ali. Tão silencioso que eu poderia escutar até a minha corrente sanguínea correndo por dentro de mim. Até que alguém abre a porta num estrondo e quando me viro para olhar, era ela.
- Ah! — ela exclamou ao me ver lá dentro. — Desculpe, atrapalho?
- Não. — eu respondi um pouco seco. Estava disposto a esquecer isso, estava ficando ridícula aquela minha situação e queria me concentrar no trabalho. Sinceramente, naquele momento, não queria vê-la. Era como se estive me preparando para enterrar de vez as sensações que sentia quando eu a via.
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