Charm
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Capítulo 55 min de lectura

Capítulo 4

Acordei na manhã seguinte com uma dor dilacerante em minha cabeça, o quarto ainda entregue a escuridão, cortinas fechadas, o ar pesado e frio. Em outro tempo aquele fora um lugar alegre, uma caixinha de lembranças calorosas. Virei para o lado e o vislumbre de Leo esparramado em minha cama, os cabelos castanhos e revoltos sobre os olhos brilhantes, o ar de fascínio ao prestar atenção em mim me fez estremecer, consternada. O medo puro e irracional de nunca mais tê-lo comigo tornara-se minha companhia mais constante, pulsando em minhas veias, atormentando meu sono. Naquela noite, como em todas as outras, eu pouco tinha dormido. Pensei tanto em Léo que tive sonhos e pesadelos com ele. Não sabia mais o que era real, sonho, pesadelo ou ilusão. Não estava indo para a escola desde seu enterro na semana anterior, mal levantava da cama. Me deixei mergulhar fundo, muito fundo na tristeza. E de vez em quando, nos meus poucos momentos de lucidez plena, eu atinava para o que havia acontecido, como se meu inconsciente, compadecendo-se de mim, ligasse o botão de raciocínio dentro do meu cérebro. Não fora um simples pesadelo. Tinha mesmo acontecido. A morte de Léo, o ritual...

Mergulhei nas águas torrencialmente quentes do chuveiro. A cascata desceu por meu corpo, aliviando por um momento as dores que me ferroavam a alma. Eu precisava voltar para a escola. Tinha que encarar a todos, todos os nossos amigos, professores e suas famílias. Nada poderia ser mais martirizante do que os olhares penosos deles, as palavras que sairiam por seus lábios...



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